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sábado, 21 de maio de 2011

O MUNDO QUE EU VI



Foi lançado ontem no Peter o livro O MUNDO QUE EU VI de GENUÍNO MADRUGA.
O livro conta “a epopeia de dois anos do primeiro velejador e décimo a nível mundial a realizar uma circum-navegação à vela em solitário, dobrando o Cabo Horn do Atlântico para o Pacífico”. Publicado pela Editora VerAçor o livro é simplesmente magnífico, não só pela qualidade da impressão como pelo design gráfico. As suas 212 páginas contêm o relato vivido, e muitas vezes sofrido, do autor durante a sua epopeia marítima e são ilustradas por dezenas e dezenas de belas fotografias.

Na página 107 Genuíno Madruga fala da sua passagem por Hiva Oa, e a visita que fez ao túmulo de JACQUES BREL onde deixou a placa comemorativa já mencionada AQUI neste blog.

Deixo aqui um abraço de parabéns ao nosso lobo dos mares que, tal como Brel,também é contra o imoblismo e a preguiça. Brel dizia: "Detesto a prudência. Ela não nos leva a nada".
Genuíno esqueceu a prudência e no seu Hemingway deu a volta do mundo... DUAS VEZES!
"um feito só acessível aos grandes marinheiros".

quarta-feira, 14 de julho de 2010

BREL GENUÍNO





GENUÍNO MADRUGA conheceu JACQUES BREL em Setembro de 1974 quando o cantor passou por aqui, pela ilha do Faial. E nunca mais esqueceu esse encontro.
Nas duas voltas ao mundo, velejando sozinho no seu Hemingway (2002 e 2009), Genuíno Madruga fez questão de passar pela Ilha de Hiva Oa, nas Marquesas, e foi visitar o túmulo onde jaz o homem a quem ele apertou a mão, ali no Peter, há quase 36 anos.
E falar aqui de Genuíno Madruga? Pensei nisso. Mas desisti. Acho que o leitor ficará melhor informado se navegar no excelente site do nosso pescador/velejador. AQUI.



Os meus agradecimentos ao Nuno Costa Santos pela cedência deste video.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

TU LEUR DIRAS...



Jacques Brel conheceu MADDLY BAMY na rodagem do filme L’Aventure c’est l’aventure, em 1971. Em 1974 Maddly abandona a sua carreira de actriz e bailarina e acompanha Brel na sua viagem marítima a bordo do Askoy. Devido à sua doença o cantor decide interromper a volta ao mundo e vai para Hiva Oa, ilha do arquipélago das Marquesas, em pleno Oceano Pacífico, onde viverá os seus últimos 4 anos de vida.
Em 1999 Maddly publicou um livro de memórias intitulado TU LEUR DIRAS, edições Fixot. Neste livro, na página 77, Brel fala assim da sua passagem pela Horta, em Setembo de 1974:

“... Se eu estou aqui (Ilhas Marquesas) é para ter paz. Aqui eu tenho paz. Sou feliz. Se não pudesse viver aqui gostaria de viver nos Açores...”
“... os Açores são portugueses, as ilhas formam um arquipélago em pleno Atlântico. Nós estivemos na Horta, capital da ilha do Faial. São ilhas vulcânicas, a vida é rude, difícil, mas as pessoas são gentis. Infelizmente falam português e eu só gosto do francês. Mas são ilhas de uma grande beleza. Pode-se viver as quatro estações do ano num só dia. De manhã é o orvalho da Primavera, temos vontade de passear pela frescura do tempo. Ao meio-dia é pleno Verão e come-se nos terraços. Chega o Outono com o meio da tarde, as mulheres põem os seus xailes. E a noite é o Inverno debaixo de dois cobertores. Não se admirem de ver neve cair sobre o vulcão.
Mas os Açores estão demasiado perto da França...”

domingo, 27 de dezembro de 2009

1 Km DE CADA VEZ

Viajar é usufruir. É sentir o momento e os locais por onde se passa.
“1 km de cada vez”, o mais recente livro de GONÇALO CADILHE, celebra “a preguiça do viajante”.
Publicado pela OFICINA DO LIVRO, “1 km de cada vez” foi lançado no passado dia 24 de Novembro 2009.
Neste novo livro de textos inéditos, o autor relata o que sentiu nas viagens efectuadas ao longo de quinze meses. Sem pressas e sem datas. Por destinos tão diversos e longínquos como as ilhas Galápagos, o Sueste Asiático, a América Central, a África Austral, a Polinésia, as Caraíbas ou a Oceânia.
Gonçalo Cadilhe esteve em Hiva Oa e estas são as suas palavras para descrever a sua visita ao cemitério onde jaz Jacques Brel:


