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quinta-feira, 4 de março de 2010

MARIEKE

Ainda sobre a opinião que Brel tinha sobre os belgas flamengos, que ele alcunhava de flamenguentos, registe-se mais esta opinião extremista e provocadora: ”O flamengo é um francês tosco... o flamenguento é um alemão frouxo, e a língua flamenga... rococó !”
A canção Marieke é a única da sua obra cantada nas duas línguas – francês e flamengo - apesar de que o flamengo que ele usou para a cantar estar deturpado e caricaturado.

Marieke (1961)

Ai, Marieke, Marieke, amei-te tanto entre as torres de Bruges e Gand.
Ai, Marieke, Marieke, já foi há tanto tempo, entre as torres de Bruges e Gand...
Sem amor, ardente amor, sopra o vento, o vento calado
Sem amor, ardente amor, chora o mar, o mar cinzento
Sem amor, ardente amor, investe a luz, a luz sombria
E a areia varre a minha terra, a minha terra plana, a minha Flandres…
Ai, Marieke, Marieke, os céus flamengos têm as cores das torres de Bruges e Gand...
Ai, Marieke, Marieke, os céus flamengos choram comigo entre Bruges e Gand....
Sem amor, ardente amor, sopra o vento, acabou
Sem amor, ardente amor, chora o mar, está acabado
Sem amor, ardente amor, investe a luz, está tudo terminado
E a areia varre a minha terra, a minha terra plana, a minha Flandres…
Sem amor, ardente amor, ri-se o diabo, o negro diabo...
Sem amor, ardente amor, arde o meu coração, o meu velho coração...
Sem amor, ardente amor, morre o Verão, o Verão triste…
E a areia varre a minha terra, a minha terra plana, a minha Flandres…
Ai, Marieke, Marieke, dá-me esse tempo, entre Bruges e Gand… Dá-me esse tempo em que tu me amaste entre Bruges e Gand...
Ai, Marieke, Marieke, a noite muitas vezes entre as torres de Bruges e Gand...
Todos os lagos me estendem os seus braços, entre Bruges e Gand...


domingo, 25 de outubro de 2009

MON PÈRE DISAIT

Os espectáculos de Jacques Brel tinham a duração de aproximadamente uma hora. Entre as canções Brel interrompia os aplausos do público para iniciar a canção seguinte. Não havia explicações, conversas, anedotas, comentários para entreter, falsas intimidades com o público – fraquinho tão comum de muitas estrelas da cena internacional. Quando Brel apresentava os músicos, o público já sabia que a próxima canção seria a última canção do espectáculo. Depois, não havia falsas saídas, não havia “encores”… Para justificar esta atitude, Brel dizia “ já alguma vez viram um actor de teatro regressar ao palco para repetir uma cena ou um acto da peça que esteve a representar?”

O MEU PAI DIZIA (1967)

O meu pai dizia “É o vento do Norte que faz rachar os diques em Scheveningen, em Scheveningen, rapaz... É tão forte que já ninguém sabe quem navega, se o mar do Norte, se os diques... É o vento do Norte que trespassa os olhos dos homens do norte, velhos ou novos, para fazer cantar as catadupas de azul vindas do norte para o fundo dos seus olhos...”

O meu pai dizia “É o vento do Norte que faz girar a Terra à volta de Bruges, à volta de Bruges, rapaz... É o vento do Norte que tem torneado a Terra em torno das torres de Bruges e que faz com que as nossas raparigas tenham esse olhar tranquilo de velhas cidades... Que faz com que as nossas beldades tenham o cabelo tão frágil como as nossas rendas... Como as nossas rendas”…

O meu dizia “ É o vento do Norte que faz estalar a Terra entre a Bélgica, rapaz, entre a Bélgica e a Inglaterra... E Londres já não é como antes do dilúvio, o lugar de Bruges... Tirando o mar, Londres não é mais que os arredores de Bruges perdidos no mar... Perdidos no mar”…

O meu pai dizia “ É o vento do Norte que levará para a terra o meu corpo sem alma e sem raiva... É o vento do Norte que levará para a terra o meu corpo sem alma em frente ao mar... É o vento do Norte que me fará Capitão de um quebra-mar ou de uma baleia... É o vento do Norte que me fará Capitão de um quebra-lágrimas, para aqueles que eu amo...”