O actor JEAN CLAUDE VAN DAMME, de origem belga – nasceu em Bruxelas em 1960 – mais conhecido por ser um especialista em artes marciais vai participar num programa de televisão no canal belga daRTL-TVI . A emissão que será transmitida amanhã, dia 17, pelas 20H20M, será uma homenagem ao mundialmente conhecido actor, com reportagens, surpresas, encontros com velhos conhecidos e amigos e uma saudação especial ao seu cantor preferido, Jacques Brel. Assim, a cantora belga Maurane foi convidada para ir ao programa cantar “Quand on n’a que l’amour”.
A BASTILHA é também editada em 1955, mas, de certeza, escrita muito antes. Brel, com a sua educação cristã e conservadora, nos seus textos de juventude escrevia coisas como "destruíram a Bastilha e ficou tudo na mesma" ou pior ainda "meu amigo, eu acredito que tudo se pode arranjar, sem medos, mesmo sem insultar os burgueses...". Claro que rapidamente mudou ideias e poucos anos depois tinha outra opinião muito diferente sobre os burgueses.
Meu amigo que acreditas que tudo deve mudar, achas-te no direito de ir por aí fora matar os burgueses? Se ainda acreditas que é preciso descer à podridão das ruas para alcançar o poder... Se ainda acreditas no sonho dessa grande noite onde temos que enforcar os nossos inimigos, Digo-te que doravante apesar da tua sinceridade nenhum sonho merece uma guerra... Destruíram a Bastilha e ficou tudo na mesma, destruíram a Bastilha quando o que era preciso era amar...
Meu amigo que acreditas que nada deve mudar, achas-te no direito de viver e de pensar burguesmente? Se ainda acreditas que é preciso nós defendermos uma felicidade conquistada à custa de outras felicidades... Se ainda acreditas que é por eles terem medo de ti que te saúdam, em vez de te enforquem, Digo-te que doravante apesar da tua sinceridade, nenhum sonho merece uma guerra... Destruíram a Bastilha e ficou tudo na mesma, destruíram a Bastilha quando o que era preciso era amar...
Meu amigo, eu acredito que tudo se pode arranjar, sem prantos, sem medos, mesmo sem insultar os burgueses... O futuro depende dos revolucionários, mas troça dos pequenos revoltados. O futuro não quer, nem fogo, nem sangue, nem guerra... Portanto, não sejas desses que nos querem dar tudo isso. Vamos ter esperança, vamos marchar até ao futuro, vamos estender a mão que não esteja fechada!!! Destruíram a Bastilha e ficou tudo na mesma, destruíram a Bastilha, será que não nos poderemos amar?
Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre um recital dedicado ao cantor a realizar no dia 16 de Outubro (Sábado) integrado no Festival “GEOR JACQ LÉO”. O recital será realizado no Espace Jourdin de L’Isle, rue Resistance Vianne (47) França, e terá como intérpretes de 30 canções de Brel, CHRISTIAN ORTUNO e CHRISTIAN GIRARDIN.
Depois de Jacques Brel ter vendido vários milhões de discos em todo o mundo e de ter dados espectáculos nos 5 continentes, um jornalista perguntou-lhe como se sentia por ser um homem rico. Ele respondeu que acima de tudo era preciso amar a sua profissão e não os resultados da mesma. O dinheiro era perigoso para o homem, porque o imobilizava, e um homem fez-se para se mexer. Ele não tinha sido feito para estar parado, e portanto, não ligava nenhuma ao dinheiro. Brel escreveu a canção IL PLEUT (Les carreaux) em 1955, muito antes de ser famoso e rico. Esta canção foi provavelmente escrita na fábrica de cartão do seu pai, onde o cantor teve o seu primeiro emprego. Lá, para contornar a rotina e matar o tempo, ele escreveu as suas primeiras canções. Metido num escritório, oito horas por dia, a desperdiçar a sua juventude, ao Brel escriturário só lhe restava imaginar-se a partir as vidraças todas da fábrica.
Chove... A culpa não é minha, as janelas da fábrica estão sempre mal lavadas... Chove e as janelas das fábricas estão quase todas quebradas...
