Passaram 25 anos sem o ZECA. Parece que foi ontem que ele
partiu. Mas tinha aqui duas palavras para lhe dizer e hoje vêm a propósito:
Zeca não imaginas como este país está. Não te passa pela
cabeça o estado a que isto chegou. Nesta altura precisávamos de 100 Zecas para cantar por essas cidades, vilas e aldeias que o que faz falta é acordar a malta… Mas, não estás cá para dar uma ajuda. É pena!
Quero relembrar-te aqui neste blog, porque no fundo és o meu
Jacques Brel português.
O cantor e actor belga, PAUL LIBENS faleceu esta
semana com 88 anos de idade.
Apesar de ter cantado durante alguns anos nos palcos belgas
nunca alcançou um grande sucesso entre o público francófono. Aproveitando os
conhecimentos que fizera na sua curta carreira artística consegue o lugar de “relações
públicas” da RTBF em Liège, onde se manteve durante 15 anos. Durante este
período teve contactos com as maiores celebridades do teatro, do cinema, da música,
desse tempo e que eram convidados de um programa chamado ‘’Cinéscope’’ de Sélim
Sasson.
Aproveitando esses contactos com artistas célebres, PAUL
escreveu um livro em 1982 (Ed. Dualpha) contando pequenas histórias, episódios,
curiosidades sobre eles. Ao todo 88.
Não se trata, portanto, de um livro de biografias. São acima
de tudo planos muito aproximados de aspectos menos conhecidos dessas
celebridades. É como se fossem 88 retratos. Instantâneos. Às vezes sorridentes,
às vezes insólitos e ternos, mas sempre reveladores.
Podemos ler em "AH! LES BEAUX MONSTRES!" aspectos pouco conhecidos
de Gina Lollobrigida, Philippe Noiret, Omar Sharif, Roger Hanin, Gérard
Depardieu, Marlène Dietrich, Daniel Gélin, Lino Ventura, Pierre Brasseur, Mary
Marquet, Marcel Carné, Catherine Deneuve, Peter Ustinov, Yves Montand, Serge
Reggiani, Annie Girardot, Michèle Morgan, JACQUES BREL, e de muitos, muitos
mais.
Já AQUI falei neste espaço de SIMON DRAY – o que se considera como “o
único autor-compositor e intérprete franco-americano de San Francisco”.
Pois o Simon foi o primeiro “cantautor” a compor uma canção dedicada a
JACQUES BREL após a sua morte. Jacques morreu a 9 de Outubro de 1978 e Simon
escreveu esta canção no dia seguinte, 10
de Outubro. Mais espontâneo que isto era impossível.
E aqui vai o texto e a interpretação de "CHANSON POUR JACQUES”. No vídeo Simon
Dray toca acompanhado por Boris Barbey na
percussão, em 2011, no Café Baryton de Lanton em Gironde.
CHANSON POUR
JACQUES (Texto
e música de Simon Dray)
Jacques, Permets que je t' appelles
Jacques, Bien que, comme tu l' ais souvent dis,
T' aimais mieux qu' on t' appelle Jacky...
Oui, Jacques,
C' etait pas le moment
Qu' tu claques,
La poesie est en debacle,
Mes roses vont fleurir sans toi...
Toi Jacques , Le seul, le vrai, oui , Le grand Jacques... Celui qui
n' avait que l' amour,
Mais qui l' offrait sur du velours,
Du velours... Entends,
Toutes les tours de Bruges a Gand,
Tous les bourgeois du ciel
Flammand
Et Bruxelles qui pleure en dedans... Entends,
La poesie pleure un grand Maitre
Celui qui avait su disparaitre,
Et revenir pour mieux partir...
Jacques, Les marins pleurent dans le port,
Don Quichotte combat encore
Son moulin de vie et de mort, Et de mort
Jacques, Tandis que mes roses se fanent
Ma soif de poesie reclame
Zangra, Madeleine, Amsterdam... Amsterdam
Entends,
Meme loin de ton ciel Flammand,
On chante encore tous tes enfants
Vesoul et Bruxelles tout autant
Entends,
Meme Germaine a le bourdon
Car ils sont partis ses bonbons
Dans la gueule du Lion...
Jacques,
Il fallait que ce soit ainsi,
Risque du metier comme on dit
Car tot ou tard... On nous rappelle...
Ca n' est qu' un aurevoir
Monsieur Brel...