"O pequeno cemitério onde jazem os restos mortais de Brel encontra-se numa colina em anfiteatro sobre o mar. Passei uma tarde no cemitério, sereno e alheado, a ler, a olhar o mar, a meditar no que teria sido a vida de Brel ali. Com o quê ocuparia o seu tempo? Que livros, vinhos, música, teria trazido para esta sua ilha deserta? E se a morte não o tivesse levado, o que teria sido a sua vida? Teria regressado a Paris, à Bélgica; ou ainda estaria nas ilhas Marquesas?”
Gonçalo Cadilhe
1 km de cada vez


domingo, 8 de novembro de 2009

LES MARQUISES



No início do ano de 1974, Jacques Brel comprou um iate – Askoy - com a intenção de dar a volta ao mundo. Em Agosto fez-se ao mar. Passou pela Horta em Setembro, e depois várias escalas forçadas, devido à doença que já se manifestava, atravessou o oceano Pacífico, e aportou a HIVA AO em Novembro de 1975. Brel acabou por ficar até ao resto dos seus dias nas ilhas Marquesas. Já não terminou a volta ao mundo como era o seu desejo.
Porquê as ilhas Marquesas? Porque estavam suficientemente longe da Europa. Brel não suportava os jornalistas, os oportunistas e os falsos amigos que o perseguiam como abutres. Ele queria a sua privacidade, custasse o que custasse. A distância foi a solução. Jacques Brel não ficou na Horta porque estava demasiado perto da Europa.
A canção Les Marquises foi gravada em 1977, em Paris, e Jacques Brel viria a morrer um ano depois.

AS ILHAS MARQUESAS

Eles falam da morte como tu falas de um fruto, eles olham o mar como tu olhas um poço...
As mulheres são sensuais debaixo do temível sol, e se lá não há Inverno, aquilo também não é Verão...
A chuva é transversal e bate grão a grão... Alguns velhos cavalos brancos sussurram Gauguin...
E por falta de brisa, o tempo imobiliza-se nas ilhas Marquesas...

À noite, erguem-se os fogos e recantos de silêncio que se vão alargando enquanto a lua avança...
E o mar despedaça-se infinitamente destroçado pelos rochedos que imploram nomes sem sentido... E depois, mais longe, os cães, os prantos de arrependimento, e alguns pares, e alguns passos de dança...
E a noite é submissa, e o vento alísio estala nas ilhas Marquesas...

O riso está nos corações e a palavra está nos olhares, o coração é viajante e o futuro é um acaso... E passam os coqueiros que escrevem cânticos de amor e que as freiras dos arredores fazem por ignorar... As pirogas vão, as pirogas vêm, e as minhas recordações serão aquilo que os velhos fizerem… Deixa-me dizer-te que lastimar não é uma maneira de estar nas ilhas Marquesas...


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

LE MORIBOND

De Janeiro a Junho de 1978, Brel está em Atuona, Ilhas Marquesas. A sua saúde piora. Em Julho, Brel regressa a Paris para se submeter a novo tratamento.
Em 7 de Outubro ele está muito doente e é internado no Hospital Franco-Musulman em Bobigny nos arredores de Paris. Sofre uma embolia pulmonar.
Em 9 de Outubro morre às 4 horas e 10 minutos da manhã.
É enterrado na Ilha Hiva Oa a alguns metros do pintor Gauguin.


O MORIBUNDO
Le moribond é um óptimo exemplo da composição breliana. A estrutura dos versos repete-se, delimitando o campo semântico. É como ter um molde onde se vão introduzindo pequenas variações.
Esta canção de 1961 teve uma versão em inglês intitulada “Seasons in the sun” e foi cantada por um cantor pop da altura chamado Terry Jacks. A canção correu mundo e esteve em primeiro lugar nos tops de vários países. Outras canções de Brel tiveram sucesso idêntico nas suas versões inglesas. Por exemplo Au suivant cantada pelo Scott Walker, dos Walker Brothers, e Ne me quitte pas, cantada por Nina Simone, Frank Sinatra, R.Charles, D.Bowie, Sting, etc. Nenhuma das versões, porém, atingiu o nível do original.

