sábado, 9 de outubro de 2010

9 de OUTUBRO de 1978


Estou agora a chegar ao fim da leitura da melhor biografia de JACQUES BREL que li até hoje. Foi escrita por Eddy Przybylski e é a segunda vez que este autor aborda este assunto: A vida do cantor belga que mais discos vendeu em França.
O livro chama-se LA VALSE À MILLE RÊVES (edições L’Archipel) e tem 765 páginas.

Além de muitos factos já conhecidos, o livro revela-nos muitos outros que têm sido esquecidos, ou melhor dizendo, não relembrados, e outros absolutamente inéditos, tudo fruto de uma investigação exaustiva que Przybylski fez nos últimos anos. Ele contactou as pessoas que estiveram ligadas a Brel, ou por razões afectivas, ou por razões profissionais, ou por vizinhança, ou por laços familiares ou só por mero acaso.
Mas um dos factos relatados no livro e que vem a propósito publicar hoje, dia 9 de Outubro, dia em que Brel morreu há 32 anos é que...
JACQUES BREL FOI VÍTIMA DOS PAPARAZZI.
Segundo o professor Israel, médico que estava a seguir os tratamentos de Brel em Paris, o cantor morreu de uma embolia pulmonar. Brel desesperado pela constante intromissão dos paparazzi na sua vida - especialmente naquela situação em que estava altamente debilitado - arrancou as intravenosas, fugiu do hospital e interrompeu o tratamento.
A embolia pulmonar ocorrida a seguir foi fatal.
O doutor Israel garantiu a Eddy Przybylski que os paparazzi chegaram a entrar no hospital com batas brancas e câmaras escondidas. Jacques Brel foi acossado pelo fotógrafos até ao fim da sua vida.

Neste dia 9 de Outubro de 1978, JOHN LENNON vivia em Nova Iorque e estava a comemorar o seu 38º aniversário. Hoje faria 70 anos. Parabéns John!
Olha, se vires o Jacques dá-lhe um abraço e bebam um copo… à nossa!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

QUAND MAMAN REVIENDRA

Quand Maman Reviendra fala-nos de um rapaz de vinte anos que tem o sonho caricatural da união da sua família que a mãe desmembrou. Não importa aqui a ironia do retrato. Brel faz sempre sátira das realidades que defende. Jacques Brel nunca gostou muito desta melodia unicamente por questões de perfeccionismo. Ele só achava que a canção estava completa quando a música e a letra se interligassem. Isto é, a música tinha que acompanhar o espírito e a emoção do texto cantado. Portanto, na opinião do autor esta é a canção menos conseguida. No vídeo aqui mostrado Brel é entrevistado por René Hénoumont, já AQUI falado neste blog, e faz uma abordagem muito despretensiosa de como compunha uma canção e dá como exemplo esta mesmo, QUANDO A MAMÃ VOLTAR.

QUANDO A MAMÃ VOLTAR (1963)

Quando a minha mãe voltar será o meu pai que ficará contente…
Quando ela voltar, a mãe, quem vai ficar contente sou eu...
Ela voltará, como sempre, a cavalo de um desgosto de amor
e para melhor festejar o seu regresso toda a santa família estará lá...
E ela voltará a cantar-me as canções que eu gostava tanto...
Precisamos tanto de canções quando temos vinte anos...

Quando o meu irmão voltar, será o meu pai que ficará contente…
Quando ele voltar, o Fernando, quem vai ficar contente sou eu...
Ele vai regressar da sua prisão, sempre a cavalo dos seus princípios...
Ele vai regressar e toda a equipa o vai acolher no patamar...
Ele vai contar-me as histórias que eu gostava tanto…
Precisamos tanto de histórias quando temos vinte anos...

Quando a minha irmã voltar, será o meu pai que ficará contente…
Quando ela voltar, a menina da sua mamã, quem vai ficar contente sou eu...
Ela vai regressar de Paris, montada no cavalo de um príncipe encantado...
Ela vai voltar e toda a família a vai acolher chorando,
e ela dar-me-á de novo o seu sorriso, esse sorriso que eu gostava tanto...
Precisamos tanto de sorrisos quando temos vinte anos...

Quando o meu pai voltar, é o meu pai que ficará contente...
Quando ele voltar aos berros, quem vai ficar contente sou eu...
Ele vai regressar da tasca da esquina, a cavalo de uma ideia negra...
Ele vai regressar só quando estiver bêbado. Só quando lhe apetecer…
E vai voltar a dar-me inquietações, inquietações que eu não gosto mesmo nada...
Mas, parece que é preciso inquietações, quando temos vinte anos...

Se a minha mãe voltasse, quem iria ficar contente, pai?
Se a minha mãe voltasse, quem iria ficar contente era eu...


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MOURON e PESSIS





Um no Théatre des Variétés, em Montmartre, e outro no Théatre Pierre et Jacques Prévert.
O primeiro – DE BRUXELLES AUX MARQUISES – com Nathalie Lhermitte, Jacques Pessis e Aurélien Noel, teve a sua estreia a 6 de Outubro, e o segundo – Mouron chante Brel, Quinze années d’amour – será estreado a 9 de Outubro.
Neste vídeo MOURON (Kiki) canta a bela canção de Brel “VOIR UN AMI PLEURER”.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

LA TENDRESSE




Jacques Brel nunca se assumiu como poeta. Ele sempre disse que era apenas um cantor de variedades. Quanto muito seria um carteiro que levava mensagens às pessoas. E a sua mensagem é ingénua. Ele canta os pobres, os desesperados, os tímidos, os frustrados, os vencidos, os bêbados, os moribundos, dizendo que toda a gente necessita de Ternura. Isto é mais um grito que uma mensagem. Numa entrevista, em 1964, ele afirma “Tenho a impressão de que nasci terno. Creio que aquilo a que chamo amor nas minhas canções é na realidade a ternura”.
Na canção La tendresse, Brel reclama para si mesmo um pouco de ternura.


