Mostrar mensagens com a etiqueta Ces gens-lá. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ces gens-lá. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de abril de 2012

JANN HALEXANDER


JANN HALEXANDER (1982) é um cantor franco-gabonês. É músico também - toca piano - é actor e produtor. Em 2004 laça um CD com 3 títulos  intitulado L’Ombre Mauve. Ainda nesse ano lança outro CD de 4 faixas  intitulado Brasilach 1945…
Muitos mais dados sobre a vida artística e pessoal podem ser consultados AQUI no seu site.
Depois de vender milhares de disques e DVD, uma centena de espectáculos dados em França, Bélgica e Alemanha, Jann Halexander pôs à venda o seu novo CD  'Tristes Tropiques' , um recital que toca a alegria, o humor, a paixão e a melancolia, acompanhado pelo Duo de Coristas CHOKOLA.
Jann Halexander canta neste CD “CES GENS-LÀ” de JACQUES BREL.
Neste vídeo ele interpreta "A Table" , no Centro Cultural  de Caen, segundo ele uma canção  de homenagem a Ces Gens-là de Jacques Brel...

A Table

Les dîners en famille, c'est beau comme un dimanche
Si ce n'est que personne n'apprécie le dimanche
Affronter des regards, les on-dit, les reproches,
Le grand-père qui nous dit "y a quelque chose qui cloche"

Je cherche et trouve l'anguille sous roche,

De la raison, moi, je décroche
Je n'en peux plus de la famille
Je sens que tout ça part en vrille

Il va falloir se dire tout ça à table, à table

On va bouffer d'la vérité à table, à table

Le saumon est dégeu, le vin est bouchonné

La télé est éteinte au lieu d'être allumée
Moi qui rêvais de drames, ceux des autres, pas les miens,
C'est foutu pour ce soir, j'en ai la gueule de chien

Les yeux perdus dans mon assiette
Et mon bonheur n'est qu'amas de miettes
Un crumble froid, je voudrais être sourd,
Pour me sauver, je songe à l'amour

Les couverts étaient en croix quand on est arrivé
J'en déduis que grand-mère ne doit pas nous aimer,
A sa place, je comprends, elle est à la retraite
"Dégagez les enfants, mon devoir de mère s'arrête !"

Grand-mère, Grand-mère, ne désespère pas !
On est deux à haïr ces repas
On n'en peut plus de la famille
On voit que tout ça part en vrille

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ANIMA



Segundo informação das EDIÇÕES Jacques Brel, de 4 a 13 de Março realiza-se em Flagey, Bruxelas, a 30ª edição do festival de animação ANIMA.
No programa estão 118 curtas metragens e 9 longas metragens em competição, 3 longas metragens extra concurso, 9 retrospectivas e 9 sessões com convidados especiais.

No dia 7 às 18 horas será exibida a curta metragem RÉTROGRADE, de Bram Algoed, que tem a canção CES GENS-LÁ, de Brel, na sua banda sonora.

Como esta curta ainda não existe no youtube, aqui fica outra do mesmo autor. Chama-se BLUE e conquistou o 1º lugar no festival “FILMES DE 1 MINUTO/2009”, realizado também na Bélgica.
Uma das regras deste festival é que a banda sonora tem de ser tão eficaz como a imagem.

domingo, 4 de julho de 2010

ESSA GENTE do teatro

ESSA GENTE

Em primeiro lugar está o mais alto, aquele que é bastante magro, que tem o cabelo grande, aquele que é melancómico... Ó pá, o que ele escreve... Aquilo é que é dar ao dedo! Ele e o seu caderninho de notas, aforismos e vislumbres... E se à noite se encharca de jornalismo, ficcionismo e humorisimo, de dia é vê-lo nas aulas de escrita criativa nas Produções Fictícias...
É preciso dizer meus senhores que nas Produções Fictícias não se brinca em serviço, meus senhores, não se brinca em serviço... trabalha-se!

E depois há o outro... o do cabelo curto, mas já a dar p’ro grizalho... Aquele que é alentejano e tem um talento maior que ele. Aquele que é actor de teatro há uma porrada de anos mas que ficou muito mais conhecido depois de entrar nos CONTEMPORÂNEOS. E ele está na IMDB e na Wikipedia. Mas não gosta de se dar ares... É modesto e trabalha com afinco e profissionalismo.
É preciso dizer, meus senhores, que em casa deste alentejano não se intruja, meus senhores, não se intruja... trabalha-se com honestidade!

