JEANE MANSON é uma americana em Paris. É actriz de cinema e de teatro, cantora e pianista. Tem feito variados espectáculos musicais em França e entre eles “L’Homme de la Mancha”. Neste vídeo ela aparece no Cirque d’Hiver a interpretar 3 excertos deste musical traduzido e adaptado para francês por Jacques Brel.
L’HOMME DE LA MANCHA volta à cena no Teatro Capitole, Toulouse, entre 12 e 19 de Dezembro. Tem direcção musical de Didier Benetti e encenação de Jean-Louis Grinda. Nos principais papéis estão Marie-Ange Todorovitch – Aldonza, Laure Baert - Antonia, Christine Solhosse - Governanta, Nicolas Cavallier – D.Quixote/Cervantes e Rodolphe Briand – Sancho Pança. As aventuras trágico cómicas do famoso Senhor de La Mancha, a cavalo no seu velho Rocinante, ao lado do seu escudeiro Sancho Pança, é transposta para o mundo do musical por Dale Wasserman, que também foi o autor da peça “Voando sobre o ninho Cucos”. O destino de Don Quixote, identificado com o do seu autor, Miguel de Cervantes, é o pano de fundo para a história épica de uma busca impossível, da propensão universal de sonhar a sua própria vida através das histórias, com música de Mitch Leigh e nos textos em francês de Jacques Brel, ele próprio um criador do personagem de Dom Quixote. A primeira apresentação deste musical, com Brel no papel de D.Quixote foi em 4 de Outubro de 1968 no Teatro de la Monnaie em Bruxelas.
O texto em português desta canção pode ser lido AQUI neste blog.
A Associação Internacional A. Sax apresenta em Dinant, Bélgica, no quadro do 5º concurso internacional, o seu agrupamento de mais de 1500 saxofonistas, em 13 de Novembro, pelas 18 horas. Os músicos vão tocar uma peça dividida em três partes de Alain Crépin, professor do Conservatório Superior de Bruxelas. A primeira parte evoca a Espanha com uma composição de ritmo muito próximo do passo doble. A segunda parte evoca a Bélgica através de excertos de canções de JACQUES BREL (Bruxelles, Le plat pays, etc). A terceira parte da peça de Crépin evoca a Hungria com uma rapsódia inspirada em Bartok e Kodaly. Adolphe Sax, o inventor do saxofone , nasceu em Dinant, em 1814.
Das Edições JACQUES BREL recebi a informação de mais um espectáculo de homenagem a Brel. Trata-se de FILIP JORDENS (já AQUI falado neste blog) que tem um espectáculo de 4 a 13 de Novembro no Espaço Delvaux em Watermael, Boitsfort, na Bélgica.
Esta canção, Les amants de coeur, é assinada por Brel e por Rod McKuen. Este senhor McKuen é o autor da famigerada versão inglesa de LE MORIBOND e que dá pelo nome de Seasons in the Sun. O tal êxito dos anos 60 que correu mundo na voz do canadiano Terry Jacks, e depois por muitos outros cantores nos mais variados idiomas, estilos e interpretações. Com tal sucesso da canção o senhor McKuen deve ter ficado rico com os direitos de autor da letra inglesa, apesar de ter prestado um mau serviço a Brel. Com a versão inglesa McKuen deturpou todo o conteúdo do texto breliano e com isso deu a conhecer aos anglo saxões uma imagem de um Brel muito vulgar, para não dizer piroso, tal a baixa qualidade da tradução. No entanto, Brel quis conhecer o autor de Seasons in the Sun e veio a saber que ele era também um cantautor. E pediu-lhe uma canção sua para traduzir para francês e incluir no seu reportório. McKuen cedeu-lhe a canção The lovers que Jacques Brel Traduziu para Les amants de coeur.
Eles amam-se, amam-se, rindo. Eles amam-se, amam-se para sempre. Eles amam-se ao longo do dia, eles amam-se tanto, tanto, que parecem anjos do amor, anjos doidos protegendo-se quando se encontram de fugida. Os amantes do coração...
Eles amam-se, amam-se loucamente, desfolhando-se longe das luzes… E desvendam-se como dois frutos, descobrindo que já não são dois… E abandonam-se suavemente. Reencontram-se no novo dia e adormecem mais felizes, os amantes do coração...
Eles amam-se, amam-se assustados, o coração molhado, latejante. Cada segundo é um medo que devora o coração à dentada... Eles sabem demasiado de encontros onde se fingem de caçadores, para não terem medo do lobo, os amantes do coração...
Eles amam-se, amam-se chorando. Cada dia um pouco menos amantes, depois de terem bebido todo o seu mistério... Tornam-se irmão e irmã, queimam as asas de inquietação. Transformam-se em dois hábitos, e então, trocam de companheiro, os amantes do coração...
