sábado, 4 de dezembro de 2010

LA BD CHANTE BREL (4)

Jacques Brel com treze anos frequentava um colégio católico em Bruxelas. O Instituto São Luís.
Foi seu colega nessa altura um jovem chamado Pierre Culliford, que tal com o Brel veio a gozar de reputação internacional. Não no campo da música mas das artes gráficas. Ele foi o criador dos dos famosísimos bonequinhos azuis conhecidos por SCHTROUMPFS. O pseudónimo de Pierre Culliford era PEYO.
Hoje o Instituto de São Luís tem o piso Brel e o piso Peyo. Ambos os pisos são destinados às classes da instrução primária.
Ninguém sabe se os dois alunos do Colégio São Luís, Brel e Peyo, alguma vez trocaram alguma palavra, apesar de, com certeza, se terem cruzado nos corredores do colégio.
Esta vinheta está na contribuição que PEYO deu para a ilustração da canção de Brel ROSA e está incluída no livro CHANSONS, de 1988, da Editora Brain Factory International, lda.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

LA BD CHANTE BREL (3)

Mais duas vinhetas extraídas de recriações gráficas de canções de Jacques Brel. São as canções Le plat pays e Regarde bien petit.
Os ilustradores são respectivamente TIBET e DERIB.
Tibet, aliás Gilbert Gascard (29/10/1931 - 2/1/2010) ficou famoso no mundo da BD pela sua criação do Ric Hochet.
Derib, aliás Claude de Ribaupierre, suíço mas trabalhando sempre na Bélgica, foi o autor de Buddy Longway.



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

LA BD CHANTE BREL (2)

Muitos autores de Banda Desenhada têm-se inspirado nas canções de Jacques Brel para dar a conhecer o seu trabalho a um público mais vasto, ajudando ao mesmo tempo a divulgar a obra de Brel. Esta relação biunívoca tem dado bons frutos que estão publicados sobretudo em França, Bélgica e Espanha.
E mostro hoje dois exemplos dessa harmonia entre a palavra do poeta e o traço do desenhador. Duas vinhetas de dois autores franceses : FRED (criador do Philémon) e Olivier MARTIN. Ambos ilustraram a canção Les bourgeois.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

QU'AVONS-NOUS FAIT, BONNES GENS



Mais uma canção dos princípios da carreira de Brel. A sua veia lírica levava-o a escrever canções que eram autênticos panfletos de paz e amor. Em “Qu’avons-nous fait ,bonnes gens", de 1956, o poeta lamenta-se porque no mundo há falta de amor, de bondade, de esperança e até de alegrias imensas… E nós, boa gente, o que é que fizemos a tudo isso ?

Nestes dois videos podemos ouvir duas versões da mesma canção. A primeira com a presença de uma orquestra e a segunda apenas a voz de Brel acompanhado pela sua viola.

QUE FIZEMOS NÓS, BOA GENTE (1956)

Que fizemos nós, boa gente, digam-me, da bondade do mundo?!
Se a escondemos no meio de um bosque, não me admirava nada...
Se a enterrámos a sete palmos de terra, isso já nem me espantava...
E é pena não ver mais, em cada noite, em cada manhã, pelas estradas,
sobre as calçadas, uma multidão de pequenos São Martinhos...

Que fizemos nós, boa gente, digam-me, de todo o amor do mundo?!
Se o vendemos para não sei quê, não me admirava nada...
Se o vendemos para fazer a guerra, isso já nem me espantava...
E é pena não ver mais os apaixonados que têm vinte anos contarem mil e uma histórias...
Já não ardem mais as fogueiras de São João...

Mas, havemos de reencontrar, boa gente, creiam-me, todas essas alegrias imensas...
Vamos encontrá-las no fundo de cada um de nós, não me admirava nada...
Vamos encontrá-las debaixo da nossa vaidade, isso já não me espantava...
E isso vai ser bom, porque poderemos enfim ver outros, não somente os loucos,
a cantar o amor, a cantar a esperança, e cantá-los com palavras nossas...
Porque esperamos nós, boa gente, para encontrar essas coisas? Digam-me...
Porque esperamos nós, boa gente, digam-me lá....


