quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MOURON e PESSIS





Um no Théatre des Variétés, em Montmartre, e outro no Théatre Pierre et Jacques Prévert.
O primeiro – DE BRUXELLES AUX MARQUISES – com Nathalie Lhermitte, Jacques Pessis e Aurélien Noel, teve a sua estreia a 6 de Outubro, e o segundo – Mouron chante Brel, Quinze années d’amour – será estreado a 9 de Outubro.
Neste vídeo MOURON (Kiki) canta a bela canção de Brel “VOIR UN AMI PLEURER”.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

LA TENDRESSE




Jacques Brel nunca se assumiu como poeta. Ele sempre disse que era apenas um cantor de variedades. Quanto muito seria um carteiro que levava mensagens às pessoas. E a sua mensagem é ingénua. Ele canta os pobres, os desesperados, os tímidos, os frustrados, os vencidos, os bêbados, os moribundos, dizendo que toda a gente necessita de Ternura. Isto é mais um grito que uma mensagem. Numa entrevista, em 1964, ele afirma “Tenho a impressão de que nasci terno. Creio que aquilo a que chamo amor nas minhas canções é na realidade a ternura”.
Na canção La tendresse, Brel reclama para si mesmo um pouco de ternura.


A TERNURA
(1959)

Por um pouco de ternura, eu daria os diamantes que o diabo acaricia nos meus cofres de dinheiro...
Porque achas tu, minha querida, que os marinheiros, nos portos, esvaziam as suas bolsas para oferecer tesouros a falsas princesas?...
Por um pouco de ternura...

Por um pouco de ternura, eu mudarei de feição, eu trocarei de bebedeira, eu usarei outra linguagem...
Porque achas tu, minha querida, que no auge dos seus cânticos, imperadores e menestréis abandonam poderes e riquezas?...
Por um pouco de ternura...

Por um pouco de ternura, eu até te dava o pouco tempo que me resta de juventude neste Verão que termina... Porque achas tu, minha querida, que eu leve a minha canção até ao véu claro que dança sobre a tua face inclinada sobre a minha angústia?...
Por um pouco de ternura...


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

MECHTHILD OP GEN OORTH



Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre uma exposição intitulada “LE GRAND JACQUES”.
Trata-se de uma exposição de fotografia em homenagem ao cantor na galeria APROPOS, de Colónia, e estará aberta ao público entre o próximo dia 7 de Outubro e 10 de Janeiro de 2011. A autora dos trabalhos é a fotógrafa berlinense MECHTHILD OP GEN OORTH.

sábado, 2 de outubro de 2010

GRAND PRIX DU DISQUE



Os primeiros anos de Jacques Brel como cantor foram muito difíceis. Desde terem-no classificado como “ridículo” num concurso de canções na Bélgica, em 1953, a terem-no aconselhado, já em Paris, a “apanhar o último comboio para Bruxelas que estava quase a partir ”, Brel sofreu as agruras e as desilusões de quem quer vencer e convencer num meio hostil.

Mas eis que em 1956 grava a canção QUAND ON N’A QUE L’AMOUR e o êxito da sua carreira finalmente dispara e Brel torna-se rapidamente um dos melhores cantores e autores de língua francesa.

No ano seguinte, devido ao tremendo sucesso de Quand on n‘a que l’amour, é-lhe atribuído o prestigiado GRANDE PRÉMIO DO DISCO. Brel vai ao programa de televisão para receber o prémio, mas não pode esquecer as humilhações por que passou até chegar ali, e não vai de muito boa cara. A apresentadora do programa tenta animá-lo e pede-lhe para ele dizer qualquer sobre Paris. Brel, sem sorrir, diz-lhe “Eu acho que nenhuma cidade pode ser bela para aqueles a quem ela só causa problemas”.

A apresentadora volta à carga “Você é mais um homem do campo?” e Brel não desarma “pode chamar-me o Camponês Cantor, se quiser!”.

A apresentadora muito simpática voltou-se para a audiência: “Sendo assim anuncio que o Camponês Cantor ganhou o Grande Prémio do Disco! BRAVO!!!“ ao que Brel respondeu secamente “ Obrigado”.

A senhora, sempre simpática, caiu na asneira de dizer “ Um pouco mais de entusiasmo não lhe ficava mal”, ao que Brel sempre seco disse “Não acredito nesta treta dos prémios. Que eu saiba nenhum bancário bom profissional ganhou o Grande Prémio dos Bancários. Para mim isto é patético… esta merda desta coroa de louros!”.

A apresentadora engoliu em seco, engasgou-se e ouviu de novo Brel dizer mais este desabafo "Idiotas! Esta raça multiplica-se mais depressa que os coelhos. Você vai compreender um dia destes que a estupidez precisa de uma abordagem severa, por isso acho que devemos chatear os idiotas sempre que houver oportunidade!”

