O SEGUINTE (1964)
Na canção que publico hoje, Au suivant, Brel monta uma cena conhecida por quem já foi à tropa. O dia da inspecção. Uma fila de homens nus aguarda a sua vez para receber o visto de entrada no exército. Para Jacques Brel o exército mata o gosto de viver e de amar. Fabrica, com os seus mitos de virilidade, os batalhões de impotentes. O comandante deste exército é representado por um “sargento com mau hálito”, tacanho e grosseiro, que gostaria de transformar o mundo numa enorme caserna, e que, enquanto espera por esse dia, ensina os jovens a “serem homens”.
O seguinte, o seguinte... Todo nu, enrolado numa toalha a fingir de tanga, eu tinha o rubor nas faces e o sabão na mão... O seguinte, o seguinte... Tinha precisamente vinte anos e éramos cento e vinte a ser o seguinte daquele que seguíamos... O seguinte, o seguinte... Tinha precisamente vinte anos e estava-me ali a desemburrar no bordel ambulante de um exército em campanha.
E eu que só queria um pouco mais de ternura, ou talvez um sorriso, ou quem sabe simplesmente ter tempo, mas... O seguinte, o seguinte! Não foi Waterloo, não, não, muito menos Arcole... Foi o ter faltado à escola que nestas alturas a gente se lamenta, o seguinte, o seguinte! Depois de escutar este sargento da trampa, não admira que se façam exércitos de impotentes... O seguinte, o seguinte...
Eu juro sobre a cabeça do meu primeiro esquentamento que esta voz que eu oiço a todo o momento, esta voz que cheira a alho, e a bagaço, é a voz das nações, é a voz do sangue, o seguinte, o seguinte... E agora, cada mulher, na hora de sucumbir entre os meus magríssimos braços parece dizer-me ao ouvido... o seguinte, o seguinte...
“Todos os seguintes do mundo deveriam dar as mãos...” Durante a noite sonho isto nos meus delírios, e quando não deliro chego à conclusão que é mais humilhante ser seguido, que ser o seguinte... Um dia vou fazer de aleijado, de freira ou de pedinte, enfim, uma dessas tretas, e não serei jamais... O seguinte, o seguinte....
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
25 ANOS DEPOIS...
Em 1999, 25 anos depois da passagem de Jacques Brel pela ilha do Faial, apresentei à RTP Açores um projecto para um programa de televisão sobre aquele acontecimento. Pedi a colaboração do meu amigo Victor Rui Dores para escrever um texto e depois, sobre este texto, idealizámos e realizámos o programa.
Fizemos uma ante-estreia a 6 de Setembro, no Café Peter, para amigos, colaboradores e fãs de Brel e 4 dias depois a RTP/A transmitiu o programa. Tinha a duração de 25 minutos e chamava-se "BREL NO PORTO DA HORTA".

Sobre o programa "BREL NO PORTO DA HORTA" voltarei a publicar nos próximos dias mais factos.
Fizemos uma ante-estreia a 6 de Setembro, no Café Peter, para amigos, colaboradores e fãs de Brel e 4 dias depois a RTP/A transmitiu o programa. Tinha a duração de 25 minutos e chamava-se "BREL NO PORTO DA HORTA".

Sobre o programa "BREL NO PORTO DA HORTA" voltarei a publicar nos próximos dias mais factos.
domingo, 4 de outubro de 2009
LA QUÊTE - L'HOMME DE LA MANCHA
Jacques Brel fez em 1968 a adaptação para francês de "O homem da Mancha", espectáculo de Dale Wasserman baseado em "D.Quixote", de Cervantes, que esteve vários anos em cena na Broadway. Brel é o próprio D.Quixote de la Mancha. A estreia é a 4 de Outubro de 1968 (faz hoje, portanto, 41 anos), em Bruxelas, mas Dário Moreno, o cantor francês que faz de Sancho Pança, morre a 30 de Novembro. É substituído por outro cantor, mas Brel fica destroçado. No entanto, o espectáculo volta a estrear em Paris a 11 de Dezembro, no teatro dos Campos Elísios. A canção "La quête" é deste espectáculo. Apenas o texto é de Brel. A música é de Mitch Leigh. Em inglês esta canção chama-se "The impossible dream" e é interpretada por inúmeros cantores em todo o mundo.
A DEMANDA
Sonhar um sonho impossível, carregar a tristeza das partidas, arder numa qualquer febre, partir para onde ninguém parte…
Amar até à ruptura. Amar, mesmo demais, mesmo mal... Tentar, sem força e sem armadura, alcançar a estrela inacessível... Esta é a minha demanda. Seguir a estrela!
Pouco me importa a minha sorte, pouco me importa o tempo ou o desespero... Há que lutar sempre, sem perguntas nem descanso… Que se lixe o ouro que há numa palavra de amor... Não sei se serei esse herói, mas o meu coração ficará tranquilo…
E as cidades ficarão estupefactas, porque um infeliz arde ainda, depois de já ter ardido, arde ainda, mesmo demasiado, mesmo mal, para alcançar, destroçado, a estrela inacessível...
A DEMANDA
Sonhar um sonho impossível, carregar a tristeza das partidas, arder numa qualquer febre, partir para onde ninguém parte…
Amar até à ruptura. Amar, mesmo demais, mesmo mal... Tentar, sem força e sem armadura, alcançar a estrela inacessível... Esta é a minha demanda. Seguir a estrela!
Pouco me importa a minha sorte, pouco me importa o tempo ou o desespero... Há que lutar sempre, sem perguntas nem descanso… Que se lixe o ouro que há numa palavra de amor... Não sei se serei esse herói, mas o meu coração ficará tranquilo…
E as cidades ficarão estupefactas, porque um infeliz arde ainda, depois de já ter ardido, arde ainda, mesmo demasiado, mesmo mal, para alcançar, destroçado, a estrela inacessível...
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sábado, 3 de outubro de 2009
JEAN CORTI
Outro grande colaborador de Jacques Brel foi JEAN CORTI. Um acordeonista que colaborou activamente com o cantor, não só como acompanhante mas também como compositor.
Recebi das Edições Jacques Brel o anúncio de mais um disco deste acordeonista onde são interpretadas algumas canções do cantor belga.