Adeus Emílio, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Cantámos os mesmos vinhos, cantámos as mesmas raparigas, cantámos os mesmos desgostos... Adeus Emílio, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque sei que és bom como o pão branco e tomarás conta da minha mulher...
E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...

Adeus Padre, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Não estávamos no mesmo bordo, não seguíamos a mesma rota, mas procurávamos o mesmo porto.... Adeus Padre, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque sei que tu eras confessor da minha mulher e, portanto, vais tratar bem dela…
E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...

Adeus António, nunca gostei muito de ti... Tu sabes que nunca gostei muito de ti... Fico danado porque vou morrer hoje, ao passo que tu ficas aí vivinho, e mais rijo que o fastio... Adeus António, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque, visto que eras o amante dela, sei que cuidarás bem da minha mulher...
E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...

Adeus minha mulher, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Mas, vou tomar este comboio com destino ao Bom Deus... Este comboio é antes do teu, mas, cada um toma o comboio que pode. Adeus minha mulher, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com os olhos fechados, mulher, porque por ti, tive-os fechados muitas vezes, e eu sei que tu vais cuidar da minha alma...
E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, e quero que dancem quando me meterem lá na cova...



sábado, 19 de setembro de 2009

JACQUES BREL - THE RAGE TO LIVE

Das Edições Jacques Brel recebi esta informação e o cartaz que se segue. Consultando o programa da peça pode ler-se:

JACQUES BREL – A FÚRIA DE VIVER
É uma peça de teatro para um actor e com 15 canções. Tem uma hora e um quarto de duração e o actor em cena conta a história de Brel – os seus primeiros sucessos, a sua breve passagem pelo teatro musical, os seus tempos de actor e realizador de cinema, o seu desejo obsessivo de solidão que conseguia no prazer de voar pilotando o seu avião Jojo ou velejando no Askoy, a sua vida sentimental atribulada, tanto com a família como com outras mulheres, a sua tempestuosa relação com Deus e a sua grande ternura por Hiva Oa, a remota ilha do Pacífico onde eventualmente encontrou a paz.
Ao narrar esta história o actor ANTHONY CABLE e o cantor JACQUES BREL fundem-se imperceptivelmente um no outro.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

GENUÍNO MADRUGA EM HIVA OA (2)

Genuíno Madruga


EXCERTO DE UMA NOTÍCIA DO SEMANÁRIO TRIBUNA DAS ILHAS
do dia 02 de Maio de 2008.

Genuíno Madruga chegou finalmente à ilha de Hiva Oa, no arquipélago das Marquesas

Pouco passava das 18 horas (2 horas da manhã nos Açores) do dia 23 de Abril quando Genuíno Madruga aportou nas ilhas Marquesas após 20 dias de navegação solitária. O navegador açoriano teve de manobrar para abrigar o seu veleiro Hemingway no porto de Hiva Oa repleto de outras embarcações de aventureiros que cruzam o oceano Pacífico em busca destas ilhas paradisíacas da Polinésia Francesa.
É a segunda vez que Genuíno Madruga visita Hiva Oa (também aqui passou na sua primeira volta ao mundo em 2002) . Nesta ilha vai visitar a última morada do pintor Paul Gauguin e do cantor Jacques Brel. O velejador portuguêsleva consigo uma placa especialmente gravada para esta ocasião.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

GENUÍNO MADRUGA EM HIVA OA

Genuíno Madruga esteve em 2008 nas Ilhas Marquesas e visitou o túmulo de Jacques Brel em Hiva Oa. Foi portador de uma placa concebida pelo PETER Café Sport, da Horta, que desta maneira quis homenagear o cantor 30 anos de pois da sua morte, e 34 anos anos depois de ter sido cliente daquele espaço mítico.
E vou dar-vos a conhecer uma mensagem, acompanhada de fotografia, que recebi do famoso velejador solitário faialense após aquela passagem pela Polinésia.

