quinta-feira, 19 de agosto de 2010

UNE ÎLE



Brel lia muito mas sem organização de leituras. Um dos livros que o influenciaram na construção de uma canção foi A ILHA de Robert Merle.
Neste romance o autor evoca a espontaneidade, e a generosidade dos nativos taítianos face à mesquinhez calculista dos brancos ditos civilizados. Brel dá a volta ao texto e faz da ilha o paraíso onde o amor reinará longe dos prepotentes e dos hipócritas deste mundo. Tenham a cor que tiverem.


Uma ilha (1962)

Uma ilha, uma ilha ao largo da esperança, onde os homens não terão medo. Tão suave e calma como o teu espelho. Uma ilha clara como uma manhã de Páscoa oferecendo a languidez oceânica duma sereia em cada onda... Vem, vem meu amor. Lá, não vão estar esses tolos que nos dizem para sermos sensatos, ou que os vinte anos são a idade bonita... Chegou o tempo de viver, chegou o tempo de amar.

Uma ilha, uma ilha ao largo do amor, posta no altar do mar, cetim sobre veludo... Uma ilha, quente como a ternura, sequiosa como o deserto que uma nuvem de chuva acaricia...
Vem, vem meu amor. Lá, não vão estar esses tolos que nos escondem as imensas praias. Vem meu amor, fujamos à tempestade... Chegou o tempo de viver, chegou o tempo de amar.

Uma ilha, que ainda temos que construir, para poder guardar os sonhos que se sonham a dois... Uma ilha, uma ilha que está de partida, e que dormitava nos nossos olhos desde a infância...
Vem, vem meu amor, é lá que tudo começa, eu acredito na última oportunidade, e tu és essa oportunidade que eu quero... Chegou o tempo de viver, chegou o tempo de amar...


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SEASONS IN THE SUN (2)

Já que mostrei aqui a versão inglesa de Amsterdam da autoria de Mort Shuman, cantada por David Bowie, aproveito para dar a ler a versão de LE MORIBOND, escrita por Rod McKuen, um cantor californiano nascido em 1933. Chama-se a versão “Seasons in the sun” e já AQUI foi comentada em 17 de Novembro do ano passado.
Esta versão inglesa das “Seasons” é pior que a versão de “Amsterdam” dado que McKuen sugere que há alguém que vai morrer e continua a falar de banalidades omitindo o principal: A amante do moribundo vai ficar ao cuidado dos seus amigos... que toda a vida a estimaram.
A canção de Brel está cheia de ambiguidades e sarcasmo e é cantada com ironia na voz. A versão de McKuen é estranha porque fala de alguém que se despede porque vai morrer e canta ao bom estilo melado das baladas dos anos 60.
Este contraste é flagrante nesta versão de boys band.



SEASONS IN THE SUN

Goodbye to you my trusted friend, we've known each other since we're nine or ten,
Together we've climb hills and trees, learned of love and ABC,
Skinned our hearts and skinned our knees.

Goodbye my friend it's hard to die, when all the birds are singing in the sky,
Now the spring is in the air, pretty girls are everywhere,
Think of me and I'll be there.

Chorus:
We had joy we had fun we had seasons in the sun,
But the hills that we climbed were just seasons out of time.

Goodbye papa please pray for me, I was the black sheep of the family,
You tried to teach me right from wrong, too much wine and too much song,
Wonder how I got along.

Goodbye papa is hard to die, when all the birds are singing in the sky,
Now the spring is in the air, little children everywhere,
When you see them I'll be there.

Goodbye Michelle my little one, you gave me love and helped me find the sun,
And every time that I was down, you would always come around,
And get my feet back on the ground.

Goodbye Michelle it's hard to die, when all the birds are singing in the sky,
Now the spring is in the air, with the flowers everywhere,
I wish that we could both be there.

domingo, 15 de agosto de 2010

In The Port of Amsterdam




Esta é uma versão em inglês de AMSTERDAM feita por Mort Shuman que já foi cantada por diversos nomes famosos do mundo das cantigas. Aqui neste video temos a versão do Ziggy Stardust / David Bowie que apesar de bem “esgalhada” não tem a força do ORIGINAL. O texto inglês é uma sombra do texto escrito por Brel. Portanto, com estes versos, que reproduzo abaixo, BOWIE faz o que pode...