Nota: Os meus agradecimentos a RENÉ SEGHERS (agora na lista dos Brelianos deste blog) pela cedência da foto e pelo texto que consta do seu livro sobre Brel "Jacques Brel a vida e o amor" a publicar brevemente em francês. Neste momento está à venda a edição em holandês.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

LES ADIEUX




Quando Brel anunciou que ia deixar os palcos, apenas 15 anos depois de ter começado a sua carreira profissional, cada espectáculo que dava esgotava semanas antes da data anunciada. Eram êxitos atrás de êxitos.

Por exemplo, no último espectáculo do Olympia, em Outubro de 1966, depois da última canção o pano fechou e Brel teve que regressar ao palco várias vezes agradecer, não tendo feito, no entanto, nenhum “encore” como era seu costume. Depois retirou-se para o seu camarim mas o público não arredou pé da sala sempre aplaudindo e gritando “JACQUES BREL”. Isto durou 21 minutos. Brel teve que voltar ao palco, já em roupão, e agradeceu ao público dizendo “Isto justifica 15 anos de amor”.
Quando lhe deram a gravação do espectáculo, com os 21 minutos de aplausos, Brel comentou “para mim isto é mais valioso que uma medalha de ouro nas olimpíadas”.

Outro episódio relacionado com os últimos espectáculos passou-se na Bélgica. No Palácio das Belas Artes, a 15 de Novembro. A organização, para satisfazer o excesso de procura de bilhetes para o espectáculo, encheu o enorme palco de cadeiras formando um U à volta do cantor e dos seus músicos. No fim do espectáculo, com o público em delírio, Brel foi ao microfone e apresentou os seus músicos. Depois apontou para os espectadores do palco e disse “O grupo coral de Sainte Gudule!!!”
(Sainte Gudule é o nome da Catedral de Bruxelas)

Este não é o grupo coral de Sainte Gudule...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

LA VILLE S'ENDORMAIT



Esta é mais uma canção do último disco de Brel gravado em 1977.
Já se sabia que, devido ao seu grave estado de saúde, Brel não gravaria mais discos. No entanto, os editores não se coibiram de criar uma capa para o disco onde figurava um céu azul com algumas nuvens brancas.
Seria o “céu” para onde o cantor já se estava a encaminhar?

Em Julho de 1978, a conselho de um médico seu amigo, Brel deixa as Ilhas Marquesas e com muita dificuldade chega a Paris para receber tratamentos. No entanto, já há pouco a fazer. Uma noite fria de Outono, ao fugir dos “papparazzi”, abriga-se numa casa de banho pública durante umas horas e apanha uma broncopneumonia. É internado no hospital de Bobigny, Paris, e acaba por morrer de uma Embolia pulmonar, a 9 de Outubro, à 4 horas e dez minutos da madrugada…
A cidade dormia.

A CIDADE ADORMECIA (1977)

A cidade adormecia e já não me lembro do nome dela. A montante do rio uma nesga de céu ardia...
A cidade adormecia e já não me lembro do nome dela.

E a noite a pouco e pouco, e o tempo parado. E o meu cavalo enlameado e o meu corpo fatigado.
E a noite de azul em azul, e a água de uma fonte. E alguns gritos de raiva, lançados por alguns velhos, sobre outros velhos ainda mais velhos, cujo corpo dormita...

E o meu cavalo que bebe, e eu que o observo. E a minha sede que presta atenção para que não se veja…
E a fonte canta, e o cansaço espeta a sua faca nos meus rins. E eu faço-me passar por aquele que é o seu soberano, esperando-me algures, como se espera um rei.
Mas ninguém está à minha espera, e eu até sei que há quem morra por acaso ao alongar o passo...

É verdade que, às vezes, perto do anoitecer os pássaros se parecem com ondas, e as ondas se parecem com pássaros, e os homens com gargalhadas, e as gargalhadas com soluços...
É verdade que muitas vezes o mar se desencanta... Quero dizer com isto, que ele canta outros cantos, não aqueles que o mar canta nos livros das crianças...
Mas, só as mulheres se parecem com mulheres, e de entre elas, os estupores só se parecem com estupores, e eu não estou seguro, como o outro* que canta, que elas sejam o futuro do homem...

A cidade adormecia e já não me lembro do nome dela. A montante do rio uma nesga de céu ardia...
A cidade adormecia e já não me lembro do nome dela.
E tu passaste, donzela desconhecida, quase nua debaixo do véu que dançava...


N.T.:*O outro que canta é Jean Ferrat e a frase “as mulheres são o futuro do homem” é de Louis Aragon, 1897-1982 , um poeta francês, dadaísta e posteriormente surrealista.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

FLAMME&CO



Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre mais um disco que foi editado com canções de Brel.
Chama-se BREL FLAMME&CO e conta com a participação do guitarrista de flamenco J.M. ZALDIVAR e do cantor JEAN-LUC TARDAT.