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segunda-feira, 20 de junho de 2011

L'ORAGE



Mais uma canção da juventude de Brel. A léguas daquilo que viria a ser o verdadeiro JACQUES BREL.
"L’orage" faz parte de um lote de 23 canções gravado em Agosto de 1953 pelo jornalista Jef Claessens na Radio Hasselt.

A TEMPESTADE

O céu
O céu está carregado
De nuvens baixas
A chuva vai cair
Nas nossas mãos nos nossos braços
Nas nossas mãos nos nossos braços

O vento gritade de longe
O vento
Sua queixa ruidosa
Como um hino antigo
Que chora os mortos
Que chora os mortos

A chuva
A chuva é bonita
A chuva que resplandece
Tem como a minha querida
Um riso radiante
Um riso radiante

A onda
É a onda que se ergue
Do fundo à tona
A onda doce e loira
Cheiro de seara
Cheiro de seara

Os bichos
Os bichos fogem
Pelos prados e pelos caminhos
Os bichos fogem
Noé como estás longe
Noé como estás longe

As flores
As flores fecham o coração
Com as suas pétalas
Como se escondem as lágrimas
Nos olhos de uma mulher
Nos olhos de uma mulher

Os homens
Atrás dos tambores
De vidro polido
Escondem os seus amores
E escondem as suas vidas
E escondem as suas vidas

Estou com medo
Estou com medo da chuva
Estou com medo do vento
Estou com medo da vida
Oh, eu estou com medo mãe
Oh, eu estou com medo mãe


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

LE TROUBADOUR



“Le Troubadour” está incluído num lote de canções consideradas “textos da juventude”.
Foi gravada em Agosto de 1953 na Radio Hasselt, de Bruxelas, juntamente com outras 22 canções e mantiveram-se inéditas até há pouco tempo. Nesta canção Brel resume a sua carreira que… ainda não tinha começado. “Eu sou um velho trovador que contou muitas histórias… mas sem acreditar nelas”. Ele irá cantar os seus ideais sem acreditar muito neles, mas acabará por aceitá-los.

O TROVADOR (1953)

Eu sou um velho trovador que contou muitas histórias
Histórias divertidas, histórias de amor, mas sem acreditar nelas

Eu cantei como um grande livro em que cada página é uma gargalhada
Eu cantei a alegria de viver esperando a outra de morrer,

Eu cantei as minhas belas ideias mas quando eu tinha de as dizer
O que a cantar era agradável, em palavras fazia-vos rir

Eu cantei o ideal para as crianças para lhes dar um pouco de esperança
Diziam-me que se o cantasse eu um dia ia acreditar nisso

Eu cantei um canto de amizade que era feito com o coração
Muitas vezes é feiro em coro mas eu estava só a cantar

Quis muitas vezes levantar o mundo, só por ele, só por bondade
Quis muitas vezes levantar o mundo, mas foi ele que me deitou

Eu sou um velho trovador que ainda canta por cantar
As histórias, histórias de amor, para fazer crer que é alegre

Um trovador desencantado que por um hábito inútil
canta ainda a amizade para não cantar o ódio.