sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

VIVRE DEBOUT



Sobre esta canção um cronista do Jornal Combat disse na altura : « Jacques Brel revela em VIVRE DEBOUT a beleza implacável e cruel dos que não perdoam àqueles que se contentam com o pouco que são »


VIVER DE PÉ (1961)

A gente esconde-se, quando o vento se levanta, com medo que ele nos empurre para combates demasiado duros...
A gente esconde-se em cada novo amor, que a seguir a outro nos diz “sou eu de certeza”...
A gente esconde-se por um instante para que a nossa própria sombra, para melhor fugir da inquietação, seja a sombra de uma criança,
seja a sombra dos costumes que plantaram em nós quando tínhamos vinte anos...
Será impossível viver de pé?...

A gente ajoelha-se porque nos curvamos sob o incrível peso dos nossos tormentos ilusórios...
A gente ajoelha-se depois de ter caído à frente de falsas aparências...
A gente ajoelha-se quando a nossa esperança se reduz a rezar, e quando é demasiado tarde
e nada mais se pode ganhar em todos esses encontros a que faltámos...
Será impossível viver de pé?...

A gente deita-se por um derriço barato, por um piropo reles que se diz a toda a hora...
A gente deita-se para melhor perder a cabeça, para melhor queimar o tédio com lampejos de amor...
A gente deita-se quando acaba a vontade de viver o dia…
Para melhor fazer a corte à morte que se aproxima…
Para alcançarmos por fim a nossa própria derrota...
Será impossível viver de pé?...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

JOSEPH PENISSON




Mais uma homenagem a BREL. Desta vez feita por JOSEPH PENISSON, com a ajuda musical de JEAN-FRANÇOIS DUFOUR. Segundo palavras do próprio autor, a canção “Dans les rues de Bruxelles é um presente ao meu mestre, o Grand Jacques, que sempre admirei…”

Para melhor compreensão de DANS LES RUES DE BRUXELLES pedi ao senhor Joseph Penisson o texto que escreveu e ele teve a amabilidade de mo enviar. Aqui está o poema com a devida vénia.

DANS LES RUES DE BRUXELLES
(Joseph Penisson/ Jean François Dufour)


je revois son enfance, ses amours, sa Fanette
ses impossibles rêves pour atteindre sa quête
ses chagrins ses départs vers un nouveau voyage
ses regrets ses remords ou s'estompent les visages;
le tram trente trois m'a emmené chez Eugène
j'ai bien mangé des frites, mais j'ai attendu Madeleine;
Marcel et son accordéon place de Brouckère
bercé par le vent du nord me ravive ses airs

j'ai voulu voir Bruxelles
et j'ai ressenti Brel
j'ai voulu voir Fernand
et j'ai revu les vieux amants

sur la grand place Germaine a toujours les cheveux roux
et les bonbons de Jacques ont encore du gout
le manneken pis me rappelle les marins d'Amsterdam
qui boivent plein de bières sur la panse des dames
devant l'église toujours là et elles radotent
et patati et patata, mes oreilles sifflent de ces bigotes
il y a toujours des salons et des pendules d'argent
avec ces petits vieux qui se meurent lentement

j'ai voulu voir Bruxelles
et j'ai ressenti Brel
j'ai voulu voir Madeleine
et j'ai revu Germaine

alors bourgeois curé personne au dernier repas
Mathilde n'est pas venue même pas ces gens là;
j'arrive sans chrysanthèmes pour te dire tout bas
même si tu as mal aux autres ne me quitte pas...
j'ai voulu voir Bruxelles et j'ai ressenti Brel
le Jef et le Jojo comme moi deux vieux poivrots;
j'ai voulu voir Bruxelles et j'ai ressenti Brel
au petit matin avec les paumés on ira boire à ta santé...

(Faune/Penisson/Dufour)

Neste vídeo Joseph Penisson canta DANS LES RUES DE BRUXELLES acompanhado por Jean-François ao piano e por Michaël Belin ao violino.