A TERNURA
(1959)

Por um pouco de ternura, eu daria os diamantes que o diabo acaricia nos meus cofres de dinheiro...
Porque achas tu, minha querida, que os marinheiros, nos portos, esvaziam as suas bolsas para oferecer tesouros a falsas princesas?...
Por um pouco de ternura...

Por um pouco de ternura, eu mudarei de feição, eu trocarei de bebedeira, eu usarei outra linguagem...
Porque achas tu, minha querida, que no auge dos seus cânticos, imperadores e menestréis abandonam poderes e riquezas?...
Por um pouco de ternura...

Por um pouco de ternura, eu até te dava o pouco tempo que me resta de juventude neste Verão que termina... Porque achas tu, minha querida, que eu leve a minha canção até ao véu claro que dança sobre a tua face inclinada sobre a minha angústia?...
Por um pouco de ternura...


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

MECHTHILD OP GEN OORTH



Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre uma exposição intitulada “LE GRAND JACQUES”.
Trata-se de uma exposição de fotografia em homenagem ao cantor na galeria APROPOS, de Colónia, e estará aberta ao público entre o próximo dia 7 de Outubro e 10 de Janeiro de 2011. A autora dos trabalhos é a fotógrafa berlinense MECHTHILD OP GEN OORTH.

sábado, 2 de outubro de 2010

GRAND PRIX DU DISQUE



Os primeiros anos de Jacques Brel como cantor foram muito difíceis. Desde terem-no classificado como “ridículo” num concurso de canções na Bélgica, em 1953, a terem-no aconselhado, já em Paris, a “apanhar o último comboio para Bruxelas que estava quase a partir ”, Brel sofreu as agruras e as desilusões de quem quer vencer e convencer num meio hostil.

Mas eis que em 1956 grava a canção QUAND ON N’A QUE L’AMOUR e o êxito da sua carreira finalmente dispara e Brel torna-se rapidamente um dos melhores cantores e autores de língua francesa.

No ano seguinte, devido ao tremendo sucesso de Quand on n‘a que l’amour, é-lhe atribuído o prestigiado GRANDE PRÉMIO DO DISCO. Brel vai ao programa de televisão para receber o prémio, mas não pode esquecer as humilhações por que passou até chegar ali, e não vai de muito boa cara. A apresentadora do programa tenta animá-lo e pede-lhe para ele dizer qualquer sobre Paris. Brel, sem sorrir, diz-lhe “Eu acho que nenhuma cidade pode ser bela para aqueles a quem ela só causa problemas”.

A apresentadora volta à carga “Você é mais um homem do campo?” e Brel não desarma “pode chamar-me o Camponês Cantor, se quiser!”.

A apresentadora muito simpática voltou-se para a audiência: “Sendo assim anuncio que o Camponês Cantor ganhou o Grande Prémio do Disco! BRAVO!!!“ ao que Brel respondeu secamente “ Obrigado”.

A senhora, sempre simpática, caiu na asneira de dizer “ Um pouco mais de entusiasmo não lhe ficava mal”, ao que Brel sempre seco disse “Não acredito nesta treta dos prémios. Que eu saiba nenhum bancário bom profissional ganhou o Grande Prémio dos Bancários. Para mim isto é patético… esta merda desta coroa de louros!”.

A apresentadora engoliu em seco, engasgou-se e ouviu de novo Brel dizer mais este desabafo "Idiotas! Esta raça multiplica-se mais depressa que os coelhos. Você vai compreender um dia destes que a estupidez precisa de uma abordagem severa, por isso acho que devemos chatear os idiotas sempre que houver oportunidade!”

Nota: Os meus agradecimentos a RENÉ SEGHERS (agora na lista dos Brelianos deste blog) pela cedência da foto e pelo texto que consta do seu livro sobre Brel "Jacques Brel a vida e o amor" a publicar brevemente em francês. Neste momento está à venda a edição em holandês.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

LES ADIEUX




Quando Brel anunciou que ia deixar os palcos, apenas 15 anos depois de ter começado a sua carreira profissional, cada espectáculo que dava esgotava semanas antes da data anunciada. Eram êxitos atrás de êxitos.

Por exemplo, no último espectáculo do Olympia, em Outubro de 1966, depois da última canção o pano fechou e Brel teve que regressar ao palco várias vezes agradecer, não tendo feito, no entanto, nenhum “encore” como era seu costume. Depois retirou-se para o seu camarim mas o público não arredou pé da sala sempre aplaudindo e gritando “JACQUES BREL”. Isto durou 21 minutos. Brel teve que voltar ao palco, já em roupão, e agradeceu ao público dizendo “Isto justifica 15 anos de amor”.
Quando lhe deram a gravação do espectáculo, com os 21 minutos de aplausos, Brel comentou “para mim isto é mais valioso que uma medalha de ouro nas olimpíadas”.

Outro episódio relacionado com os últimos espectáculos passou-se na Bélgica. No Palácio das Belas Artes, a 15 de Novembro. A organização, para satisfazer o excesso de procura de bilhetes para o espectáculo, encheu o enorme palco de cadeiras formando um U à volta do cantor e dos seus músicos. No fim do espectáculo, com o público em delírio, Brel foi ao microfone e apresentou os seus músicos. Depois apontou para os espectadores do palco e disse “O grupo coral de Sainte Gudule!!!”
(Sainte Gudule é o nome da Catedral de Bruxelas)

Este não é o grupo coral de Sainte Gudule...