Caro amigo Sérgio Luís
Acabo de chegar a Huahine, quase ilha encantada de boas gentes, no coração da Polinésia.
A placa em cobre, que coloquei, colada com silicone, na campa do nosso inesquecível Brel, lá estará certamente durante muitos anos salvo se algum pirata por lá aparecer! Todavia em Hiva Oa há um hangar construído propositadamente junto ao Espaço Cultural Paul Gauguin que, para além do JOJO esta devidamente decorado com muita informação acerca da vida e obra de J. Brel, compositor, interprete, actor, marinheiro e homem de nobre coração. Quando lá entrei, foi como se de repente tivesse o tempo recuado ate aos anos 60 quando deliciados escutávamos as canções do grande Brel. Ao olhar ao meu redor, escutando dans le port d’Amesterdam....quase que era capaz de afirmar que J.Brel estava mesmo ali! Fiquei extasiado!!!
Como nota final posso dizer-lhe que os poucos habitantes daquela ilha souberam preservar o legado de Jaques Brel e de Gauguin.
Desde Huahine, com um abraço do amigo
Genuino Madruga


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

JACQUES BREL NA ILHA DO FAIAL

Jacques Brel , o mais francês dos cantores belgas, ou mais belga dos cantores franceses, passou pela Horta em Setembro de 1974.
É sobre essa curta estada que eu vos vou falar.
Brel Esteve nos Açores, não na qualidade de cantor, mas, na de iatista. Em Fevereiro daquele ano, ele tinha comprado um veleiro com a intenção de dar a volta ao mundo em 3 anos. Em 24 de Julho partiu de Anvers, na Bélgica, escalou as ilhas Scily , no sul da Inglaterra, e no primeiro dia do mês de Setembro ancorou o seu barco, de nome Askoy, na baía da Horta.
Acabado de chegar, recebe de Paris a notícia que o seu grande amigo Jacques Pasquier (Jojo) falecera vítima de cancro. Brel segue de imediato no navio Ponta Delgada para a ilha Terceira, e de lá apanha um avião para Paris, para assistir ao funeral do amigo no dia 3 de Setembro.
Entretanto, na Horta, ficam a filha France Brel e a amiga do cantor, Maddly Bammy, a tomar conta do barco.
Brel regressa dias depois aos Açores, no avião particular de um amigo que lhe deu uma boleia até ao Faial. Mas, regressa adoentado, e consegue que o Doutor Luís Decq Mota, médico de ascendência belga, o vá ver a bordo do Askoy. Trata-se de uma gripe.
Porém, estabelece-se uma amizade entre os dois homens, e Jacques Brel acaba por passear pela ilha do Faial na companhia da família Decq Mota.


Visita a oficina do artesão de scrimshaw Oton da Silveira e frequenta o Café Peter.
Deixa o Porto da Horta a 18 de Setembro, rumo à Madeira, e depois atravessa o Atlântico com destino ao Canal do Panamá.
Entretanto, o que se pensava ser uma gripe, piorou, e obrigou o cantor a regressar à Europa. Em Paris foi-lhe detectado um tumor num pulmão.
Brel já não fez a volta ao mundo. Depois de operado, retomou a viagem marítima e levou o Askoy até às Ilhas Marquesas, em pleno Oceano Pacífico. Lá, viveu mais 4 anos, e acabou por falecer em Outubro de 1978. O seu corpo jaz ao lado do de Gauguin, numa das ilhas daquele arquipélago.
Brel, quando deixou os palcos, com 38 anos de idade e no apogeu da fama, fê-lo porque não queria envelhecer à frente do público e porque não se queria tornar no velho cantor cabotino que é aplaudido por deferência. Quando, com 45 anos de idade, se meteu num barco para dar a volta ao mundo, fê-lo para estar muito longe dos oportunistas, dos falsos amigos e dos jornalistas, que não o deixavam em paz. Depois de uma vida de trabalho intenso e esgotante, Brel só buscava o sossego e o isolamento. Como a doença lhe interrompeu o sonho da circum-navegação, optou por ficar a viver numa distante ilha do Oceano Pacífico, onde ninguém o conhecia.
Jacques Brel só não ficou na Horta porque estava demasiado perto da Europa.
No Faial corria o risco de perder a privacidade que ele procurava desesperadamente.

Nota: Fotografia cedida por Filomeno Bicudo