sexta-feira, 30 de julho de 2010

BEL RTL





A estação de rádio belga BEL RTL vai transmitir na Segunda-feira, 2 de Agosto, um programa sobre Jacques Brel intitulado “J’AIME L’ACCENT BRUXELLOIS”.
Sobre “J’AIME L’ACCENT BRUXELLOIS” já falei AQUI neste blog.

Para escutar este programa, que será difundido a partir das 10 horas e 15 minutos (hora dos Açores) basta ir ao site www.belrtl.be e clicar sobre “écoutez en direct”.

Haverá mais informações sobre o programa AQUI.

Esta informação foi dada pelas Edições Jacques Brel.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

PROCURA-SE



O amigo Dino Gibertoni, dono do Blog Siodmak, e co-autor do site La Chanson de Jacky, acaba de descobrir uma versão muito rara de Le Moribond. Esta versão de "Le Moribond" é de 1974 e é cantada... em português. É verdade, em português. Pelo grupo “Movimento”. O nome da versão ficou "As Andorinhas Já Voltaram" e está num EP chamado "Uma Tarde No Café".
É a primeira versão em português (e talvez única) de "Le Moribond" de que há conhecimento. Está AQUI o link para a informação sobre esta gravação no excelente site Discogs.

Fica aqui a informação e, já agora, o pedido: Quem tiver este disco e o queira vender ou saiba da sua existência algures, pode deixar um comentário aqui nO CANTO DO BREL.



(Obrigado Rafael)

terça-feira, 27 de julho de 2010

LES BICHES


N.T: Brel usa o termo BICHE porque esta palavra tem um duplo sentido - CORÇA ou modo muito terno de tratar a pessoa amada. Portanto, BICHE é um termo elogioso que evoca uma certa doçura e elegância, no andar e no charme, tal como a figura do "Bambi", de Walt Disney.
Em português não encontro nada parecido, relacionado com um animal, que exprima este elogio, daí o ter usado a palavra CORÇA.



Uma das razões da misoginia de Brel é a sua necessidade de ser amado que se contrapõe ao seu desejo de liberdade. Contra a sua vontade a mulher é o laço que caça o amor. Apaixonado, o homem pensa em partir, viajar, voar, mas a mulher toma a iniciativa e dispõe dele, ame-o muito, pouco ou nada. O herói da canção Les Biches espera e lamenta-se: Não reage. Ela é que viaja, ela é que vai ao leme, parte e regressa quando quer. Ela transforma as garras dele em docilidade. Faz do predador um animal doméstico. Quem conhece a vida de Brel, para lá das canções, sabe qual é a sua opinião sobre o sexo feminino. Ele não detestava as mulheres de uma maneira geral. Da mesma forma que não suportava os homens militaristas ou os belgas nacionalistas, também não suportava as mulheres fúteis ou as mulheres hipócritas. Sobre as mulheres, um dia, Brel disse: “Quando um homem não tem medo de se deitar com uma mulher é porque não a ama…”

AS CORÇAS 1962

Elas são o nosso primeiro inimigo, quando, a rir, se escapam dos prados do tédio... As corças.
Com pestanas encaracoladas, e penteados à caça-corços, pelo canto do olho fazem batota, tão bem, que o caçador fica caçado. Sim, que eu até conheço borrascas que elas transformaram em poetas, as corças...
E quando as enxotamos do pensamento, ou quando elas, muito coradas, nos caçam, elas são o nosso primeiro inimigo, as corças de quinze anos...

Elas são o nosso mais belo inimigo, quando têm o brilho da flor e já têm o sabor do fruto... As corças.
Elas passam cá para fora toda a virtude. Ainda que seja com todo o coração, ainda que seja com todo o corpo, que elas façam batota... Logo que mordiscam os maridos ou agarram o diamante sobre o asfalto azul de Paris, as corças, que se caçam a golpes de rubis, ou que nos caçam com sentimento, são o nosso mais belo inimigo, as corças, de vinte anos...

Elas são o nosso pior inimigo, logo que conhecem o seu poder, sabem ficar à espera, as corças.
Quando um caçador é uma oportunidade. Quando a sua beleza se levanta tarde, é com toda a sua ciência que elas fazem batota… Enganando o enfado mais que o corço, e o amante com o outro amante, e o outro amante com o corço, que vem a calhar...
Mas quando as caçamos loucamente, ou quando elas nos caçam, de mãos enluvadas, elas são o nosso pior inimigo, as corças com mais de vinte anos...