E depois há os outros... A Inês que docemente controla as despesas e põe ordem na casa... O Sérgio que é um sonoplasta meticuloso que fala à grandalhão e que está sempre a dizer ... Meu isto... meu aquilo... E há o Paulo, sereno mas observador, com um olho clínico para a edição de imagens... E o Feliciano que faz desenhos com a luz como quem pinta uma tela de emoções... E também o João que inventa cenários para enfeitar a nossa imaginação.
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente não se perde tempo, meus senhores, não se perde tempo... trabalha-se com competência...

E depois... e depois há o BREL, e as canções que ele fez, e a vida que ele viveu, e a sua passagem pelos Açores e os dias em que esteve no Faial. Dizemos muitas vezes que Brel morreu vai para 32 anos, mas eu tenho a certeza que o vi ontem no palco do Teatro Faialense... e quem o trouxe ao palco foi ESSA GENTE... o NUNO, o DINARTE e os outros... E não fui só eu que vi JACQUES BREL no palco. Mais pessoas que estiveram lá no teatro Faialense me vieram dizer a mesma coisa.
E então, por um instante, eu acredito nisso, meus senhores, por um instante, um instante somente... porque desta ilha, meus senhores ninguém sai, ninguém sai...
Mas está a fazer-se tarde, meus senhores, são horas de eu ir à doca e certificar-me que o Askoy já partiu rumo ao Pacífico.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

CES GENS-LÁ

Na canção CES GENS-LÁ tudo é sombrio e frio (até a sopa). Excepto Frida, a rapariga jovem, que é bela como um sol e que ama a vida. Mas toda a família se opõe à intromissão do amor no seu seio… Repare-se na orquestração que acentua a gravidade e a rigidez desta família… e da situação criada por um intruso.

ESSA GENTE
Em primeiro lugar está o mais velho, aquele que parece um melão, que tem um nariz grande, aquele que já nem o seu nome sabe... Ó homem, o que ele bebe… E o que ele bebeu, de tal modo que não faz nada com aqueles dez dedos... Mas ele, que já não pode com ele, que está completamente despachado, e que se toma pelo rei... que todas as noites se encharca em carrascão mas, mas que na manhã seguinte, lá está na igreja adormecida, teso que nem um barrote, branco como um círio de Páscoa. Depois balbucia com um olhar vago...
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente não se pensa, meus senhores, não se pensa... Reza-se...

E depois há o outro... Aquele que tem cenouras nos cabelos e que jamais viu um pente... Aquele que é mau como a sarna, mesmo que dê a camisa a um pobre. Aquele que casou com a Denise, uma rapariga da cidade, quer dizer, de uma outra cidade, e que ainda não está xexé... Tem os seus pequenos negócios... Tem um chapelinho, tem um casaquinho, tem o seu carrinho... Gosta muito de dar ares, mas não tem ar de coisa nenhuma... Não se pode brincar aos ricos quando não se tem um tostão na algibeira...
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente não se vive, meus senhores, não se vive... Intruja-se...

E depois, há os outros... A mãe que não diz nada, e mesmo que diga não importa... Sempre presente, debaixo da sua cara de apóstolo, fechado na sua moldura de madeira, está o bigode do pai que morreu de uma escorregadela. Agora observa o seu rebanho a empanturrar-se de sopa fria e a fazer grandes chhhhhluuup... a fazer grandes chhhhhhluuuup...
E também está lá aquela muito velhinha, que não pára de estremecer, e todos esperam que rebente visto que é ela que tem uns patacos... Mas ninguém liga nenhuma ao que aquelas pobres mãos contam...
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente, não se conversa, meus senhores, não se conversa... Fazem-se contas...

E depois, e depois há a Frida, que é bela como o sol, e que me ama tanto como eu a amo a ela... Dizemos muitas vezes que havemos de ter uma casa com montes de janelas, e quase sem paredes, e que havemos de lá viver... Será tão bom lá viver... Bem, se isto não é certo, pelo menos, é quase certo. Porque os outros não querem, os outros não querem... Os outros dizem que ela é demasiado linda para mim e que eu só sirvo para esfolar gatos... Eu nunca matei gatos, ou então, se foi, foi há muito tempo, ou então já me esqueci, ou eles cheiravam mal... Enfim, eles não querem... Estão contra.
Às vezes, quando nos encontramos, fingindo que é por acaso, com os olhos molhados ela diz que partirá, e que me seguirá... Então, por um instante, por um instante somente, eu acredito nela, meus senhores, por um instante, um instante somente...
Porque de casa desta gente, meus senhores, ninguém sai, ninguém sai...
Mas está a fazer-se tarde, senhores, são horas de eu regressar a minha casa...