quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LES VOCALISES DE BREL




Em 1977 NICOLAS PEYRAC gravou no deu disco ET LA FÊTE EST FINIE uma canção homenageando Jacques Brel. Trata-se da canção LES VOCALISES DE BREL e que transcrevo na íntegra aqui a seguir. Brel teve conhecimento desta canção composta pelo seu colega de profissão.

LES VOCALISES DE BREL


Sur Amsterdam traînent encore les vocalises de Brel
Pour que la grisaille du port s'habille d'éternel
Et les navires parlent entre eux de celui qui savait les vieux
Quand la Fanette avait ses yeux
Sur Amsterdam traînent encore les vocalises de Brel
Comme des restes de remords entre terre et ciel
Et les nuages volent bas, encore plus bas qu'en ce temps-là
Comme s'ils pleuraient pour ces gens-là

Et je chante, toi, tu t'éloignes, valse lente
Image morte mais vivante au coeur de tous ceux qui voulaient
Que tu chantes les bourgeois bouffis, les servantes
Tous les paumés qui se lamentent et qui vivent de leurs secrets

Sur Amsterdam traînent encore les vocalises de Brel
Comme écume sur mer du Nord, gouttelettes arc-en-ciel
Et les marins chantent toujours au son d'un accordéon lourd
Qui pleurerait du mal d'amour

Et je chante, toi, tu t'éloignes, valse lente
Image morte mais vivante au coeur de tous ceux qui voulaient
Que tu chantes les bourgeois bouffis, les servantes
Tous les paumés qui se lamentent et qui vivent de leurs secrets

Sur Amsterdam traînent encore les vocalises de Brel
Et tous tes mots frappent si fort dans ma mémoire rebelle
Que j'ai voulu te dire ce soir, qu'un jour au fond de ma nuit noire
Tes chansons m'entrouvirent l'espoir

Et je chante, je chante.

Neste vídeo NICOLAS PEYRAC canta o seu grande êxito Et mon père onde, entre outros, fala de Brel...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

RADIO 1




A estação de rádio belga RADIO 1 elegeu as 100 mais belas canções belgas de sempre. Entre elas estão cinco canções de Jacques Brel, Ne me quitte pas, Amsterdam, La chanson des vieux amants, Le plat pays e Marieke.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ALMOND ALONE



Marc Almond (ex Soft Cell) gravou em 1989 um disco intitulado JACQUES com treze canções de Brel em inglês. Uma dessas canções é ALONE, no original SEUL.
É notória a fraquíssima qualidade do texto de Eric Blau, que o escreveu para o musical “Jacques Brel is well and alive and living in Paris”. O original de Brel não tem comparação nem literária nem poética. Para comparação transcrevo o texto em inglês. O texto de Brel pode ser consultado no post de ontem.

ALONE

We find love, you and I, It’s a new game to play
Then we tell our first lie, And see a love go away
And we find we’re alone

We rush on, you and I, we don’t need love at all
We need thrills, we need speed, and we stumble and fall
And we find we’re alone

We’re loyal, you and I, to flowers that are dead
We forget how to cry, and save photos instead
And we find we’re alone

We hear guns, you and I, and we ask what is that
Then we open The Times, we’re informed where it’s at
And we find we’re alone

We’re moral you and I, we stand for what’s right
We slaughter our evil bygones,
And in life we find we’re alone

We’re lucky, you and I, we’re alive and secure
But in the bank and the church we can never be sure
And we find we’re alone

We’ve made it, you and I, we have glory and fame
But we never know why, we feel so ashamed
And we find we’re alone

We’ve power, you and I, but what good is that now?
We’d build a new world, if we only knew how
And we find we’re alone

We are old you and I, we beg warmth from the sun
In the dreams that we dream, we ask, “What have we done?”
And we find we’re alone

domingo, 5 de dezembro de 2010

SEUL



Jacques Brel fazia mais de 300 espectáculos por ano. Ao longo da sua vida fez milhares e milhares de quilómetros entre casas de espctáculo, teatros, cabarets e casinos. Tinha uma mala que o acompanhava sempre e onde guardava, além das roupas, uma pasta com os textos que ia escrevendo. E sozinho no banco de trás do carro que o transportava por percursos intermináveis, ou sozinho no camarim antes do espectáculo, ou sozinho no quarto do hotel, ele criava os poemas e as melodias a que depois dava a forma de canção com os seus músicos.
Este texto define essa solidão. Traduz a sua lucidez e o seu desespero perante a morte. Perante a morte está-se sempre só.


