quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SANS EXIGENCES

SANS EXIGENCES é a uma das cinco canções gravadas em 1977 mas que não foram incluídas no álbum Marquises. Segundo Gilles Verlant, em Novembro desse ano, Eddie Barclay confirmou a BREL, por escrito, que respeitou as suas instruções : Os cinco títulos não deveriam figurar no novo disco, a não ser que ele recebesse outras instruções. Não se tratam, portanto, de maquetas, mas de produções prontas a editar. Talvez Brel pensasse gravar um disco no ano seguinte e já estava a reservar canções para o preencher.

SEM EXIGÊNCIAS (1977)

Eu não era mais que o seu amante, vivia bem de tempos em tempos, mas aos poucos, cada vez menos. Maldizia a minha última oportunidade ao longo da sua indiferença. Eu queria ser a minha única testemunha mas faltava-me o descaramento, porque, vendo-me sem exigências, ela acreditava que não me faltava nada…

Eu protegia os seus menores passos, e passava discretamente. Eu descobri a maneira de viver a minha solidão, a dois. Depois tornei-me o seu hábito, e tornei-me no outro que chega quando ela regressa, e vendo-me sem exigências, ela acreditava que não me faltava nada…

A água quente nunca mordeu, mas só nos resta banharmo-nos nela. E a ela só lhe resta, cada vez mais, arrefecer e censurar-nos que já não há sol suficientel. A água quente à água quente é parecida. Ela confunde fraqueza com paciência e vendo-me sem exigências, ela queria-me sem mistérios…

Se sofria a sós, sofria a dois e cheguei a rezar a Deus. Mas sabemos que ele é demasiado velho e que já não é senhor de coisa alguma. E foi preciso ser arrogante, se bem que tremendo de indulgência, para o meu coração não ousar levantar a mão… Vendo-me sem exigências ela acreditava que não me faltava nada…

E ela partiu como partem esses pássaros que descobrimos, depois de termos amado vê-los saltitar, no dia em que as suas asas se abrem, que eles se aborreciam entre as nossas mãos. Ela partiu como se fosse de férias e o céu, desde então, ficou um pouco mais carregado. Eu morro de indiferença e ela crê que se cobre de amor.


Sans Exigences é ilustrada neste video com imagens do filme L'EMMERDEUR.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

LUZ CHABANE



Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre mais um espectáculo com o reportório do Grand Jacques. A cantora belga LUZ CHABANE vai apresentar o seu novo disco IMPOSSIBLE RÊVE no próximo dia 20 (Sábado) em Bruxelas no Café Teatro “Le Petit Chapeau Rond Rouge”.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ONDAS MARTENOT

No dia 13 de Setembro passado falei AQUI do instrumento THEREMIN e de um dos seus mais conhecidos executantes PETER PRINGLE. Na altura falei também de outro instrumento com um som muito semelhante inventado por Maurice Martenot, que ficou conhecido por ONDAS MARTENOT, e que foi utilizado por Brel para a primeira versão de Ne me quitte pas, em 1959. Em 1959 o instrumento foi tocado em estúdio por Sylvette Allard.

Ora, na semana passada recebi daCompagnie Brel Trente ans Déjà! mais informações sobre este instrumento.
Maurice Martenot (1898-1980) foi militar na primeira guerra mundial na área das transmissões. Ao manusear as válvulas tríodo ele apercebeu-se da pureza das vibrações produzidas por essas válvulas electrónicas e fez variar a intensidade de corrente por meio de um condensador. Aperfeiçoou o seu invento e só em 1929 apresentou as suas “ondas musicais” na Ópera de Paris acompanhado ao piano pela sua irmã Ginette.
Neste vídeo um especialista de Ondas Martenot explica como se toca o instrumento.

Neste outro vídeo os Beach Boys utilizaram um Theremin para as suas Good Vibtrations.

sábado, 13 de novembro de 2010

PRESENTES DE NATAL






Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre estas duas edições musicais que poderão proporcionar um belo presente de Natal para quem gosta de música francesa, e de Brel em particular.
Trata-se da caixa com “Três poetas” com um disco de Brel, outro de Brassens e outro de Ferré, pelo preço de 20 €, e da caixa com 13 CDs “Integral dos álbuns originais” do Grand Jacques por 55€.
Estes discos estão à venda na loja internet das Edições Jacques Brel.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DEMAIN L’ON SE MARIE




