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terça-feira, 25 de outubro de 2011

BREL NO JAPÃO




Da Fundação JACQUES BREL recebi a informação que uma estação de Rádio japonesa entrevistou France Brel, no passado dia 15, sobre o último disco do seu pai – MARQUISES .
A entrevista está AQUI neste site e pode ser entendida porque está traduzida para francês. (Os primeiros 5 minutos são sobre o pintor Toulouse Lautrec. O produtor do programa poderia ter falado sobre Gauguin, em vez de Lautrec. Vinha mais a propósito...)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SANS EXIGENCES

SANS EXIGENCES é a uma das cinco canções gravadas em 1977 mas que não foram incluídas no álbum Marquises. Segundo Gilles Verlant, em Novembro desse ano, Eddie Barclay confirmou a BREL, por escrito, que respeitou as suas instruções : Os cinco títulos não deveriam figurar no novo disco, a não ser que ele recebesse outras instruções. Não se tratam, portanto, de maquetas, mas de produções prontas a editar. Talvez Brel pensasse gravar um disco no ano seguinte e já estava a reservar canções para o preencher.

SEM EXIGÊNCIAS (1977)

Eu não era mais que o seu amante, vivia bem de tempos em tempos, mas aos poucos, cada vez menos. Maldizia a minha última oportunidade ao longo da sua indiferença. Eu queria ser a minha única testemunha mas faltava-me o descaramento, porque, vendo-me sem exigências, ela acreditava que não me faltava nada…

Eu protegia os seus menores passos, e passava discretamente. Eu descobri a maneira de viver a minha solidão, a dois. Depois tornei-me o seu hábito, e tornei-me no outro que chega quando ela regressa, e vendo-me sem exigências, ela acreditava que não me faltava nada…

A água quente nunca mordeu, mas só nos resta banharmo-nos nela. E a ela só lhe resta, cada vez mais, arrefecer e censurar-nos que já não há sol suficientel. A água quente à água quente é parecida. Ela confunde fraqueza com paciência e vendo-me sem exigências, ela queria-me sem mistérios…

Se sofria a sós, sofria a dois e cheguei a rezar a Deus. Mas sabemos que ele é demasiado velho e que já não é senhor de coisa alguma. E foi preciso ser arrogante, se bem que tremendo de indulgência, para o meu coração não ousar levantar a mão… Vendo-me sem exigências ela acreditava que não me faltava nada…

E ela partiu como partem esses pássaros que descobrimos, depois de termos amado vê-los saltitar, no dia em que as suas asas se abrem, que eles se aborreciam entre as nossas mãos. Ela partiu como se fosse de férias e o céu, desde então, ficou um pouco mais carregado. Eu morro de indiferença e ela crê que se cobre de amor.


Sans Exigences é ilustrada neste video com imagens do filme L'EMMERDEUR.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

BREL GENUÍNO





GENUÍNO MADRUGA conheceu JACQUES BREL em Setembro de 1974 quando o cantor passou por aqui, pela ilha do Faial. E nunca mais esqueceu esse encontro.
Nas duas voltas ao mundo, velejando sozinho no seu Hemingway (2002 e 2009), Genuíno Madruga fez questão de passar pela Ilha de Hiva Oa, nas Marquesas, e foi visitar o túmulo onde jaz o homem a quem ele apertou a mão, ali no Peter, há quase 36 anos.
E falar aqui de Genuíno Madruga? Pensei nisso. Mas desisti. Acho que o leitor ficará melhor informado se navegar no excelente site do nosso pescador/velejador. AQUI.



Os meus agradecimentos ao Nuno Costa Santos pela cedência deste video.

domingo, 8 de novembro de 2009

LES MARQUISES



No início do ano de 1974, Jacques Brel comprou um iate – Askoy - com a intenção de dar a volta ao mundo. Em Agosto fez-se ao mar. Passou pela Horta em Setembro, e depois várias escalas forçadas, devido à doença que já se manifestava, atravessou o oceano Pacífico, e aportou a HIVA AO em Novembro de 1975. Brel acabou por ficar até ao resto dos seus dias nas ilhas Marquesas. Já não terminou a volta ao mundo como era o seu desejo.
Porquê as ilhas Marquesas? Porque estavam suficientemente longe da Europa. Brel não suportava os jornalistas, os oportunistas e os falsos amigos que o perseguiam como abutres. Ele queria a sua privacidade, custasse o que custasse. A distância foi a solução. Jacques Brel não ficou na Horta porque estava demasiado perto da Europa.
A canção Les Marquises foi gravada em 1977, em Paris, e Jacques Brel viria a morrer um ano depois.

AS ILHAS MARQUESAS

Eles falam da morte como tu falas de um fruto, eles olham o mar como tu olhas um poço...
As mulheres são sensuais debaixo do temível sol, e se lá não há Inverno, aquilo também não é Verão...
A chuva é transversal e bate grão a grão... Alguns velhos cavalos brancos sussurram Gauguin...
E por falta de brisa, o tempo imobiliza-se nas ilhas Marquesas...

À noite, erguem-se os fogos e recantos de silêncio que se vão alargando enquanto a lua avança...
E o mar despedaça-se infinitamente destroçado pelos rochedos que imploram nomes sem sentido... E depois, mais longe, os cães, os prantos de arrependimento, e alguns pares, e alguns passos de dança...
E a noite é submissa, e o vento alísio estala nas ilhas Marquesas...

O riso está nos corações e a palavra está nos olhares, o coração é viajante e o futuro é um acaso... E passam os coqueiros que escrevem cânticos de amor e que as freiras dos arredores fazem por ignorar... As pirogas vão, as pirogas vêm, e as minhas recordações serão aquilo que os velhos fizerem… Deixa-me dizer-te que lastimar não é uma maneira de estar nas ilhas Marquesas...