sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DEMAIN L’ON SE MARIE




Dentro do vincado estilo lírico da primeira fase da carreira de Brel aparece esta canção DEMAIN L’ON SE MARIE, com o subtítulo “la chanson des fiancés” (a canção dos noivos). Brel grava esta canção em 1958, depois de 8 anos de casamento e à espera da terceira filha. Porém, ao lermos o texto encontramos alguma resignação nas palavras do autor. Depois de ouvirmos a interpretação (que eu não encontrei na net) comprova-se realmente a falta de entusiasmo pelo tema escolhido – amanhã vamo-nos casar!
Brel tem a colaboração de uma cantora - Janine de Waleyne - para cantar o refrão da canção. Depois quando ele próprio ataca nas estrofes fá-lo com alguma indiferença. Nada do Brel arrebatado e intenso dos anos seguintes.

CASAMO-NOS AMANHÃ (a canção dos noivos) (1957)

Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção…
Já que amanhã se abre a vida, diz-me o que vamos cantar...
Forçaremos o amor a embalar a nossa vida com uma canção bonita que cantaremos a dois…
Forçaremos o amor, se tu quiseres minha querida, a ser nas nossas vidas não mais que um humilde ferreiro...

Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção…
Já que amanhã se abre a vida, diz-me o que vamos ver...
Forçaremos os nossos olhos a não ver nada mais que as coisas lindas que vivem em cada coisa…
Forçaremos os nossos olhos a não serem nada mais que uma esperança,
que vamos oferecer um ao outro, como quem oferece uma rosa...

Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção…
Já que amanhã se abre a vida, diz-me ainda aonde vamos...
Forçaremos as portas dos países do Oriente a abrirem-se diante de nós, diante do nosso sorriso… Forçaremos, minha querida, o sorriso das gentes a não serem nada mais que uma alegria que se anseia...
Já que amanhã se abre a vida, abramos a porta a estas canções...
Já que amanhã nos casamos, aprendamos a mesma canção...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

LA BOURRÉE DU CÉLIBATAIRE



Esta canção - La bourrée du célibataire – está escrita no original utilizando tempos de verbos errados para lhe dar um cunho mais popular, tão ao gosto do povo rústico que dançava a “bourreé”. Esta dança é originária da província de Auvergne no centro da França. É uma dança viva em dois tempos que faz uso de ritmos simples à semelhança da gavotte.
Os textos destas “bourrées” eram muito simples e sobretudo de cariz humorístico.
Segundo Gilles Verlant, Brel estreou esta canção no primeiro espectáculo no teatro Trois Baudets em 1957.

A DANÇA DO SOLTEIRO (1957)

A rapariga que eu vier a amar terá um coração tão sábio que num recanto da sua margem o meu coração se aconchegará... Quero que ela tenha uma pele tão macia que possa aquecer os meus dedos quando chegarem as noites de Dezembro... E eu amá-la-ei, e ela amar-me-á... E os nossos corpos arderão numa só fogueira de felicidade... Entraremos a cantar pelas muralhas da vida, oferecendo os nossos vinte anos, para que ela seja mais bela...
Não, não serás tu, a rapariga que eu vou amar... Não serás tu, a rapariga que eu vou amar...

A rapariga que eu vier a amar terá uma casa baixinha, simples e branquinha, como um estado de graça... Terá noites sem dormir só para me falar das crianças que repousam... E eu amá-la-ei, e ela amar-me-á... E ofereceremos um ao outro, todo o amor que tivermos... E vamos embandeirar de sol a nossa vida antes de ficarmos velhos...
Não, não serás tu, a rapariga que eu vou amar... Não serás tu, a rapariga que eu vou amar...

A rapariga que eu vier a amar vai envelhecer sem tristeza, entre o calor da lareira e a minha grande ternura... Será como um bom vinho que fica melhor todas as manhãs... E eu amá-la-ei, e ela amar-me-á... E faremos canções com as nossas alegrias antigas, e deixaremos a terra com os olhos cheios um do outro, para florir o inferno com a nossa felicidade...
Ah, que venha já ter comigo a rapariga que eu vou amar... Que venha já ter comigo a rapariga que eu vou amar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JEANE MANSON



JEANE MANSON é uma americana em Paris. É actriz de cinema e de teatro, cantora e pianista.
Tem feito variados espectáculos musicais em França e entre eles “L’Homme de la Mancha”. Neste vídeo ela aparece no Cirque d’Hiver a interpretar 3 excertos deste musical traduzido e adaptado para francês por Jacques Brel.

sábado, 6 de novembro de 2010

D.QUIXOTE ESTÁ DE VOLTA


Don Quixote, de Honoré Daumier (óleo sobre tela)

