O meu amigo breliano Rafael Moreira enviou-me uma lista de livros dedicados a Brel (o Homem, o Artista, a sua Obra). Irei divulgá-los nos próximos dias. Para começar escolhi este que já tem 14 anos: “BREL de A a Z”. Livro da autoria de GILLES LHOTE, edição de Albin Michel de 1998. De um comentário ao livro extraí este pequeno excerto: “…Brel era um artista de excepção, sensível e inimitável mas era igualmente um homem duma imensa generosidade. Vinte anos depois do seu desaparecimento em 1978, ele continua vivo para milhões de admiradores”.
No vídeo o grupo THE KING’S SINGERS canta “La valse à mille temps”, numa gravação de 1993 feita para o seu álbum “Chanson d’amour”…
Por curiosidade divulgo hoje ESTE SITE onde estão reunidas muitas dezenas de capas de discos de JACQUES BREL. Penso que é uma informação útil para para quem conhece a obra do Grand Jacques. Para quem não conhece é também útil porque fica a saber que há mais JACQUES BREL para lá de NE ME QUITTE PAS.
Céline Dion está a gravar um Disco para sair em Abril deste ano. Será um disco em inglês e prevê-se que a sua versão francesa sairá pelo Outono. Nesta primeira versão está incluída a canção de BREL “NE ME QUITTE PAS” e tudo indica que será na sua versão em inglesa “If you go away”.
Neste vídeo Céline canta “Ne me quitte pas” ao vivo, em Las Vegas, em 2011…
Michel Ronchi, nasceu em 31 de outubro de 1967, em Montauban, Tarn e Garona. Nos últimos anos Michel Ronchi, autor, compositor e intérprete, lançou-se na composição para, primeiro, uma homenagem a Jacques Brel… “Homem de passagem”, mas também para saffirmer no meio da canção francesa, onde ele encontra todos os seus recursos para expressar a alegria, o amor, a loucura dos homens, essa felicidade que só um artista pode viver no tempo de uma canção e mais, o desejo e a necessidade de compartilhar estes momentos durante um espectáculo. Michel Ronchi é tem lugar dentrdas melhores vozes francófonas e representou a França no festival da canção francesa em Split, na Croácia.
Ao longo dos dois anos e meio deste blog já falei aqui várias vezes das peripécias à volta da recuperação do ASKOY, o barco que levou JACQUES BREL até às ilhas Marquesas (oceano Pacífico) com passagem pelos Açores. Os irmãos Staf e Piet Wittevrongel, velejadores belgas, conseguiram adquirir os direitos de propriedade do Askoy que estava encalhado numa praia da Nova Zelândia. O barco foi transportado em 2008 para o porto de Ostende, na Bélgica, de onde tinha partido em 1974. O custo desta operação foi de 64.000€. Neste momento o casco já está totalmente reparado e os interiores já começaram a ser restaurados. Os novos proprietários tencionam participar na Route de l'Amitié, em 2015, com este iate lendário.
Mais informação sobre este assunto pode ser vista AQUI.
A CATEDRAL
Peguem numa catedral e ponham-lhe alguns mastros, um gurupés, uns amplos porões, cabos, tirantes. Peguem numa catedral esguia e alta e de bojo largo, uma catedral a erigir com estais e velas mestras. Uma catedral de Picardia ou da Flandres, uma catedral à venda por padres sem estrela. Essa catedral de pedra, que será “desnossosenhorizada”, arrastem-na para aqui, onde o mar vem florir. Icem os panos com alegria e zarpem para Inglaterra… A Inglaterra é bonita de se ver do alto de uma catedral, mesmo que o chá faça chover alguns aborrecimentos sobre as escalas… As Cornualhas estão ali à mão quando elas dão à luz do dia, e nós vogamos entre a ternura e o amor. Peguem numa catedral e ponham-lhe alguns mastros, um gurupés e uns amplos porões, mas não acordem. Desenrolem todos os panos, e “ala bote” marujos. Cacem os cachalotes que vos guiarão aos Açores, e depois à Madeira com as suas raparigas canarinas e o oceano, que alegre, vos empurrará até às Antilhas… Peguem uma catedral, icem o pavilhão pequeno e façam cantar as velas, mas não acordem… Porra, as Antilhas são