In The Port of Amsterdam

In the port of Amsterdam there's a sailor who sings
Of the dreams that he brings from the wide open sea
In the port of Amsterdam there's a sailor who sleeps
While the river bank weeps to the old willow tree

In the port of Amsterdam there's a sailor who dies
Full of beer, full of cries in a drunken town fight
In the port of Amsterdam there's a sailor who's born
On a hot muggy morn by the dawn's early light

In the port of Amsterdam where the sailors all meet
There's a sailor who eats only fish heads and tails
And he'll show you his teeth that have rotted too soon
That can haul up the sails that can swallow the moon

And he yells to the cook with his arms open wide
"Hey, bring me more fish throw it down by my side"
And he wants so to belch but he's too full to try
So he stands up and laughs and he zips up his fly

In the port of Amsterdam you can see sailors dance
Paunches bursting their pants grinding women to porch
They've forgotten the tune that their whiskey voice croaked
Splitting the night with the roar of their jokes
And they turn and they dance and they laugh and they lust
Till the rancid sound of the accordion bursts and then out of the night
With their pride in their pants and the sluts that they tow
Underneath the street lamps

In the port of Amsterdam there's a sailor who drinks
And he drinks and he drinks and he drinks once again
He'll drink to the health of the whores of Amsterdam
Who've given their bodies to a thousand other men
Yeah, they've bargained their virtue their goodness all gone
For a few dirty coins well he just can't go on
Throws his nose to the sky and he aims it up above
And he pisses like I cry on the unfaithful love
In the port of Amsterdam
In the port of Amsterdam

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

LE LION



É sempre difícil descobrir nas canções de Jacques Brel quem está a cantar. O Brel, homem, autor? Ou a personagem que ele criou para essa canção. Nem todas as canções são auto-biográficas...Um dia perguntaram-lhe se isso não o aborrecia, confundirem o autor com o seu herói? Ele disse que estava resignado. Não gostava, mas aceitava. O que é certo é que Brel encarnava tão bem a figura que tinha criado no texto que era difícil o público separar o autor do herói. Por curiosidade diga-se que para fazer o papel de D.Quichote de La Mancha, Jacques Brel deixou-se emagrecer 9 quilos.
Nesta canção - Le lion – escrita para o último álbum, gravado em 1977, mantém-se o sentimento de pânico perante a mulher. O Gaston (Brel?) das suas canções é o tipo que sucumbe ao apelo da “leoa” que insiste em lembrar-lhe que há “suplentes no banco” para o caso de alguma falha.

O leão (1977)

Faz cinco dias, faz cinco noites, que, do outro lado do rio tumultuoso, uma leoa chama, chama...
Faz cinco dias, faz cinco noites, que deste lado do rio tumultuoso, o leão responde à leoa...
Gastão, não vás, mesmo que ela te diga que a sua mãe é simpática...
Gastão, não vás, mesmo que ela ouse dizer-te que te amará sempre...
Não vás Gastão, mesmo que ela te suplique para a levares a passear à cidade.
Ela será a tua Lélé* e tu o seu Totó*, e vocês não passarão de dois imbecis...

Faz dez dias, faz dez noites, que, do outro lado do rio tumultuoso, uma leoa chama, chama...
Faz dez dias, faz dez noites, que deste lado do rio tumultuoso, o leão responde à leoa...
Gastão, não vás, pára de dar ao rabo, deixa-a impacientar-se...
Finge que tens muito tempo, que estás muito atarefado... Mete-a na lista de espera...
Gastão, não vás, um leão deve ser duro. Diz-lhe que estás noutra onda.
Lembra-te do Malhoa que estava sempre a dizer “o que é demais já enjoa”…

Faz vinte dias, faz vinte noites, que do outro lado do rio tumultuoso uma leoa chama, chama...
Faz vinte dias, faz vinte noites, que deste lado do rio tumultuoso, o leão responde à leoa...
Não vás Gastão, mesmo que ela dê a entender que há outro em vista. Outro, que é jovem e é belo, que dança como um deus e que tem muita distinção. E que tem uma juba, que é muito inteligente, e que vai fazer fortuna... E que é generoso, e que lhe vai oferecer a lua quando ela quiser...

Faz uma hora e vinte minutos que, do outro lado do rio tumultuoso, uma leoa chama, chama...
Faz uma hora e vinte minutos que, dentro do rio tumultuoso, um leão está morto por uma leoa...


N.T.: *No original Manon e Des Grieux, personagens populares de um famoso romance de Abbé Prévost.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

VRT




A cadeia de Televisão belga VRT transmitirá neste próximo Sábado e Domingo uma reportagem realizada na Exposição J'AIME LES BELGES para o programa VLAANDEREN VAKANTIELAND. Mais informações neste SITE.
Esta é uma informação das Edições Jacques Brel.

domingo, 8 de agosto de 2010

I MUVRINI



Do meu amigo João Fraga recebi este vídeo com uma interpretação de Amsterdam por I Muvrini (da Córsega) e Florent Pagny.

Obrigado Fraga. Se encontrares mais avisa!

sábado, 7 de agosto de 2010

BENOIT NORTIER

O jovem acordionista Benoit Nortier representou a França no “Primus Ikaalinen 2009” – Top International Accordion Competition, na Finlândia, prestando uma homenagem a Brel. Na sua exibição tocou Amsterdam, La valse à mille temps e Vesoul.