L’HOMME DE LA MANCHA volta à cena no Teatro Capitole, Toulouse, entre 12 e 19 de Dezembro. Tem direcção musical de Didier Benetti e encenação de Jean-Louis Grinda.
Nos principais papéis estão Marie-Ange Todorovitch – Aldonza, Laure Baert - Antonia, Christine Solhosse - Governanta, Nicolas Cavallier – D.Quixote/Cervantes e Rodolphe Briand – Sancho Pança.
As aventuras trágico cómicas do famoso Senhor de La Mancha, a cavalo no seu velho Rocinante, ao lado do seu escudeiro Sancho Pança, é transposta para o mundo do musical por Dale Wasserman, que também foi o autor da peça “Voando sobre o ninho Cucos”. O destino de Don Quixote, identificado com o do seu autor, Miguel de Cervantes, é o pano de fundo para a história épica de uma busca impossível, da propensão universal de sonhar a sua própria vida através das histórias, com música de Mitch Leigh e nos textos em francês de Jacques Brel, ele próprio um criador do personagem de Dom Quixote.
A primeira apresentação deste musical, com Brel no papel de D.Quixote foi em 4 de Outubro de 1968 no Teatro de la Monnaie em Bruxelas.


O texto em português desta canção pode ser lido AQUI neste blog.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

EUROP'A SAX



A Associação Internacional A. Sax apresenta em Dinant, Bélgica, no quadro do 5º concurso internacional, o seu agrupamento de mais de 1500 saxofonistas, em 13 de Novembro, pelas 18 horas.
Os músicos vão tocar uma peça dividida em três partes de Alain Crépin, professor do Conservatório Superior de Bruxelas. A primeira parte evoca a Espanha com uma composição de ritmo muito próximo do passo doble. A segunda parte evoca a Bélgica através de excertos de canções de JACQUES BREL (Bruxelles, Le plat pays, etc). A terceira parte da peça de Crépin evoca a Hungria com uma rapsódia inspirada em Bartok e Kodaly.
Adolphe Sax, o inventor do saxofone , nasceu em Dinant, em 1814.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JORDENS / BREL




Das Edições JACQUES BREL recebi a informação de mais um espectáculo de homenagem a Brel. Trata-se de FILIP JORDENS (já AQUI falado neste blog) que tem um espectáculo de 4 a 13 de Novembro no Espaço Delvaux em Watermael, Boitsfort, na Bélgica.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

LES AMANTS DE COEUR



Esta canção, Les amants de coeur, é assinada por Brel e por Rod McKuen.
Este senhor McKuen é o autor da famigerada versão inglesa de LE MORIBOND e que dá pelo nome de Seasons in the Sun. O tal êxito dos anos 60 que correu mundo na voz do canadiano Terry Jacks, e depois por muitos outros cantores nos mais variados idiomas, estilos e interpretações. Com tal sucesso da canção o senhor McKuen deve ter ficado rico com os direitos de autor da letra inglesa, apesar de ter prestado um mau serviço a Brel. Com a versão inglesa McKuen deturpou todo o conteúdo do texto breliano e com isso deu a conhecer aos anglo saxões uma imagem de um Brel muito vulgar, para não dizer piroso, tal a baixa qualidade da tradução.
No entanto, Brel quis conhecer o autor de Seasons in the Sun e veio a saber que ele era também um cantautor. E pediu-lhe uma canção sua para traduzir para francês e incluir no seu reportório. McKuen cedeu-lhe a canção The lovers que Jacques Brel Traduziu para Les amants de coeur.


OS AMANTES DO CORAÇÃO (1964)

Eles amam-se, amam-se, rindo. Eles amam-se, amam-se para sempre. Eles amam-se ao longo do dia, eles amam-se tanto, tanto, que parecem anjos do amor, anjos doidos protegendo-se quando se encontram de fugida. Os amantes do coração...

Eles amam-se, amam-se loucamente, desfolhando-se longe das luzes… E desvendam-se como dois frutos, descobrindo que já não são dois… E abandonam-se suavemente. Reencontram-se no novo dia e adormecem mais felizes, os amantes do coração...

Eles amam-se, amam-se assustados, o coração molhado, latejante. Cada segundo é um medo que devora o coração à dentada... Eles sabem demasiado de encontros onde se fingem de caçadores, para não terem medo do lobo, os amantes do coração...

Eles amam-se, amam-se chorando. Cada dia um pouco menos amantes, depois de terem bebido todo o seu mistério... Tornam-se irmão e irmã, queimam as asas de inquietação. Transformam-se em dois hábitos, e então, trocam de companheiro, os amantes do coração...

Que se amem, que se amem rindo…Que se amem, para sempre… Que se amem ao longo do dia… Que se amem tanto, tanto, que pareçam anjos do amor, anjos doidos protegendo-se quando se encontram de fugida… Que se amem, os amantes do coração !!!


Esta é a versão original de Rod McKuen... THE LOVERS