sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

LITANIES POUR UN RETOUR




Um dia perguntaram a Brel se conhecia pessoalmente os Beatles e se gostava da música feita por eles. Brel respondeu que os tinha encontrado um dia em Londres e que gostava da sua música. Achava que ela tinha harmonias quase clássicas e isso era muito bom. Não sabia se isso era feito por acaso ou de propósito, mas era bom... Quanto aos textos? Quanto aos textos apenas disse que tinham algumas coisas giras, mas... e mais não disse. Os Beatles iniciaram em força a sua carreira em 1961 cantando canções de amor como “She loves you”, “Love me do”, ”Can’t buy me love”, “And I love her”, etc.
Brel em 1958 canta "Litanies pour un retour", uma canção de amor, sem usar uma unicamente vez a palavra AMOR.

Litanias para um regresso (1958)

Meu coração, minha amada, minha alma, meu céu, meu fogo, minha chama,
Meu poço, minha fonte, meu vale, meu mel, meu bálsamo , meu Gral,

Meu trigo, meu oiro, minha terra, meu arado, minha rocha, minha pedra,
Minha noite, minha sede, minha fome, meu dia, minha alvorada, meu pão,

Minha vela, minha onda, meu farol, minha estrada,
Meu sangue, minha força, minha febre, meu eu,

Meu canto, meu riso, meu vinho, minha alegria,
Minha madrugada, minha voz , minha vida, minha fé,

Meu coração, minha amada, minha alma, meu céu, meu fogo, minha chama,
Meu corpo, minha carne, meu bem... Eis que regressas.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DAVID BOWIE



A canção LA MORT foi traduzida para inglês por Shuman e Blau para o espectáculo “Jacques Brel is alive and well and living in Paris”. Depois disso foi cantada, além de Shuman, por Amanda McBroom, Scott Walker, Marc Almond e David Bowie, estes os mais representativos dos 42 intérpretes de LA MORT que se conhecem. Estes dados, e outros, podem ser consultados no site LA CHANSON DE JACKY.


Este é o texto de La mort na sua versão inglesa e, no vídeo, a sua interpretação por Bowie.

MY DEATH

My death waits like an old roué
so confident I'll go his way
whistle for him and the passing time...
My death waits like a bible truth
at the funeral of my youth
weep loud for that and the passing time...
My death waits like a witch at night
as surely as our love is bright
let's laugh for us and the passing time

But whatever lies behind the door
there is nothing much to do...
angel or devil, I don't care
for in front of that door... there is you.

My death waits like a beggar blind
who sees the world with an unlit mind
throw him a dime for the passing time...
My death waits to allow my friends
a few good times before it ends
let's drink to that and the passing time
My death waits in your arms, your thighs
your cool fingers will close my eyes
let’s not talk about the passing time

My death waits among the falling leaves
in magicians mysterious sleeves
rabbits dogs and the passing time
My death waits among the flowers
where the blackest shadow cowers
let's pick lilacs for the passing time
My death waits in a double bed
sails of oblivion at my head
pull up the sheets against the passing time






quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

LA MORT

Nesta canção Brel personifica a morte. A morte é uma mulher, uma namorada, uma princesa, uma bruxa. A ideia de morrer obceca-o, mas pior será a decadência fisíca, a ruína do corpo. A morte é um mal absoluto. Aos 30 qnos de idade Brel ainda não brinca com o tema como fará em Le Moribond ou Le Tango Funèbre. Com esta idade ele tem pressa de viver e é assim que ele canta a morte, que o encontrará 18 anos depois.

A MORTE (1960)

A morte espera-me como uma antiga namorada, num encontro marcado com a foice,
Para melhor ceifar o tempo que passa...
A morte espera-me como uma princesa, no funeral da minha juventude,
Para melhor poder chorar o tempo que passa...
A morte espera-me como uma bruxa, na fogueira das nossas núpcias,
Para melhor se poder rir do tempo que passa...
Mas quem está por detrás da porta já à minha espera?
Anjo ou demónio, que importa, diante da minha porta estás tu!

A morte espera debaixo do travesseiro, mas eu esqueço-me de acordar
Para melhor cristalizar o tempo que passa...
A morte espera que os meus amigos me venham ver a meio da noite,
Para melhor me dizerem como o tempo passa...
A morte espera-me nas tuas mãos claras, que deverão fechar as minhas pálpebras,
Para melhor abandonar o tempo que passa...
Mas quem está por detrás da porta já à minha espera?
Anjo ou demónio, que importa, diante da minha porta estás tu!

A morte espera-me nas últimas folhas da árvore que há-de fazer o meu caixão,
Para melhor pregar o tempo que passa...
A morte espera-me nos lilases que um coveiro lançará sobre mim,
Para melhor florir o tempo que passa...
A morte espera-me numa grande cama, feita com os lençóis do esquecimento,
Para melhor cobrir o tempo que passa...
Mas quem está por detrás da porta já à minha espera?
Anjo ou demónio, que importa, diante da minha porta estás tu!
´


Testemunho sentido de GEORGE BRASSENS, companheiro das canções, quando soube da morte de Brel.


Brassens sur la mort de Brel
Enviado por Sensc. - Explore outros vídeos de música.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DISCO DE OURO




Segundo noticia ontem o PORTAL DO FADO, pouco mais de um mês após a sua edição (15 de Novembro) o álbum que junta Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti é DISCO DE OURO.

Além de dois inéditos, sendo um deles ,«Retrato», da autoria de Bernardo Sassetti e poema de Mário Cláudio, juntam-se também temas intemporais de José Afonso, Fausto, Sérgio Godinho e Jacques Brel, entre outros.

Neste vídeo as CANTIGAS DO MAIO de José Afonso.


domingo, 26 de dezembro de 2010

CELINE DION & MAURANE

Mais uma versão de QUAND ON N’A QUE L’AMOUR, desta vez por Céline Dion e Maurane.
No dia 21 de Novembro falei AQUI da versão feita por Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti desta mesma canção.

sábado, 25 de dezembro de 2010

PRIÈRE PAÏENNE

ORAÇÃO PAGÃ (1956)

Não é verdade Maria, que rezar a ti, é dizer de joelhos que O adoramos?
Não é verdade Maria, que rezar a ti, é chorar de felicidade, rindo como tolos?
E cobrir de ternura os nossos amores pagãos, não é florir de orações cada noite, cada dia?

Não é verdade Maria, que cantar para ti, é semear os nossos caminhos com singela poesia?
Não é verdade Maria, que cantar para ti, é vermos em cada coisa uma coisa bela?
E cantar para a criança que virá em breve, não é cantar para o Menino que repousa nos teus braços?
Não é verdade Maria? Não é verdade Maria?


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ENTREVISTA

Jacques Brel apanhado atrás da cortina depois de mais um concerto, ainda ofegante, fala de si e da sua carreira, fala de ternura/amor e de poesia/canções, e transpira e fuma, e fuma e transpira...