quinta-feira, 17 de março de 2011

DE BURGERIJ

Continuando a divulgar as canções que Brel reinterpretou em flamengo hoje têm a vez LES BOURGEOIS, ou DE BURGERIJ naquele idioma da Flandres.
Como disse, são apenas 4 canções gravadas em 1965 e que estavam incluídas no EP (45RPM) cuja capa é esta:




DE BURGERIJ


Dronken, dol en dwaas
Beet ik in mijn bier
Bij de dikke Sjaan uit Monverland
Ik dronk een glas met Klaas
Ik dronk een glas met Peer
En sprong er aardig uit de band
Die Klaas hij voelde zich een Dante
Die Peer wou Casanova zijn
En ik de superarrogante
Ik dacht dat ik mezelf kon zijn
En om twaalf uur als de burgertroep
Huisging uit hotel de Goudfazant
Dan scholden wij ze poep
En zongen vol vuur
Pet in de hand

Burgerij, mannen van het jaar nul
Vette burgerkliek
Vette vieze varkens
Burgerij tamme zwijnenspul
Al die burger is is een ouwe...

Dronken, dol en dwaas
Beet ik in mijn bier
Bij de dikke Sjaan uit Monverland
Ik dronk een vat met Klaas
Ik dronk een fust met Peer
En sprong er heftig uit de band
Klaas Dante danste als mijn tante
En Casanova was te bang
Maar ik de superarrogante
Ik was zelfs voor mezelf niet bang

En om twaalf uur als de burgertroep
Huisging uit hotel de Goudfazant
Dan scholden wij ze poep
En zongen wij vol vuur
Pet in de hand

Burgerij, mannen van het jaar nul
Vette burgerkliek
Vette vieze varkens
Burgerij tamme zwijnenspul
Al die burger is is een ouwe...

Elk instinct de baas
Zoek ik mijn vertier
's Avonds in hotel de Goudfazant
Met meester-facteur Klaas
En met notaris Peer bespreek ik daar de avondkrant

En Klaas citeert eens wat uit Dante
Of Peer haalt Casanova aan
En ik ik bleef de superarrogante
Ik haal nog steeds mijn eigen woorden aan

Maar gaan wij naar huis
Meneer de brigadier
Dan staat daar bij die Sjaan uit Monverland
Een hele troep gespuis
Dronken van al het bier
Dat zingt dan van

Burgerij, mannen van het jaar nul
Vette burgerkliek
Vette vieze varkens
Ja meneer de brigadier
Ja dat zijn ze
Burgerij tamme zwijnenspul
Al die burger is is een ouwe...


quarta-feira, 16 de março de 2011

DE NUTTELOZEN VAN DE NACHT



Les paumés du petit matin foi outra das canções que Brel reescreveu em flamengo e voltou a gravar para fazer a vontade ao seu editor. Este queria que o cantor se reconciliasse com a Flandres depois do "verdadeiro escândalo” que foi a canção “LES FLAMANDES”, uma canção que feriu as susceptibilidades patrióticas dos flamenguentos.

Podem ler AQUI o texto de “LES FLAMANDES” para tentar perceber onde é que ele é ofensivo para quem quer que seja.

Segue-se o texto de Les Paumés... em flamengo. Quem for viajar em breve para os países-baixos pode ir-se familiarizando com a língua... (o vídeo contém a tradução em inglês).

DE NUTTELOZEN VAN DE NACHT

Ze ontwaken om een uur om vier
Ze ontbijten met een kleintje bier
Ze gaan uit omdat er thuis niets wacht
De nuttelozen van de nacht
Zij gedraagt zich arrogant omdat ze mooie borsten heeft
Hij is zeker en charmant omdat Papa hem centen geeft
Hun onmacht is hun hoogste macht
De nuttelozen van de nacht

Kom dans met mij
Vriendin, kom hier, vriendin, kom hier, kom hier; nee, nee blijf!
Kom dans met mij, laat ons dansen lijf aan lijf

Ze braken zonder ziek te zijn
Ze braken zacht en zonder pijn
Ze nemen zich bedroefd de nacht
De nuttelozen van de nacht
Ze bespreken zonder end
De poezie die geen van hen kent
De romans die geen van hen schreef
De vrouw die bij geen van hen bleef
De grap waarom geen van hen om lacht
De nuttelozen van de nacht

