Numa recente REVISTA CULTURAL VIETNAMITA (27 de Agosto) vem um longo artigo sobre JACQUES BREL escrito pelo senhor Tuấn Thảo.
Todo o artigo é essencialmente sobre a canção LE MORIMOND, que obteve um êxito mundial, não na sua versão original, mas na versão em inglês escrita pelo canadiano McKuen e divulgada pelo ilustre desconhecido Terry Jacks.
A análise do articulista vietnamita está perfeita porque denuncia exactamente o crime que McKuen fez com a sua versão inglesa. A sátira e a ironia que Brel pôs no seu texto, e na interpretação, focando um assunto tão sério e doloroso como o adultério, são substituídos pela incoerência e imbecilidade das palavras e pelo melaço da interpretação.
Mais uma vez o “crime compensa”. Ambos, McKuen e Jacks, ficaram podres de ricos com a sua versão de SEASONS IN THE SUN (Le Morimond).
E para exemplo o senhor Tuấn Thảo mostra-nos este vídeo do Youtube. Uma coisa absolutamente enjoativa cantada por uns rapazinhos super charmosos, em 1999, que se chamavam Westlife…
Se tiverem tempo e paciência divirtam-se com esta piroseira.
Esta canção, Les amants de coeur, é assinada por Brel e por Rod McKuen. Este senhor McKuen é o autor da famigerada versão inglesa de LE MORIBOND e que dá pelo nome de Seasons in the Sun. O tal êxito dos anos 60 que correu mundo na voz do canadiano Terry Jacks, e depois por muitos outros cantores nos mais variados idiomas, estilos e interpretações. Com tal sucesso da canção o senhor McKuen deve ter ficado rico com os direitos de autor da letra inglesa, apesar de ter prestado um mau serviço a Brel. Com a versão inglesa McKuen deturpou todo o conteúdo do texto breliano e com isso deu a conhecer aos anglo saxões uma imagem de um Brel muito vulgar, para não dizer piroso, tal a baixa qualidade da tradução. No entanto, Brel quis conhecer o autor de Seasons in the Sun e veio a saber que ele era também um cantautor. E pediu-lhe uma canção sua para traduzir para francês e incluir no seu reportório. McKuen cedeu-lhe a canção The lovers que Jacques Brel Traduziu para Les amants de coeur.
Eles amam-se, amam-se, rindo. Eles amam-se, amam-se para sempre. Eles amam-se ao longo do dia, eles amam-se tanto, tanto, que parecem anjos do amor, anjos doidos protegendo-se quando se encontram de fugida. Os amantes do coração...
Eles amam-se, amam-se loucamente, desfolhando-se longe das luzes… E desvendam-se como dois frutos, descobrindo que já não são dois… E abandonam-se suavemente. Reencontram-se no novo dia e adormecem mais felizes, os amantes do coração...
Eles amam-se, amam-se assustados, o coração molhado, latejante. Cada segundo é um medo que devora o coração à dentada... Eles sabem demasiado de encontros onde se fingem de caçadores, para não terem medo do lobo, os amantes do coração...
Eles amam-se, amam-se chorando. Cada dia um pouco menos amantes, depois de terem bebido todo o seu mistério... Tornam-se irmão e irmã, queimam as asas de inquietação. Transformam-se em dois hábitos, e então, trocam de companheiro, os amantes do coração...
Que se amem, que se amem rindo…Que se amem, para sempre… Que se amem ao longo do dia… Que se amem tanto, tanto, que pareçam anjos do amor, anjos doidos protegendo-se quando se encontram de fugida… Que se amem, os amantes do coração !!!
Esta é a versão original de Rod McKuen... THE LOVERS
O amigo Dino Gibertoni, dono do Blog Siodmak, e co-autor do site La Chanson de Jacky, acaba de descobrir uma versão muito rara de Le Moribond. Esta versão de "Le Moribond" é de 1974 e é cantada... em português. É verdade, em português. Pelo grupo “Movimento”. O nome da versão ficou "As Andorinhas Já Voltaram" e está num EP chamado "Uma Tarde No Café". É a primeira versão em português (e talvez única) de "Le Moribond" de que há conhecimento. Está AQUI o link para a informação sobre esta gravação no excelente site Discogs.
Fica aqui a informação e, já agora, o pedido: Quem tiver este disco e o queira vender ou saiba da sua existência algures, pode deixar um comentário aqui nO CANTO DO BREL.
De Janeiro a Junho de 1978, Brel está em Atuona, Ilhas Marquesas. A sua saúde piora. Em Julho, Brel regressa a Paris para se submeter a novo tratamento. Em 7 de Outubro ele está muito doente e é internado no Hospital Franco-Musulman em Bobigny nos arredores de Paris. Sofre uma embolia pulmonar. Em 9 de Outubro morre às 4 horas e 10 minutos da manhã. É enterrado na Ilha Hiva Oa a alguns metros do pintor Gauguin.
O MORIBUNDO Le moribond é um óptimo exemplo da composição breliana. A estrutura dos versos repete-se, delimitando o campo semântico. É como ter um molde onde se vão introduzindo pequenas variações. Esta canção de 1961 teve uma versão em inglês intitulada “Seasons in the sun” e foi cantada por um cantor pop da altura chamado Terry Jacks. A canção correu mundo e esteve em primeiro lugar nos tops de vários países. Outras canções de Brel tiveram sucesso idêntico nas suas versões inglesas. Por exemplo Au suivant cantada pelo Scott Walker, dos Walker Brothers, e Ne me quitte pas, cantada por Nina Simone, Frank Sinatra, R.Charles, D.Bowie, Sting, etc. Nenhuma das versões, porém, atingiu o nível do original.
Adeus Emílio, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Cantámos os mesmos vinhos, cantámos as mesmas raparigas, cantámos os mesmos desgostos... Adeus Emílio, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque sei que és bom como o pão branco e tomarás conta da minha mulher... E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Adeus Padre, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Não estávamos no mesmo bordo, não seguíamos a mesma rota, mas procurávamos o mesmo porto.... Adeus Padre, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque sei que tu eras confessor da minha mulher e, portanto, vais tratar bem dela… E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Adeus António, nunca gostei muito de ti... Tu sabes que nunca gostei muito de ti... Fico danado porque vou morrer hoje, ao passo que tu ficas aí vivinho, e mais rijo que o fastio... Adeus António, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque, visto que eras o amante dela, sei que cuidarás bem da minha mulher... E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Adeus minha mulher, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Mas, vou tomar este comboio com destino ao Bom Deus... Este comboio é antes do teu, mas, cada um toma o comboio que pode. Adeus minha mulher, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com os olhos fechados, mulher, porque por ti, tive-os fechados muitas vezes, e eu sei que tu vais cuidar da minha alma... E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, e quero que dancem quando me meterem lá na cova...