quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

J'AIMAIS



Apesar de só ter sido gravada em 1963 esta canção - J’AIMAIS – pelos seus preciosismos poéticos e harmonias muito líricas deverá ter sido composta alguns anos antes. Em 1963 Brel já tinha alcançado a maturidade como compositor e já tinha sucessos musicais como Les bourgeois, Marieke, La valse à mille temps, Le moribond, ou mesmo Ne me quitte pas. E no LP onde está J’aimais estão canções inesquecíveis como Les vieux, Jef e Au suivant. Portanto, a inclusão de J’aimais neste LP de 1963 sabe a um fruto que se come fora da época.

EU GOSTAVA (1963)

Eu gostava das fadas e das princesas que me diziam não existir...
Eu gostava do fogo e da ternura...
Estás a ver, já então eu sonhava contigo.

Eu gostava das torres altas, imponentes, para ver ao longe chegar o amor...
Gostava das torres com coração vigilante...
Estás a ver, já então eu te espreitava...

Eu gostava do colo ondulante das vagas, dos nobres salgueiros a desfalecerem sobre mim...
Eu gostava do perfil bamboleante das algas...
Estás a ver, já então eu te conhecia...

Eu gostava de correr até cair, eu gostava da noite até ao amanhecer...
Eu não gostava disso tudo, eu adorava…
Estás a ver, já então te amava...

Eu gostava do Verão pelas suas tempestades, com os relâmpagos sobre o telhado...
Eu gostava do clarão sobre a tua face…
Estás a ver, já então eu ardia por ti...

Eu gostava da chuva que inundava o céu ao longo das neblinas do país raso...
Eu gostava dessa neblina que o vento varre...
Estás a ver, já então chorava por ti...

Eu gostava da vinha e do lúpulo, das vilas nortenhas, das galdérias da noite...
Os rios profundos que me chamavam ao leito...
Estás a ver, já então eu me esquecia de ti...



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

T'ES PAS TOUT SEUL



Mais um espectáculo musical sobre Jacques Brel. T'ES PAS TOUT SEUL vai ser no dia 14 e no dia 16 no Théâtre du Pré-aux-moines na cidade de Cossonay, na Suíça. Tem autoria de Guy-François Leuenberger, encenação de Gérard Demierre e interpretação de Antoinette Dennefeld, Laure Barras, Mallika Hermand, Capucine Keller, André Gass, Daniel Hellmann, Yannis François.
Os músicos são: Piano, Guy-François Leuenberger, contrabaixo, Alain Dessauges, bateria e acordeão, Jean-Luc Decrausaz.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

EL SUEÑO IMPOSIBLE



E neste princípio de annus horribilis continuemos com o nosso SONHO IMPOSSÍVEL porque sonhar ainda não paga imposto nem consta das medidas do PEC.
E a versão que aqui trago hoje é na língua de Cervantes, o autor de D. Quixote de la Mancha.
EL SUEÑO IMPOSIBLE nesta interpretação que encontrei no youtube do tenor RODRIGO JOSÉ DOMÍNGUEZ.


EL SUEÑO IMPOSIBLE

Con fe lo imposible soñar
al mal combatir sin temor
triunfar sobre el miedo invencible
en pie soportar el dolor

Amar la pureza sin par
buscar la verdad del error
vivir con los brazos abiertos
creer en un mundo mejor

Es mi ideal
la estrella alcanzar
no importa cuan lejos
se pueda encontrar
luchar por el bien
sin dudar ni temer
y dispuesto al infierno llegar si lo dicta el deber

Y yo sé
que si logro ser fiel
a mi sueño ideal
estará mi alma en paz al llegar
de mi vida el final

Será este mundo mejor
si hubo quien despreciando el dolor
combatió hasta el último aliento

Con fé lo imposible soñar
y la estrella alcanzar




domingo, 9 de janeiro de 2011

PLACIDO DOMINGO




PLACIDO DOMINGO também canta The impossible dream do Musical MAN OF LA MANCHA. Ficam aqui o texto original de Joe Darion e a interpretação do famoso tenor.

THE IMPOSSIBLE DREAM

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong
To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far

To fight for the right
Without question or pause
To be willing to march into Hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true
To this glorious quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star

sábado, 8 de janeiro de 2011

MARIA BETHÂNIA




MAN OF LA MANCHA estreou-se em 1965 na Broadway. Baseado na obra de Cervantes D.Quixote de La Mancha tinha texto de Joe Lardon e música de Mitch Leigh.
Jacques Brel fez depois em 1968 uma adaptação para francês e levou o musical L’Homme de la Mancha à cena na Bélgica e na França.
O tema mais conhecido deste musical é sem dúvida The impossible dream que Brel adaptou e intitulou La Quête. Esta canção tem tido ao longo do tempo várias versões, sendo uma delas em português. Esta adaptação para a nossa língua foi escrita por Ruy Guerra, autor do FADO TROPICAL popularizado por Chico Buarque.