Kom dans met mij
Vriendin, kom hier, vriendin, kom hier, kom hier, kom hier; nee, nee blijf!
Kom dans met mij, laat ons dansen lijf aan lijf

In de liefde zijn ze zo berooid
't Was, 't was, ze was zo zacht
Ze was, ach, dat begrijp u nooit
De nuttelozen van de nacht
Ze nemen nog een laatste glas
Vertellen nog een laatste grap
En met een allerlaatste glas
De laatste dans
De laatste stap
Het laatste verdriet
De laatste klacht
De nuttelozen van de nacht

Kom, kom, kom huil met mij
Vriendin, kom hier, vriendin, kom hier, kom hier, nee blijf
Kom, kom huil met mij
Laat ons huilen lijf aan lijf
De nuttelozen van de nacht


terça-feira, 15 de março de 2011

MIJN VLAKKE LAND



JACQUES BREL cantou apenas quatro das suas canções em flamengo, o idioma falado no norte da Bélgica. O norte, a Flandres, onde vivem os “flamingants” (flamenguentos) como Brel lhes chama indignado na canção Les F.
E neste verso da canção está evidente o motivo de uma antipatia antiga pelos habitantes da Flandres: “...mas, vocês são equilibristas e nada mais que isso... São Nazis durante as guerras e católicos entre elas, vocês oscilam sempre entre o fuzil e o missal...”

Por curiosidade aqui fica o texto em flamengo de LE PLAT PAYS, da autoria do próprio Brel.

MIJN VLAKKE LAND

Wanneer de Noordzee koppig breekt aan hoge duinen
En witte vlokken schuim uiteen slaan op de kruinen
Wanneer de norse vloed beukt op het zwart basalt
En over dijk en duin de grijze nevel valt
Wanneer bij eb het strand woest is als een woestijn
En natte westenwinden gieren van venijn
Dan vecht mijn land, mijn vlakke land.

Wanneer de regen daalt op straten, pleinen, perken
Op dak en torenspits van hemelhoge kerken
Die in dit vlakke land de enige bergen zijn
Wanneer onder de wolken mensen dwergen zijn
Wanneer de dagen gaan in domme regelmaat
Een bolle oostenwind het land nog vlakker slaat
Dan wacht mijn land, mijn vlakke land

Wanneer de lage lucht vlak over het water scheert
Wanneer de lage lucht ons nederigheid leert
Wanneer de lage lucht er grijs als leisteen is
Wanneer de lage lucht er vaal als keileem is
Wanneer de noordenwind de vlakte vierendeelt
Wanneer de noordenwind er onze adem steelt
Dan kraakt mijn land, mijn vlakke land

Wanneer de Schelde blinkt in zuidelijke zon
En elke Vlaamse vrouw flaneert in zonjapon
Wanneer de eerste spin zijn lente-webben weeft
Of dampende het veld in juli zonlicht beeft
Wanneer de zuidenwind er schatert door het graan
Wanneer de zuidenwind er jubelt langs de baan
Dan juicht mijn land, mijn vlakke land

segunda-feira, 14 de março de 2011

LA LUMIÈRE JAILLIRA



La lumière jaillira é de 1958. É uma canção muito influenciada pelo espírito “padre-operário”, figura muito em voga nos anos 50 e 60. Para manter o ambiente desta espécie de sermão cantado Brel fez a gravação dentro de uma igreja acompanhado pelo órgão das “liturgias”. Como não encontrei a versão original cantada pelo “Abbé Brel” (como diria Brassens) aqui fica a versão de La Lumière jaillira interpretada por um grupo coral… numa igreja.

A LUZ VAI BROTAR (1958)

A luz vai brotar limpa e branca, uma manhã,
Bruscamente à minha frente em qualquer lugar do caminho...
A luz vai brotar e vou reconhecê-la porque, tantas, tantas vezes a esperei...
A luz vai brotar e por vê-la tão bela vou perceber porque tanto precisava dela...
A luz vai brotar e nós ficaremos unidos
Para sermos um só combate, para sermos uma única canção...
A luz vai brotar e eu vou convidá-la
Para vir para o meu tecto para que tudo se transforme...
A luz vai brotar e depois de tudo transformado
Apontarei a dedo os trastes do passado...
A luz vai brotar e eu terei um palácio...
Não muda tudo sob o sol de Julho?
A luz vai brotar e toda a minha casa,
Sentada à lareira, aprenderá as suas canções...
A luz vai brotar espalhando os meus silêncios
Os sorrisos de felicidade que morrem e recomeçam...
A luz vai brotar, qual eterno viajante o meu coração em vão procurava,
E que afinal estava dentro dele...
A luz vai brotar alargando o horizonte,
A luz vai brotar e trará o teu nome.