Elas são o nosso último inimigo, quando os seus seios tombam de sono por terem estado de vigília demasiadas noites... As corças...
Quando têm o passo resignado dos peregrinos que regressam… Quando é com todo o seu passado que elas fazem batota, a fim de melhor nos agarrar, nós que, nessa altura, não servimos senão para impedi-las de envelhecer, as corças.
Mesmo que as enxotemos da nossa vida, ou que ela nos enxotem, porque já é tempo, elas permanecem o nosso último inimigo, as corças de há muito tempo...


segunda-feira, 26 de julho de 2010

CLARA



Um dia perguntaram a Jacques Brel como se sentia ao entrar no palco e ele respondeu: “ Sinto uma grande vontade de vencer os meus medos e as minhas fraquezas… Sinto que tenho que me superar, que tenho que vencer-me a mim próprio. É como se fosse um combate… Um combate contra mim mesmo. Depois, é preciso ser-se sincero e ter alguma coisa que dizer, claro.” Foi sempre assim o carácter de Brel perante o seu público, em palco ou estúdio de gravação.
No entanto, esta canção, Clara, não terá assim tanto para dizer como muitas e muitas a que o Grand Jacques nos habituou.
É presumivelmente um fait-divers na obra de Brel. O texto desesperado não liga bem com o ritmo carnavalesco do Rio que mascara a canção... Uma vez mais a guerra dos sexos à flor da pele.

Clara (1961)

Amei-te tanto Clara, amei-te tanto...
Carnaval no Rio, tu podes dançar sempre! Carnaval no Rio... Tu já não podes mudar nada... Eu morri em Paris já há muito tempo, há muito tempo de tédio, há muito tempo de ti...

Carnaval no Rio... Tu podes cantar sempre! Carnaval no Rio... Tu já não podes mudar nada... Eu morri em Paris,caído no campo do amor, pelo nome duma rapariga que me tinha dito Sempre...

Carnaval no Rio... Tu podes rodopiar sempre! Carnaval no Rio... Tu já não podes mudar nada... Eu morri em Paris por me ter enganado muita vezes, por me ter mortificado muitas vezes, por me ter dado muitas vezes...

Carnaval no Rio... Tu podes sacudir-me! Carnaval no Rio... Tu já não podes mudar nada... Eu morri em Paris, fuzilado por uma flor, preso à barra da cama, com doze gargalhadas no coração...

Carnaval no Rio... Tu podes chorar sempre! Carnaval no Rio... Tu já não podes mudar nada... Eu morri em Paris já há mil tardes, já há mil noites… Já não há esperança...

Carnaval no Rio... Tu podes embebedar-me! Carnaval no Rio... Tu já não podes mudar nada... Eu morri em Paris, em Paris que eu enterro, depois de mil noites, no fundo do meu copo...

Carnaval no Rio, tu podes carnavalar! Carnaval no Rio... Tu já não podes lá mudar nada... Eu morri em Paris... Que a morte me console... A morte anda por aqui, a morte é espanhola...
Amei-te tanto Clara, amei-te tanto...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

MATHILDE



Mais um caso de amor desesperado relatado por Brel. Nesta canção, Mathilde, o carácter do personagem é reforçado pelo ritmo desenfreado e fogoso da música e da orquestração. Tudo se conjuga para descrever as emoções dum pobre diabo que está completamente descontrolado e amedrontado pela chegada da amada…
Quanto à intensidade da interpretação é soberba como sempre: “ Acho que é inadmissível fazer batota nesta profissão – dizia Brel em 1966 – vive-se para ela ou não se vive! (...) As pessoas que vibram sobre o palco são as pessoas que vibram na vida. E o público nunca se engana”

Mathilde (1964)

Minha mãe chegou a hora de rezares pela minha salvação... A Matilde está de volta...
Taberneiro podes guardar o teu vinho. Esta noite vou beber o meu desgosto... A Matilde está de volta...
E tu, minha criada, tu, Maria, talvez seja melhor mudares os lençóis... A Matilde está de volta...
Meus amigos, não me esqueçam, esta noite volto à luta, maldita Matilde eis que chegaste!

Meu coração, meu coração, não te entusiasmes, faz de conta que não sabes que a Matilde está de volta...
Meu coração pára de repetir que ela é mais linda do que antes do Verão...
Meu coração deixa de badalar, lembra-te que foste destroçado pela Matilde que está de volta...
Meus amigos, não me deixem, não, digam-me que não é preciso , maldita Matilde eis que chegaste!

E vós, minhas mãos, fiquem tranquilas... É só um cão que regressa da cidade... A Matilde está de volta...
Vós, minhas mãos, não aplaudam, vocês não têm nada com isso... Não tremam mais... A Matilde está de volta...
Lembrem-se de quando eu vos chorava em cima. