domingo, 25 de abril de 2010

JAURÉS



Jean Jaurés é o nome de um socialista francês assassinado em 1914. Ficou célebre por ser durante muitos anos director do jornal comunista Humanité. No seu último disco de 1977, Brel dedica uma canção a Jaurés.
Acerca da política, Jacques Brel, diz numa entrevista em 1972 que no fundo a política também era um acto de amor. Um homem de esquerda é um homem que tem amor pelos outros. Um homem de direita é um homem que tem amor por si próprio.

Jaurés (1977)

Eles estavam gastos aos quinze anos. Retiravam-se, mal começavam... Os doze meses chamavam-se Dezembro... Que vida tiveram os nossos avós!!! Entre o absinto e as missas cantadas eles já eram velhos antes de o ser... Quinze horas por dia com o corpo numa trela deixa no rosto uma cor pardacenta...
Sim, meu senhor, sim, meu mestre... Porque é que mataram Jaurés? Porque é que mataram Jaurés?

Não se pode dizer que eles foram escravos, mas daí a dizer que eles tenham vivido quando à partida já estavam vencidos, é muito difícil sair do buraco. E, portanto, a esperança florescia nos sonhos que afloravam aos olhos daqueles que recusavam rastejar até à velhice... Sim, meu senhor, sim, meu mestre... Porque é que mataram Jaurés? Porque é que mataram Jaurés?

Se por desgraça eles sobreviviam, era para irem para a guerra. Era para se acabarem na guerra, às ordens dum qualquer tarimbeiro, que exigia com desdém que eles desabrochassem, no campo do horror, os seus vinte anos nunca vividos... E eles morriam aterrorizados, miseráveis, sim, meu bom mestre, cobertos de padres, sim, meu senhor...

Exijam vocês, bela juventude, o tempo da sombra de uma memória, o tempo do sopro de um suspiro...
Porque é que mataram Jaurés? Porque é que mataram Jaurés

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