lindas. Elas estalam-te na boca. A gente deitava-se bem sobre elas… Mas vamos para diante porque todos os sinos tocam a rebate… A vossa catedral vai a todo o pano e trespassará o canal do Panamá… Peguem numa catedral de Picardia ou de Artois, partam para ir colher as estrelas, mas não acordem… E eis o Pacífico. Longas vagas que rolam ao vento e murmuram a sua música até às ilhas mesmo ali à frente, e que vos perdoarão, lá, melhor que noutro sítio qualquer, se vocês quiserem desaparecer entre as flores. Peguem numa catedral, icem o pavilhão pequeno e façam cantar as velas, mas não acordem…Peguem numa catedral de Picardia ou de Artois e partam para ir colher as estrelas, mas não acordem… Arrastem esta catedral de pedra através da floresta até onde o mar vem florir, mas não acordem… Mas não acordem…
No sábado, 11 de Fevereiro, às 21H50, no canal CINÉ+ CLASSIC vai passar um documentário de Jacques Lévy que conta a história da amizade e cumplicidade que existia entre JACQUES BREL e BARBARA. Depois do documentário, que se intitula “Tu sauras qui je suis”, será exibido o filme de Brel "FRANZ", agora restaurado pelas Edições Jacques Brel. Já falei várias vezes de Barbara neste Canto do Brel. Numa das vezes fiz referência a “GAUGUIN (Carta a Jacques Brel)”, uma canção escrita e cantada por Barbara em 1990. Esta canção termina com as palavras “Souvent, je pense à toi.Je signe Léonie.Toi, tu sais qui je suis,Dors bien.” Muitas vezes penso em ti. Assino Léonie (Léonie era a personagem que Barbara interpretava em FRANZ). Tu sabes quem eu sou (que deu o mote para a o documentário de Jacques Lévy referido acima). Dorme bem.
Aqui fica o texto original e o vídeo com a interpretação de Barbara…
Gauguin (Lettre à Jacques Brel)
Il pleut sur l'île d'Hiva-Oa. Le vent, sur les longs arbres verts Jette des sables d'ocre mouillés.Il pleut sur un ciel de corail Comme une pluie venue du Nord Qui délave les ocres rouges Et les bleus-violets de Gauguin.Il pleut.Les Marquises sont devenues grises.Le Zéphir est un vent du Nord,Ce matin-là, Sur l'île qui sommeille encore.Il a dû s'étonner, Gauguin, Quand ses femmes aux yeux de velours Ont pleuré des larmes de pluie Qui venaient de la mer du Nord.Il a dû s'étonner, Gauguin, Comme un grand danseur fatigué Avec ton regard de l'enfance. Bonjour monsieur Gauguin. Faites-moi place. Je suis un voyageur lointain. J'arrive des brumes du Nord Et je viens dormir au soleil. Faites-moi place. Tu sais, Ce n'est pas que tu sois parti Qui m'importe. D'ailleurs, tu n'es jamais parti. Ce n'est pas que tu ne chantes plus Qui m'importe. D'ailleurs, pour moi, tu chantes encore, Mais penser qu'un jour, Les vents que tu aimais Te devenaient contraire, Penser Que plus jamais Tu ne navigueras Ni le ciel ni la mer, Plus jamais, en avril, Toucher le lilas blanc, Plus jamais voir le ciel Au-dessus du canal. Mais qui peut dire? Moi qui te connais bien, Je suis sûre qu'aujourd'hui Tu caresses les seins Des femmes de Gauguin Et qu'il peint Amsterdam. Vous regardez ensemble Se lever le soleil Au-dessus des lagunes Où galopent des chevaux blancs Et ton rire me parvient, En cascade, en torrent Et traverse la mer Et le ciel et les vents Et ta voix chante encore. Il a dû s'étonner, Gauguin, Quand ses femmes aux yeux de velours Ont pleuré des larmes de pluie Qui venaient de la mer du Nord. Il a dû s'étonner, Gauguin. Souvent, je pense à toi Qui a longé les dunes Et traversé le Nord Pour aller dormir au soleil, Là-bas, sous un ciel de corail. C'était ta volonté. Sois bien. Dors bien. Souvent, je pense à toi. Je signe Léonie. Toi, tu sais qui je suis, Dors bien.
RENE BOTTI é um pintor e escultor parisiense nascido em 1941. Já AQUI se falou de Botti a propósito de uma exposição que ele fez sobre a obra de Jacques Brel intitulada «SOUS LE SOLEIL DE BREL».
Aqui está mais um desenho de René Botti para ilustrar a canção «VIEILLIR»...