SONHO IMPOSSÍVEL (Ruy Guerra)

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.

Esta é a versão de Impossible dream cantada por Maria Bethânia…

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

VIVRE DEBOUT



Sobre esta canção um cronista do Jornal Combat disse na altura : « Jacques Brel revela em VIVRE DEBOUT a beleza implacável e cruel dos que não perdoam àqueles que se contentam com o pouco que são »


VIVER DE PÉ (1961)

A gente esconde-se, quando o vento se levanta, com medo que ele nos empurre para combates demasiado duros...
A gente esconde-se em cada novo amor, que a seguir a outro nos diz “sou eu de certeza”...
A gente esconde-se por um instante para que a nossa própria sombra, para melhor fugir da inquietação, seja a sombra de uma criança,
seja a sombra dos costumes que plantaram em nós quando tínhamos vinte anos...
Será impossível viver de pé?...

A gente ajoelha-se porque nos curvamos sob o incrível peso dos nossos tormentos ilusórios...
A gente ajoelha-se depois de ter caído à frente de falsas aparências...
A gente ajoelha-se quando a nossa esperança se reduz a rezar, e quando é demasiado tarde
e nada mais se pode ganhar em todos esses encontros a que faltámos...
Será impossível viver de pé?...

A gente deita-se por um derriço barato, por um piropo reles que se diz a toda a hora...
A gente deita-se para melhor perder a cabeça, para melhor queimar o tédio com lampejos de amor...
A gente deita-se quando acaba a vontade de viver o dia…
Para melhor fazer a corte à morte que se aproxima…
Para alcançarmos por fim a nossa própria derrota...
Será impossível viver de pé?...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

JOSEPH PENISSON




Mais uma homenagem a BREL. Desta vez feita por JOSEPH PENISSON, com a ajuda musical de JEAN-FRANÇOIS DUFOUR. Segundo palavras do próprio autor, a canção “Dans les rues de Bruxelles é um presente ao meu mestre, o Grand Jacques, que sempre admirei…”

Para melhor compreensão de DANS LES RUES DE BRUXELLES pedi ao senhor Joseph Penisson o texto que escreveu e ele teve a amabilidade de mo enviar. Aqui está o poema com a devida vénia.

DANS LES RUES DE BRUXELLES
(Joseph Penisson/ Jean François Dufour)


je revois son enfance, ses amours, sa Fanette
ses impossibles rêves pour atteindre sa quête
ses chagrins ses départs vers un nouveau voyage
ses regrets ses remords ou s'estompent les visages;
le tram trente trois m'a emmené chez Eugène
j'ai bien mangé des frites, mais j'ai attendu Madeleine;
Marcel et son accordéon place de Brouckère
bercé par le vent du nord me ravive ses airs

j'ai voulu voir Bruxelles
et j'ai ressenti Brel
j'ai voulu voir Fernand
et j'ai revu les vieux amants

sur la grand place Germaine a toujours les cheveux roux
et les bonbons de Jacques ont encore du gout
le manneken pis me rappelle les marins d'Amsterdam
qui boivent plein de bières sur la panse des dames
devant l'église toujours là et elles radotent
et patati et patata, mes oreilles sifflent de ces bigotes
il y a toujours des salons et des pendules d'argent
avec ces petits vieux qui se meurent lentement

j'ai voulu voir Bruxelles
et j'ai ressenti Brel
j'ai voulu voir Madeleine
et j'ai revu Germaine

alors bourgeois curé personne au dernier repas
Mathilde n'est pas venue même pas ces gens là;
j'arrive sans chrysanthèmes pour te dire tout bas
même si tu as mal aux autres ne me quitte pas...
j'ai voulu voir Bruxelles et j'ai ressenti Brel
le Jef et le Jojo comme moi deux vieux poivrots;
j'ai voulu voir Bruxelles et j'ai ressenti Brel
au petit matin avec les paumés on ira boire à ta santé...

(Faune/Penisson/Dufour)

Neste vídeo Joseph Penisson canta DANS LES RUES DE BRUXELLES acompanhado por Jean-François ao piano e por Michaël Belin ao violino.


Dans les rues de Bruxelles - Jacques Brel
Enviado por mediafaune. - Explore outros vídeos de música.