Dans les rues de Bruxelles - Jacques Brel
Enviado por mediafaune. - Explore outros vídeos de música.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

LES ENFOIRÉS 2002




Desde 1986 que em França se realiza anualmente um espectáculo de beneficência com o nome LES ENFOIRÉS onde participam os maiores nomes da cena musical francesa. Na edição de 2002, que tinha por lema "Todos no mesmo barco", SERGE LAMA, GAROU e HÉLÈNE SEGARA juntaram-se para cantar AMSTERDAM, de Jacques Brel, e o resultado foi este. Simplesmente intenso e brilhante.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

POURQUOI FAUT-IL QUE LES HOMMES S'ENNUIENT?




Cinco dias depois de ter deixado os palcos, em Maio de 1967, Jacques Brel tem um convite para entrar num filme de André Cayate, Les risques du métier . Brel aceitou por cortesia mas impôs a condição de que as suas falas seriam adaptadas ao seu próprio estilo oral e que só estaria presente durante as gravações quando estritamente necessário.
No entanto, esta experiência despertou-lhe o gosto pelo cinema e começou a aceitar mais papéis noutros filmes chegando mesmo a realizar alguns.
Esta canção é de 1963 e foi feita para um filme chamado Un roi sans divertissement de François Leterrier, baseado num romance de Jean Giono, com Charles Vanel e Colette Renard.

PORQUE É QUE OS HOMENS PRECISAM DE SE CHATEAR? (1963)

Apesar de tudo as estalajadeiras são gentis nas estalagens bordadas de neve…
Apesar de tudo as mães resignam-se porque os filhos caíram na ratoeira...
Apesar de tudo as hospedarias são simpáticas, e lá, o vinho faz girar o carrossel...
Porque é que os homens precisam de se chatear?

Apesar de tudo as cidades são tranquilas com sinos e campanários a badalar,
Mesmo com o diabo a dormir debaixo da bíblia? E os reis saberão rezar?
Apesar de tudo as cidades são tranquilas desde o branco amanhecer até ao alvo anoitecer…
Porque é que os homens precisam de se chatear?

Apesar de tudo só nos resta sonhar, apesar de tudo só nos resta conhecer
Todos esses lobos que é preciso aniquilar, todas essas primaveras que nos resta beber.
Desesperança ou desespero, só nos resta ficar espantados…
Porque é que os homens precisam de se chatear?

Apesar de tudo só nos resta fazer batota, ser espadas e jogar copas,
Ter medo e voltar a jogar, ser o diabo e jogar flor…
Apesar de tudo, resta-nos ter paciência... Ano bom ou Ano mau, não se vive mais que uma hora,
Porque é que os homens precisam de se chatear?


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

LA BD CHANTE BREL (5)

PETER VAN STRAATEN é um dos mais famosos cartoonistas holandeses. O seu estilo é inconfundível e tem sido e divulgado com imenso sucesso ao longo dos anos em jornais e em revistas. É também autor de BD, ilustrador de livros e de outras publicações. No entanto, é conhecido no seu país, acima de tudo, pelo cartoon político. Os actores da cena política holandesa e internacional não escapam ao seu olhar atento e ao seu julgamento crítico. Peter Van Straaten nasceu em Arnhem em 1935.
É assim que ele dá o seu contributo gráfico à canção AMSTERDAM, de Brel.

domingo, 2 de janeiro de 2011

DANIIL SIMKIN




As canções de Jacques Brel têm sido utilizadas inúmeras vezes como fundo musical para coreografias a solo ou em grupo. Neste vídeo o bailarino russo Daniil Simkin, de 23 anos, interpreta na perfeição LES BOURGEOIS.

sábado, 1 de janeiro de 2011

JEAN POIRET




No dia 28 de Maio de 2010 falei AQUI neste blog da VALSE À MILLE TEMPS e na altura falei de uma versão que foi também um êxito mas na voz de JEAN POIRET. Esta versão, que parodiava a canção de Brel e tinha por título LA VACHE À MILLE FRANCS, está no youtube na interpretação do seu autor.