Corti, neste video, toca um excerto Madeleine.
Recebi das Edições Jacques Brel o anúncio de mais um disco deste acordeonista onde são interpretadas algumas canções do cantor belga.

Corti, neste video, toca um excerto Madeleine.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
LES BIGOTES
AS BEATAS (1962)
Elas envelhecem num passinho miudinho, de cãezinhos em gatinhos... As beatas!
Elas envelhecem tanto mais depressa como confundem o amor com água benta... Como todas as beatas!
Se eu fosse o diabo, ao vê-las passar, acho que me faria castrar... Se eu fosse Deus, ao vê-las rezar, acho que ia perder toda a minha fé, graças às beatas...
Elas vão na procissão num passinho miudinho, de água benta em água benta... As beatas...
E tagarelam, patati, patata... E as minhas orelhas começam a assobiar... As beatas.
Vestidas de negro, como o senhor padre, que é muito bom para todas as criaturas, elas embeatam-se pondo os olhos no chão como se Deus dormisse sob os seus sapatos de beata...
No Sábado à noite, depois do trabalho, encontra-se o operário parisiense... Mas, beatas NÃO!
Porque é fechadas em casa que elas se protegem daquela rapaziada... As beatas,
que preferem encarquilhar-se de novena em novena e de rosário em rosário e orgulharem-se de terem podido conservar aquele diamante que lhes dorme entre as n...(adegas) de beata...
Depois, elas morrem num passinho miúdo, como uma chamazinha, aos montinhos, as beatas, que cemiteriam num passinho miúdo, de manhãzinha, com friozinho, as beatas.
E lá no céu que não existe, os anjos fazem à pressa um paraíso só para elas. Fazem-lhes uma auréola e duas asas, e elas levantam voo no seu passinho miudinho de beata...
Elas envelhecem num passinho miudinho, de cãezinhos em gatinhos... As beatas!
Elas envelhecem tanto mais depressa como confundem o amor com água benta... Como todas as beatas!
Se eu fosse o diabo, ao vê-las passar, acho que me faria castrar... Se eu fosse Deus, ao vê-las rezar, acho que ia perder toda a minha fé, graças às beatas...
Elas vão na procissão num passinho miudinho, de água benta em água benta... As beatas...
E tagarelam, patati, patata... E as minhas orelhas começam a assobiar... As beatas.
Vestidas de negro, como o senhor padre, que é muito bom para todas as criaturas, elas embeatam-se pondo os olhos no chão como se Deus dormisse sob os seus sapatos de beata...
No Sábado à noite, depois do trabalho, encontra-se o operário parisiense... Mas, beatas NÃO!
Porque é fechadas em casa que elas se protegem daquela rapaziada... As beatas,
que preferem encarquilhar-se de novena em novena e de rosário em rosário e orgulharem-se de terem podido conservar aquele diamante que lhes dorme entre as n...(adegas) de beata...
Depois, elas morrem num passinho miúdo, como uma chamazinha, aos montinhos, as beatas, que cemiteriam num passinho miúdo, de manhãzinha, com friozinho, as beatas.
E lá no céu que não existe, os anjos fazem à pressa um paraíso só para elas. Fazem-lhes uma auréola e duas asas, e elas levantam voo no seu passinho miudinho de beata...
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VISITA DE ESTUDO
Por curiosidade publico uma informação das Edições Jacques Brel sobre uma visita de estudo que uma turma do Liceu Marie Curie de Estrasburgo fez à exposição "J'AIME LES BELGES" em exibição naquela instituição. Na fotografia, além dos alunos e professores, está toda a equipa das Edições Jacques Brel incluindo France Brel.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
EXPOSIÇÃO
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