Igreja Saint-Thomas, Domingo 5 de Dezembro de 2010.
Grupo Coral Diapason sob a direcção de J. Hulard.

sábado, 12 de março de 2011

SUBMARINE



A canção QUAND O N’A QUE L’AMOUR, de Jacques Brel, foi escolhida para integrar a banda sonora do filme inglês SUBMARINE.
Filme com realização de Richard Ayoade e com Noah Taylor, Paddy Considine, Craig Roberts, Yasmin Paige e Sally Hawkins nos principais papéis. O filme, que estreia em Inglaterra no próximo dia 18, conta-nos a história de um jovem de 15 anos que tem dois objectivos: Perder a sua virgindade antes de chegar aos 16 e impedir o pai de trocar a mãe pela professora de dança.

Let’s look at the trailer…

sexta-feira, 11 de março de 2011

SAINT PIERRE




Jacques Brel com 17 anos de idade entrou para a Franche Cordée, um movimento filantrópico de inspiração católica. Os objectivos desta associação consistiam em ajudar os pobres, os fracos, os doentes, os velhos e os órfãos. Dentro das várias actividades desenvolvidas pela F.C. estava a organização de espectáculos para angariar fundos.
Brel chegará a ser presidente do movimento e no seu seio monta algumas peças de teatro. Uma delas é o “Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupery. É também nos espectáculos da F.C que ele começa a cantar em público acompanhado pela sua viola.
A propósito desta filiação em tal movimento, Georges Brassens apelida Brel de Abade Brel. A canção Saint Pierre, embora gravada em 1958, foi provavelmente escrita nos anos da F.C.

SÃO PEDRO (1957)

Já lá vai muito tempo, nos confins do céu, o bom do S. Pedro,
Como um colegial, inquietou-se por causa de uma estrela de coração de pedra...
Depois de pronta ela levantou voo, incendiando o olhar,
O coração, a barba e a auréola do bom São Pedro, que desesperado
Gritava e chorava pelas ruas do Paraíso.
Gritava e chorava, com todos a escarnecerem dele...

Desfolhemos a asa de um anjo para ver se ela pensa em mim,
Desfolhemos a asa de um anjo para ver se ela me vai amar...

O São Pedro foi então procurar a cavalo de uma bela nuvem,
Em vão, na via láctea, a sua jovem estrela de coração volúvel...
Logo que regressou ao Paraíso ficou à porta
Não ousando mostrar toda a sua mágoa aos camaradas aureolados
Que gritavam e choravam pelas ruas do Paraíso.
Que gritavam e choravam, escarnecendo dele...

Desfolhemos a asa de um anjo para ver se ela pensa em ti,
Desfolhemos a asa de um anjo para ver se ela te vai amar...

Mas, o bom Deus veio ajudá-lo, já que os barbudos são todos sindicalizados...
Transformou a estrela em planeta e fez do São Pedro o seu porteiro.
E dos seus anjos desfolhados pelos amores do bom São Pedro
Para não se perder nada, ele fez os diabos do inferno…
Esses que gritam e que choram à hora em que nascem as noites.
Esses que gritam e que choram num cantinho do vosso espírito...

Desfolhemos a asa de um anjo para ver se ela pensa em mim,
desfolhemos a asa de um anjo para ver se ela me vai amar...


quinta-feira, 10 de março de 2011

JAzz BREL



SHIRLEY HORN (1934/2005) teve uma carreira musical no mundo do jazz que a põem entre as MELHORES cantoras e pianistas de sempre deste género. Ao longo da sua vida colaborou com Miles Davis, Dizzy Gillespie, Toots Thielemans, Ron Carter, Carmen McRae, Wynton Marsalis e muitos , muitos outros com quem gravou dezenas de discos. Em 2002 recebeu o grau académico de “Doutora em música” pelo Berklee College of Music e em 2005 foi galardoada com o National Endowment for the Arts, Jazz Masters Award (o mais importante prémio concedido nos EUA aos músicos de Jazz).

No seu último disco gravado em 2003 - May The Music Never End - SHIRLEY HORN canta If you go away, a versão inglesa de NE ME QUITTE PAS. Oiçam AQUI esta voz quente, emotiva, sensual...