As raparigas que vão dançar não me olham, porque vão dançar com outros que lhes pagam as flores de papel, ou a água perfumada, para se divertirem. As raparigas que vão dançar não me olham, porque vão dançar com esses outros...
Chove... A culpa não é minha, as janelas da fábrica estão sempre mal lavadas...
Para mim ficam os corredores imundos. E as escadas que subo são sempre minhas, mas depois, quando estou só debaixo das telhas, com o sol e com as nuvens, escuto a rua a chorar e vejo as chaminés da cidade a fumar docemente... No meu céu, a Lua dança para mim esta noite, ela dança, dança, dança e o seu hálito, a sua auréola imensa, acariciam-me... O céu é meu e eu mergulho na noite, e lá, mergulho a minha mágoa...
Chove... A culpa não é minha, as janelas da fábrica estão sempre mal lavadas... Chove... E eu vou quebrar as janelas das fábricas...
Oito anos anos depois de ter escrito uma canção que falava das janelas quebradas das fábricas dos subúrbios Brel volta ao tema das janelas numa canção bem mais consistente e madura. E volta ao tema não propriamente pela janela mas pelas vistas que uma janela pode revelar ou esconder. De uma janela pode-se controlar o vai e vem dos senhores que frequentam um beco onde mora uma prostituta mas também se pode vigiar os jovens que simplesmente procuram o amor. No fim, e felizmente, as janelas servem acima de tudo para esconder os amantes que se querem amar.
As janelas espreitam-nos quando o nosso coração pára ao nos cruzamos com a Luisinha, por quem as nossas carnes fervem... As janelas divertem-se quando vêem uma serigaita a oferecer a sua corola a um escrivão de notário... As janelas comovem-se quando, na madrugada pálida, um funeral se arrasta até ao velho cemitério... Mas, as janelas franzem as cornijas de bronze quando os silvados lhe vêm roubar a claridade...
As janelas resmungam quando caem as chuvadas do tempo frio que molham as despedidas... As janelas cantarolam quando chega o Outono e se levanta o vento que deixa a rua para os apaixonados... As janelas calam-se quando o Inverno as acalma e uma neve espessa lhes vem fechar os olhos... Mas, as janelas tagarelam quando passa uma mulher que mora num beco frequentado por cavalheiros...
A janela é um ovo quando é estilo olho-de-boi, e fica, como um viúvo à espera, ao lado de um saguão... A janela peleja quando é uma gateira por onde um soldado metralha antes de tombar... As janelas perdem o seu tempo quando são mansardas e abrigam os trapos de um poeta esquecido... Mas, as janelas delicadas cobrem-se logo de grades se por azar alguém grita “viva a liberdade!”...
As janelas vigiam a criança que se espanta num círculo de velhos ao dar os seus primeiros passos... As janelas sorriem quando quinze anos muito bonitos e quinze anos muito crescidos se oferecem um primeiro lanche... As janelas ameaçam, as janelas mostram má cara, quando eu por vezes tenho a audácia de chamar gato a um gato... Mas, as janelas seguem-me, seguem-me e perseguem-me até ao medo que se segue lá no fundo dos meus lençóis...
As janelas, muitas vezes, impunemente, chamam vadios aos miúdos que apenas procuram um amor... As janelas, muitas vezes, suspeitam desses labregos que dormem nos bancos e falam estrangeiro... As janelas, muitas vezes, fecham-se a rir, fecham-se a gritar quando alguém quer cantar... Ah, eu nem me atrevo a pensar que elas servem mais para encobrir, do que para deixar entrar a luz do Verão... Não, eu prefiro pensar que uma janela fechada, não serve senão para ajudar os amantes a amarem-se...
Estou agora a chegar ao fim da leitura da melhor biografia de JACQUES BREL que li até hoje. Foi escrita por Eddy Przybylski e é a segunda vez que este autor aborda este assunto: A vida do cantor belga que mais discos vendeu em França. O livro chama-se LA VALSE À MILLE RÊVES (edições L’Archipel) e tem 765 páginas.
