Pierre Rittre e os seus músicos vão interpretar vinte e seis canções de Jacques Brel, indo de Les Timides a Amsterdam, de Vesoul a Quand on a que l’amour. Pierre tem uma voz quente, poderosa e liberta uma energia que lhe permite cantar todos os sucessos de Brel. Ele evoca espontaneamente Jacques Brel, sem o imitar. O espectáculo é na próxima Sexta-feira, 11, na Salle des Fêtes em Le Coteau, perto de Lyon.
No dia 26 de Dezembro de 2009 falei AQUI no filme L’AVENTURE C’EST L’AVENTURE. É uma comédia de 1972, com Jacques Brel, Lino Ventura, Charles Denner, Aldo Maccione, Charles Gérard e realizada por Claude Lelouch.
O filme tem cenas inesquecíveis como esta, que está disponível no youtube. O membro da quadrilha Aldo (interpretado por ALDO MACCIONE) dá uma lição aos colegas: “Como se engata uma garina na praia”… E aqui estão os cinco manguelas em acção! Divirtam-se e não pensem mais nisso...
No campo há raparigas que vão buscar água às fontes... As raparigas fazem fila, airosas, falando muito alto. E falam do fogo e da água... E é assim que o mundo gira e não há nada a fazer para mudar isto, É assim que o mundo gira e é melhor a gente não lhe tocar...
Junto das raparigas estão os rapazes, os altos, os magros e os gordos, que galhofam baixinho. Os morenos, os ruivos e os loiros que falam dos seus velhotes... E dos olhos da Luísa...
Perto dos rapazes, estão os seus velhotes, que têm um ar grave e severo, e que cheiram a cerveja... Gritam por tudo e por nada, e à noite saem pelas traseiras, para ir à taberna jogar às cartas...
Na taberna estão lá os parceiros. E todos bebem avidamente, esvaziando copos atrás de copos. E esses tais parceiros, de que eles tanto gostam, vão fazê-los chegar à madrugada, de rastos... E com os bolsos vazios...
Perto dos parceiros está a cidade, a cidade imensa e inútil que me enoja, a cidade com os seus prazeres abjectos, que fede à gasolina dos automóveis... Ou à guerra civil...
Perto da cidade está o campo, onde as raparigas morenas e loiras fazem rodas. E, pela planície e pela montanha, deixemo-las fechar a roda das boas gentes deste mundo... E é melhor não lhe tocar, e é melhor não lhe tocar...
BRUNO PELLETIER nasceu em Agosto de 1962 no Quebec, Canadá. Em 1989 funda um grupo de rock e em 1990 consegue o seu primeiro contrato discográfico. Em 1993 participa na ópera rock parisiense STARMANIA, em 1998 no espectáculo musical Notre-Damme de Paris e em 2004 no musical DRACULA- Entre l'amour et la mort. Pelo caminho gravou 10 discos onde também participou como compositor e orquestrador. No seu reportório tem versões de Jacques Brel como esta:
WENDE SNIJDERS nasceu em Beckenham, na Inglaterra (1978), mas muito cedo foi com a família para a Indonésia. Viveu também na Guiné Bissau e actualmente vive e trabalha na Holanda onde é reconhecida como excelente intérprete da canção francesa. Do seu reportório constam várias canções de Jacques Brel.
Daniel Degimbe canta Brel no Café Teatro AU B’IZOU, em Anderlecht, Bélgica. O cantor belga esperou 45 anos para dar os seus primeiros passos nos palcos. Começou por escrever uma comédia musical com o pseudónimo de Daniel Brusselle agarrando no reportório do GRAND JACQUES. Hoje já é considerado um dos melhores intérpretes do autor de AMSTERDAM. Formado na área do riso ele sabe explorar ao máximo a sua voz quente e próxima daquele que ele nos quer fazer redescobrir… sem contudo o imitar.
LA HAINE, faz parte do primeiro LP que Brel gravou em Fevereiro de 1954. Disco pouco vendido teve também pouca aceitação por parte da crítica francesa. Brel, porém, não desiste nem se desmoraliza com o que dizem dele na imprensa. Distancia-se e continua a trabalhar arduamente, em busca de um lugar ao sol. Repetirá imensas vezes “não sou um poeta, sou um artista de variedades”. Em La Haine Brel verte todo o seu azedume e “como um bêbado berra a sua cantiga” contra uma musa/sociedade que “destila cada dia o tédio e a banalidade”. A canção começa com palavras premonitórias: “Como um marinheiro partirei...” Vinte anos depois ele partirá de Antuérpia, e como um marinheiro, faz-se ao mar para dar a volta ao mundo num veleiro.
Como um marinheiro partirei para me ir divertir com as raparigas, E se tu nunca choraste minha alma ficará parva... Como um marujo partirei para ir rezar ao bom Deus, E se tu nunca sofreste, eu não vou poder rezar mais...
Tu não cometeste outro pecado que não fosse destilar cada dia O tédio e a vulgaridade de, enquanto outros destilam o amor. E mil dias por uma noite, eis o que tu me deste. Pintaste o nosso amor de negro, terminaste a nossa eternidade...
Como um bêbado partirei para ir berrar a minha cantiga, E se tu nunca a entendeste vou agradecer ao diabo... Como um soldado partirei e morrerei como morrem as crianças, E se tu nunca morreste eu vou querer regressar vivo...
E tu, tu rezas, e tu, tu choras, todos os dias, todos os anos, É como se com flores nós juntássemos dois continentes... O amor está morto, viva a raiva, e tu, coisa sem nome, Vai pendurar o teu sofrimento no museu dos amores falhados...
Como um bêbado partirei para ir berrar a minha cantiga E se tu nunca a entendeste vou agradecer ao diabo...