Já há 13 anos que se realiza em Montréal, Canadá, o festival
"MONTRÉAL EN LUMIÈRE". Este ano o festival, que decorre entre 16 e 26 de
Fevereiro, foi dedicado à Bélgica e o concerto de encerramento será
exclusivamente dedicado a JACQUES BREL. No site do festival podemos ler um
texto muito próximo deste:
“Para fechar em beleza esta edição dedicada à Bélgica, não se
poderia passar ao lado do talvez mais famoso e honroso representante do nosso
país! E porque este ser imortal construía canções tão poderosas que ganharam a sua
amplitude na maior privação cénica, adoptou um conceito, audacioso na sua
simplicidade, que era dar toda a intensidade às canções: um piano, uma voz, e é
tudo. Uma dezena de artistas conduzidas pelo nosso co-presidente de honra Luc
De Larochellière vêm, assim, à vez, prestar uma homenagem com esses títulos
inesquecíveis que o grande poeta nos deixou. Um encontro com a emoção nesta
bela sala!
Com Luc De Larochellière, Marc Hervieux, Marie-Élaine
Thibert, Paul Piché, Diane Tell, Pierre Flynn, Bruno Pelletier, Bïa, Pierre
Lapointe, Danielle Oderra e ainda Benoît Sarrasin no piano.”
UNE VIE EN COULISSES é um livro escrito pelo empresário de Jacques
Brel - CHARLEY MAROUANI - e editado em 2011 pela Fayard. É a seguinteaapresentação
do editor:
“Invisível
para o público, escondido nos bastidores, ele foi responsável pelos seus
artistas que no palco eram o centro das atenções. Centenas de horas vigilante.
Dias, meses, anos. E assim foi ganhando a amizade de Jacques Brel, Barbara e
muitos outros.
Nascido em Sousse, na Tunísia, de um pai que exercia a peculiar
profissão de “provador” de azeite, Charley Marouani também vai “provar” algumas
profissões (de fiel de armazém a fotógrafo) antes de se juntar ao seu tio Félix,
empresário em Paris.
Jacques Canetti, incontornável produtor da música francesa
do século passado, cede a Félix e Charley os nomes de três novatos de quem ele
não tinha tempo de se ocupar. Entre eles, JACQUES BREL. Charley, emocionado por
uma das canções do novato Brel, disse simplesmente: Eu escolho Brel.
Durante mais de vinte anos os dois homens manterão a fiel
relação empresário/artista. E será Charley Marouani, que conduzirá o Grand
Jacques à sua última morada, nas Ilhas Marquesas. Entretanto, Charley Marouani geriu
as carreiras de um número espantoso de artistas: Salvador, Bécaud, Vartan, Hallyday,
Greco, Reggiani, Dassin, Nougaro… e muitos outros. Depois de ter usado a
estrela amarela durante a guerra e descarregado camiões, é ele quem vai levar
Salvatore Adamo ao Carnegie Hall. Retomando um dos seus próprios versos,
Jacques Brel teria dito que “ele forçou o destino”. O nativo da Tunísia diria simplesmente
mektoub… (estava escrito).”
O livro “JACQUES BREL”, de 1998, é uma biografia do cantor escrita pelo
autor holandês MOHAMED EL-FERS. Mohamed além de escritor é músico e realizador
de cinema.
O livro é da editora Roularta Books.
Da apresentação do livro repesquei este pequeno excerto e algumas
opiniões sobre o autor e o livro.
A qualidade deste livro está acima de qualquer crítica. A
forma como El-Fers dá cor à juventude e à carreira de Brel deixa-nos sem
fôlego. As informações bem escolhidas são apresentadas sempre como uma peça de um
grande puzzle o que depois cria lentamente uma imagem clara do artista. Tudo
isto é bem documentado e a história de Brel lê-se como um comboio que passa.
Opiniões sobre o livro:
“El-Fers é totalmente fascinado e um grande amante da música
de BREL”, LUT MUTSAERS... “Este livro, Jacques Brel, pelo autor holandês
Mohamed El-Fers foi , para mim, mais agradável do ano passado. É uma biografia
fascinante de um flamingant que ele não era...” MATTIAS DUYVES (Het Parool)... “El-Fers
escreve com prazer e paixão sobre Brel”, AREND EVENHUIS. “El-Fers usa muito
poucas palavras mas sempre com o maior significado”, HENK VAN GELDER (NRC).
O grupo DEAD BELGIAN é proveniente de Liverpool
onde tem colaborado com outros artistas de renome ao longo dos últimos anos: Super Furry
Animals, Kevin Ayers, Shack, The Coral, Gorkys Zygotic Mynci, The Wizards of
Twiddly, Emily & The Faves, T...
São intervenientes dos DEAD BELGIAN: - Andy Delamere (Percusssão e Vocais)
- Fionnuala Dorrity (Vocais, Ukulele e Violão)
- Simon James (Flauta, Saxofone, Clarinete e Mandolim)
- Matthew Wood (Acordeão, Piano e Vocais)
A banda acabou de gravar um CD com canções de
Brel em francês e inglês que se intitula "Love & Death: The
Songs of Jacques Brel” . Está a fazer a promoção do disco e
actua no próximo dia 9 de Março no The Kazimier.