Além de muitos factos já conhecidos, o livro revela-nos muitos outros que têm sido esquecidos, ou melhor dizendo, não relembrados, e outros absolutamente inéditos, tudo fruto de uma investigação exaustiva que Przybylski fez nos últimos anos. Ele contactou as pessoas que estiveram ligadas a Brel, ou por razões afectivas, ou por razões profissionais, ou por vizinhança, ou por laços familiares ou só por mero acaso. Mas um dos factos relatados no livro e que vem a propósito publicar hoje, dia 9 de Outubro, dia em que Brel morreu há 32 anos é que... JACQUES BREL FOI VÍTIMA DOS PAPARAZZI. Segundo o professor Israel, médico que estava a seguir os tratamentos de Brel em Paris, o cantor morreu de uma embolia pulmonar. Brel desesperado pela constante intromissão dos paparazzi na sua vida - especialmente naquela situação em que estava altamente debilitado - arrancou as intravenosas, fugiu do hospital e interrompeu o tratamento. A embolia pulmonar ocorrida a seguir foi fatal. O doutor Israel garantiu a Eddy Przybylski que os paparazzi chegaram a entrar no hospital com batas brancas e câmaras escondidas. Jacques Brel foi acossado pelo fotógrafos até ao fim da sua vida.
Neste dia 9 de Outubro de 1978, JOHN LENNON vivia em Nova Iorque e estava a comemorar o seu 38º aniversário. Hoje faria 70 anos. Parabéns John! Olha, se vires o Jacques dá-lhe um abraço e bebam um copo… à nossa!
Quand Maman Reviendra fala-nos de um rapaz de vinte anos que tem o sonho caricatural da união da sua família que a mãe desmembrou. Não importa aqui a ironia do retrato. Brel faz sempre sátira das realidades que defende. Jacques Brel nunca gostou muito desta melodia unicamente por questões de perfeccionismo. Ele só achava que a canção estava completa quando a música e a letra se interligassem. Isto é, a música tinha que acompanhar o espírito e a emoção do texto cantado. Portanto, na opinião do autor esta é a canção menos conseguida. No vídeo aqui mostrado Brel é entrevistado por René Hénoumont, já AQUI falado neste blog, e faz uma abordagem muito despretensiosa de como compunha uma canção e dá como exemplo esta mesmo, QUANDO A MAMÃ VOLTAR.
Quando a minha mãe voltar será o meu pai que ficará contente… Quando ela voltar, a mãe, quem vai ficar contente sou eu... Ela voltará, como sempre, a cavalo de um desgosto de amor e para melhor festejar o seu regresso toda a santa família estará lá... E ela voltará a cantar-me as canções que eu gostava tanto... Precisamos tanto de canções quando temos vinte anos...
Quando o meu irmão voltar, será o meu pai que ficará contente… Quando ele voltar, o Fernando, quem vai ficar contente sou eu... Ele vai regressar da sua prisão, sempre a cavalo dos seus princípios... Ele vai regressar e toda a equipa o vai acolher no patamar... Ele vai contar-me as histórias que eu gostava tanto… Precisamos tanto de histórias quando temos vinte anos...
Quando a minha irmã voltar, será o meu pai que ficará contente… Quando ela voltar, a menina da sua mamã, quem vai ficar contente sou eu... Ela vai regressar de Paris, montada no cavalo de um príncipe encantado... Ela vai voltar e toda a família a vai acolher chorando, e ela dar-me-á de novo o seu sorriso, esse sorriso que eu gostava tanto... Precisamos tanto de sorrisos quando temos vinte anos...
Quando o meu pai voltar, é o meu pai que ficará contente... Quando ele voltar aos berros, quem vai ficar contente sou eu... Ele vai regressar da tasca da esquina, a cavalo de uma ideia negra... Ele vai regressar só quando estiver bêbado. Só quando lhe apetecer… E vai voltar a dar-me inquietações, inquietações que eu não gosto mesmo nada... Mas, parece que é preciso inquietações, quando temos vinte anos...
Se a minha mãe voltasse, quem iria ficar contente, pai? Se a minha mãe voltasse, quem iria ficar contente era eu...