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LE COLONEL










O CORONEL
(1958)

Coronel, vamos tocar os tambores logo que o dia nasça, e acordar todos esses básicos?...
Coronel, é preciso fazer soar todos os clarins para reunir os esquadrões?...
Coronel, coronel! Estamos à espera!
O coronel aborrece-se, desfolha uma flor, e sonha com a sua amada que lhe roubou o coração...
A sua amada é tão meiga e tão bela, na sua túnica, ao sol,
que cada dia passado perto dela se enfeita de prodígios...

Coronel, disparamos a artilharia logo que chegue o inimigo, ou avançamos com a infantaria?...
Coronel, é preciso carregar a toda a força ou avançar em passo fantasma?...
Coronel, coronel... Diga-nos lá!
O coronel aborrece-se, desfolha uma flor, e sonha com a sua amada que lhe roubou o coração...
Os seus beijos suaves como veludo, docemente,
levaram ao Estado Maior do amor o coronel deslumbrado...

Coronel, se alguma vez for ferido é preciso a gente preocupar-se a procurar um padre?
Coronel, depois de morrer o boticário vamos chamar o veterinário?...
Coronel, coronel, que havemos de fazer?
O coronel aborrece-se, desfolha uma flor, e sonha com a sua amada que lhe roubou o coração...
Ele vê-a e estende-lhe os braços... Ele vê-a e chama pelo seu nome.
E é falando-lhe baixinho que ele entra no céu...
Este coronel que morreu, e que morreu de tristeza, ferido com o seu amor no coração,
Este coronel, longe da sua amada, é o meu coração longe do teu...
É o meu coração longe do teu...


sábado, 27 de novembro de 2010

PIETER EMBRECHTS...




Segundo informação das Edições Jacques Brel PIETER EMBRECHTS and THE NEW RADIO KINGS têm um novo CD - Time is a thief - onde está incluída a versão inglesa de QUAND ON N’A QUE L’AMOUR.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

L'HOMME DANS LA CITÉ



Brel é acompanhado pela primeira vez por François Rauber aqui nesta canção – L’HOMME DANS LA CITÉ – gravada em Abril de 1958. Segundo Jean Clouzet, um dos estudiosos da obra de Brel, a canção L’homme dans la cité foi dedicada ao General De Gaulle, que teria chegado ao poder dois meses depois, tendo como cenário de fundo a guerra da Argélia.
Segundo o mesmo Clouzet QUAND ON N’A QUE L’AMOUR, de 1956, (o primeiro grande êxito do cantor), foi escrita em honra da sublevação húngara contra a invasão soviética nesse mesmo ano.
Para ouvir O HOMEM NA CIDADE clique AQUI.

O HOMEM NA CIDADE (1958)

Oxalá que nos chegue um homem às portas da cidade e que o amor seja o seu reino e a esperança a sua convidada. E que ele se pareça com as árvores que o meu pai plantou, altivas e nobres como uma noite de Verão, e que os risos das crianças, que lhe tilintam na cabeça, o salpiquem de reflexos de festa...

Oxalá que nos chegue um homem às portas da cidade e que o seu olhar seja um salmo feito de sóis resplandecentes... Que ele não se ajoelhe diante todo o ouro de um senhor, mas somente para colher uma flor, e que recuse para sempre, as soluções que sejam sem amor...

Oxalá que nos chegue um homem às portas da cidade, e que não seja um bálsamo, mas uma força, uma claridade, e que a sua fúria seja justa, jovem e bela como uma tempestade... Que ele não seja nunca, nem velho nem sábio, e que torne a expulsar do templo o escritor sem opinião, vendilhão de nada, vendilhão da discórdia...

Oxalá que nos chegue um homem às portas da cidade, antes que os outros homens que vivem dentro da cidade, humilhados por esperanças dilaceradas e carregados com a sua ira indiferente, comecem a erguer novas barricadas na calada da noite...