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sábado, 4 de fevereiro de 2012

ASKOY



Ao longo dos dois anos e meio deste blog já falei aqui várias vezes das peripécias à volta da recuperação do ASKOY, o barco que levou JACQUES BREL até às ilhas Marquesas (oceano Pacífico) com passagem pelos Açores.
Os irmãos Staf e Piet Wittevrongel, velejadores belgas, conseguiram adquirir os direitos de propriedade do Askoy que estava encalhado numa praia da Nova Zelândia. O barco foi transportado em 2008 para o porto de Ostende, na Bélgica, de onde tinha partido em 1974. O custo desta operação foi de 64.000€.
Neste momento o casco já está totalmente reparado e os interiores já começaram a ser restaurados. Os novos proprietários tencionam participar na Route de l'Amitié, em 2015, com este iate lendário.

Mais informação sobre este assunto pode ser vista AQUI.

A CATEDRAL

Peguem numa catedral e ponham-lhe alguns mastros, um gurupés, uns amplos porões, cabos, tirantes. Peguem numa catedral esguia e alta e de bojo largo, uma catedral a erigir com estais e velas mestras. Uma catedral de Picardia ou da Flandres, uma catedral à venda por padres sem estrela. Essa catedral de pedra, que será “desnossosenhorizada”, arrastem-na para aqui, onde o mar vem florir. Icem os panos com alegria e zarpem para Inglaterra…
A Inglaterra é bonita de se ver do alto de uma catedral, mesmo que o chá faça chover alguns aborrecimentos sobre as escalas… As Cornualhas estão ali à mão quando elas dão à luz do dia, e nós vogamos entre a ternura e o amor. Peguem numa catedral e ponham-lhe alguns mastros, um gurupés e uns amplos porões, mas não acordem. Desenrolem todos os panos, e “ala bote” marujos.
Cacem os cachalotes que vos guiarão aos Açores, e depois à Madeira com as suas raparigas canarinas e o oceano, que alegre, vos empurrará até às Antilhas… Peguem uma catedral, icem o pavilhão pequeno e façam cantar as velas, mas não acordem…
Porra, as Antilhas são lindas. Elas estalam-te na boca. A gente deitava-se bem sobre elas… Mas vamos para diante porque todos os sinos tocam a rebate… A vossa catedral vai a todo o pano e trespassará o canal do Panamá… Peguem numa catedral de Picardia ou de Artois, partam para ir colher as estrelas, mas não acordem…
E eis o Pacífico. Longas vagas que rolam ao vento e murmuram a sua música até às ilhas mesmo ali à frente, e que vos perdoarão, lá, melhor que noutro sítio qualquer, se vocês quiserem desaparecer entre as flores. Peguem numa catedral, icem o pavilhão pequeno e façam cantar as velas, mas não acordem…Peguem numa catedral de Picardia ou de Artois e partam para ir colher as estrelas, mas não acordem…
Arrastem esta catedral de pedra através da floresta até onde o mar vem florir, mas não acordem… Mas não acordem…


domingo, 18 de abril de 2010

L'OSTENDAISE



Um dia perguntaram a Jacques Brel se preferia ser músico ou poeta. Ele respondeu que gostaria de ter escrito quartetos de cordas, mas, por outro lado, também gostaria de ter escrito poesia ou romances. Assim, ficou-se pelo meio-termo e pôs-se a escrever canções o que lhe permitiu não ficar zangado nem com a música nem com a escrita. “Não fiquei a lamentar-me o resto da vida por ter falhado. Por não ter escrito um quarteto de cordas ou por não ter escrito um grande romance”.
Ostendaise é uma mulher de Ostende, porto belga no Mar do Norte.

A Ostendesa (1968)

Uma Ostendesa chora na sua cadeira; o gato sopesa o peso do seu amor... Em silêncio a sua tristeza dança, e os velhos pensam, cada um à sua maneira... Na cozinha, algumas vizinhas falam da China e de um regresso... Em Singapura, uma javanesa tornou-se cunhada da Ostendesa...

Há duas espécies de tempo... Há o tempo em que se espera e o tempo em que se tem esperança... Há duas espécies de gente, há os vivos e aqueles que andam lá no mar...

A nossa Ostendesa, que nada sossega, de cadeira em cadeira, leva a sua ofensa... Algumas comadres, alguns compadres, batem o ferro da sua ruptura... O seu capitão, com a pança cheia de cerveja, toca tambor... Homem de velas, homem de estrelas, faz escala para um desvio...

Há duas espécies de tempo... Há o tempo em que se espera e o tempo em que se tem esperança... Há duas espécies de gente, há os vivos e aqueles que andam lá no mar...

A nossa Ostendesa, no tempo dos morangos, faz-se amante de um farmacêutico... O seu capitão, morto debaixo da pança, diverte-se com as baleias e com os submarinos. Porque, minha querida, eu, o falso marujo que o tempo obriga a escrever-te de longe, amo-te mesmo. E amo-te tanto que tenho medo , minha rainha, dum farmacêutico...

Há duas espécies de tempo... Há o tempo em que se espera e o tempo em que se tem esperança... Há duas espécies de gente, há os vivos e aqueles que andam lá no mar...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ASKOY NA TELEVISÃO BELGA

Na próxima segunda feira, 14, às 20h40m, na TV1, transmissão da reportagem sobre a recuperação do Askoy na série “Un simple plan”

Pieter Wittevrongel e os seus colaboradores, dois irmãos de Blankengerge, planearam a recuperação do Askoy encalhado nos mares da Nova Zelândia. Trata-se do barco em que Jacques Brel navegou até às ilhas Marquesas em 1974.


Actualmente, o Askoy encontra-se ilegal,”sem papeis”, em Ostende, aguardando um acordo com a Região flamenga para lhe atribuir um lugar a oeste da cidade de Blankenberge, estação balnear da Costa Belga. A ideia é construir um museu consagrado à herança marítima onde estará presente a memória de Jacques Brel.
Para tal é essencial a restauração do Askoy.