Dentro do vincado estilo lírico da primeira fase da carreira de Brel aparece esta canção DEMAIN L’ON SE MARIE, com o subtítulo “la chanson des fiancés” (a canção dos noivos). Brel grava esta canção em 1958, depois de 8 anos de casamento e à espera da terceira filha. Porém, ao lermos o texto encontramos alguma resignação nas palavras do autor. Depois de ouvirmos a interpretação (que eu não encontrei na net) comprova-se realmente a falta de entusiasmo pelo tema escolhido – amanhã vamo-nos casar!
Brel tem a colaboração de uma cantora - Janine de Waleyne - para cantar o refrão da canção. Depois quando ele próprio ataca nas estrofes fá-lo com alguma indiferença. Nada do Brel arrebatado e intenso dos anos seguintes.

CASAMO-NOS AMANHÃ (a canção dos noivos) (1957)

Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção…
Já que amanhã se abre a vida, diz-me o que vamos cantar...
Forçaremos o amor a embalar a nossa vida com uma canção bonita que cantaremos a dois…
Forçaremos o amor, se tu quiseres minha querida, a ser nas nossas vidas não mais que um humilde ferreiro...

Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção…
Já que amanhã se abre a vida, diz-me o que vamos ver...
Forçaremos os nossos olhos a não ver nada mais que as coisas lindas que vivem em cada coisa…
Forçaremos os nossos olhos a não serem nada mais que uma esperança,
que vamos oferecer um ao outro, como quem oferece uma rosa...

Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção…
Já que amanhã se abre a vida, diz-me ainda aonde vamos...
Forçaremos as portas dos países do Oriente a abrirem-se diante de nós, diante do nosso sorriso… Forçaremos, minha querida, o sorriso das gentes a não serem nada mais que uma alegria que se anseia...
Já que amanhã se abre a vida, abramos a porta a estas canções...
Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

LA BOURRÉE DU CÉLIBATAIRE



Esta canção - La bourrée du célibataire – está escrita no original utilizando tempos de verbos errados para lhe dar um cunho mais popular, tão ao gosto do povo rústico que dançava a “bourreé”. Esta dança é originária da província de Auvergne no centro da França. É uma dança viva em dois tempos que faz uso de ritmos simples à semelhança da gavotte.
Os textos destas “bourrées” eram muito simples e sobretudo de cariz humorístico.
Segundo Gilles Verlant, Brel estreou esta canção no primeiro espectáculo no teatro Trois Baudets em 1957.

A DANÇA DO SOLTEIRO (1957)

A rapariga que eu vier a amar terá um coração tão sábio que num recanto da sua margem o meu coração se aconchegará... Quero que ela tenha uma pele tão macia que possa aquecer os meus dedos quando chegarem as noites de Dezembro... E eu amá-la-ei, e ela amar-me-á... E os nossos corpos arderão numa só fogueira de felicidade... Entraremos a cantar pelas muralhas da vida, oferecendo os nossos vinte anos, para que ela seja mais bela...
Não, não serás tu, a rapariga que eu vou amar... Não serás tu, a rapariga que eu vou amar...

A rapariga que eu vier a amar terá uma casa baixinha, simples e branquinha, como um estado de graça... Terá noites sem dormir só para me falar das crianças que repousam... E eu amá-la-ei, e ela amar-me-á... E ofereceremos um ao outro, todo o amor que tivermos... E vamos embandeirar de sol a nossa vida antes de ficarmos velhos...
Não, não serás tu, a rapariga que eu vou amar... Não serás tu, a rapariga que eu vou amar...

A rapariga que eu vier a amar vai envelhecer sem tristeza, entre o calor da lareira e a minha grande ternura... Será como um bom vinho que fica melhor todas as manhãs... E eu amá-la-ei, e ela amar-me-á... E faremos canções com as nossas alegrias antigas, e deixaremos a terra com os olhos cheios um do outro, para florir o inferno com a nossa felicidade...
Ah, que venha já ter comigo a rapariga que eu vou amar... Que venha já ter comigo a rapariga que eu vou amar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JEANE MANSON



JEANE MANSON é uma americana em Paris. É actriz de cinema e de teatro, cantora e pianista.
Tem feito variados espectáculos musicais em França e entre eles “L’Homme de la Mancha”. Neste vídeo ela aparece no Cirque d’Hiver a interpretar 3 excertos deste musical traduzido e adaptado para francês por Jacques Brel.