(1959)

Somos dois, meu amor, e o amor canta e ri…
Mas no fim do dia, nos lençóis do tédio, encontramo-nos sós...
Somos dez, a defender os vivos pelos mortos…
Mas, amarrados pelas suas cinzas ao poste do remorso, encontramo-nos sós...
Somos cem, a dançar no baile da gente bem…
Mas, na última lanterna, no primeiro desgosto, encontramo-nos sós...
Somos mil contra mil que se acham os mais fortes…
Mas, nessa hora estúpida onde resultam dois mil mortos, encontramo-nos sós...
Somos um milhão a rir do milhão à nossa frente…
Mas, dois milhões de gargalhadas não impedem que ao espelho nos encontremos sós...
Somos mil, sentados no cume da fortuna…
Mas, com medo de ver tudo derreter-se debaixo da Lua, encontramo-nos sós...
Somos cem que a glória convida sem razão…
Mas, quando a sorte acaba, quando termina a canção, encontramo-nos sós...
Somos dez, a dormir no leito do poder…
Mas, perante esses exércitos que se enterram em silêncio, encontramo-nos sós...
Somos dois, a envelhecer contra o tempo que nos espanca…
Mas, logo que vemos a decadência a chegar, risonha, encontramo-nos sós...



sábado, 4 de dezembro de 2010

LA BD CHANTE BREL (4)

Jacques Brel com treze anos frequentava um colégio católico em Bruxelas. O Instituto São Luís.
Foi seu colega nessa altura um jovem chamado Pierre Culliford, que tal com o Brel veio a gozar de reputação internacional. Não no campo da música mas das artes gráficas. Ele foi o criador dos dos famosísimos bonequinhos azuis conhecidos por SCHTROUMPFS. O pseudónimo de Pierre Culliford era PEYO.
Hoje o Instituto de São Luís tem o piso Brel e o piso Peyo. Ambos os pisos são destinados às classes da instrução primária.
Ninguém sabe se os dois alunos do Colégio São Luís, Brel e Peyo, alguma vez trocaram alguma palavra, apesar de, com certeza, se terem cruzado nos corredores do colégio.
Esta vinheta está na contribuição que PEYO deu para a ilustração da canção de Brel ROSA e está incluída no livro CHANSONS, de 1988, da Editora Brain Factory International, lda.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

LA BD CHANTE BREL (3)

Mais duas vinhetas extraídas de recriações gráficas de canções de Jacques Brel. São as canções Le plat pays e Regarde bien petit.
Os ilustradores são respectivamente TIBET e DERIB.
Tibet, aliás Gilbert Gascard (29/10/1931 - 2/1/2010) ficou famoso no mundo da BD pela sua criação do Ric Hochet.
Derib, aliás Claude de Ribaupierre, suíço mas trabalhando sempre na Bélgica, foi o autor de Buddy Longway.



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

LA BD CHANTE BREL (2)

Muitos autores de Banda Desenhada têm-se inspirado nas canções de Jacques Brel para dar a conhecer o seu trabalho a um público mais vasto, ajudando ao mesmo tempo a divulgar a obra de Brel. Esta relação biunívoca tem dado bons frutos que estão publicados sobretudo em França, Bélgica e Espanha.
E mostro hoje dois exemplos dessa harmonia entre a palavra do poeta e o traço do desenhador. Duas vinhetas de dois autores franceses : FRED (criador do Philémon) e Olivier MARTIN. Ambos ilustraram a canção Les bourgeois.