Que se amem, que se amem rindo…Que se amem, para sempre… Que se amem ao longo do dia… Que se amem tanto, tanto, que pareçam anjos do amor, anjos doidos protegendo-se quando se encontram de fugida… Que se amem, os amantes do coração !!!
Esta é a versão original de Rod McKuen... THE LOVERS
No livro LA VALSE À MILLE RÊVES, de Eddy Przybylski, o autor conta que em 27 de Dezembro de 1962 Sacha Distel fez o Olympia e estreou uma canção feita por Jacques Brel. A canção tinha por título LES CROCODILES e foi encomendada pelo próprio Sacha Distel. Mais tarde este cantor incluiu a canção no lado B dum disco single.
Quando os vemos à segunda-feira não têm tostões Quando os vemos na terça-feira eles querem tostões Na quarta-feira e na quinta-feira eles ganham tostões Quando chega sexta-feira eles têm tostões Durante todo o dia de sábado eles contam os seus tostões E domingo até meio-dia, eles sonham com tostões Mas os quem, mas os quê, mas os como, mas os porquê Os crocodilos
Tu dizes-lhes que está tudo bem, não é normal Tu dizes-lhes que está tudo mal, é o geral Tu falas do geral e é um escândalo Tu falas de ti, é demasiado banal Então, tu falas de amor, é imoral Então tu dizes não importa o quê e é triunfal… Com os quem, com os quê, com os como, com os porquê Os crocodilos
De enterro em enterro lá os encontramos Dignos, dignos, dignos, dong, só se morre uma vez Eles lá vêm para chorar e chorarão E depois com a mão sobre o coração eles dirão O primeiro já partiu, era o melhor Em seguida, eles saem com a sua esposa, a filha e a irmã As peles de quem, as peles de quê, as peles de crocodilos…
Em Paris diz-se que eles vivem em Hong Kong Em Hong Kong diz-se que eles vivem em Paris Na minha casa diz-se que vivem lá em frente Lá em frente diz-se que eles vivem um pouco mais longe Mas eu tenho certeza que eles vivem em casa dos meus vizinhos E todos os vizinhos têm a certeza que eu sou um deles… Mas os quem, mas os quê, mas os como, mas os porquê Os crocodilos.
Não há registo videográfico de LES CROCODILES. Para quem não sabe quem era Sacha Distel aqui fica um vídeo com uma canção bem ao estilo deste cantor.
Em L’AMOUR EST MORT Jacques Brel revisita A canção dos velhos amantes. Mas agora com amargura, com ressentimentos. Sem reconciliação possível. Esta canção foi também deixada fora do lote que integrou Les Marquises e só foi revelada ao público em 2003.
Eles nada mais têm a se maldizer, eles agridem-se em silêncio. O ódio tornou-se a sua ciência, os gritos tornaram-se as suas gargalhadas. O amor morreu. O amor está vazio e juntou-se às gaivotas. A grande casa está lívida e as portas batem constantemente.
Eles esqueceram-se que há pouco atravessaram Strasbourg, rindo, e pareceu-lhes bem mais pequeno que uma grande praça dos arredores. Eles esqueceram-se dos sorrisos que espalharam à sua volta...Quando eu te falava de apaixonados, era a eles que eu gostava de descrever...
Por volta do meio-dia abrem-se as tardes que rompem os sinos. É sempre o mesmo redil mas as ovelhas estão enfurecidas. Ele sonha com velhas amantes, ela inventa o seu próximo amante. Eles já não vêem nos seus filhos mais do que os defeitos que o outros lhes deixou...
Esquecerem os bons tempos onde a manhã sorria, quando ele lhe recitava Hamlet, nu em pêlo, e em alemão. Esqueceram-se que viveram a dois e queimaram mil vidas. Quando falava de alegria de viver, era deles que falava...
O piano não é mais que um móvel, a cozinha chora algumas sandes. Eles parecem-se com dois derviches que rodopiam na mesma casa. Ela esqueceu-se que cantava e ele esqueceu-se que ela cantava. Eles assassinam as suas noitadas lendo livros fechados...
Eles esqueceram-se que noutros tempos navegaram de festa em festa. Com esforço inventam-se festas que nunca existriram. Eles esqueceram as virtudes da fome e do frio quando dormiam dentro de duas malas... E, nós, minha querida??? Como vais? Como vais???
Neste vídeo, que ilustra “L’amour est mort”, foram usados excertos do making of de FRANZ, um filme realizado por Brel em 1972 e onde o cantor contracena com Barbara. Já se falou AQUI neste blog deste filme.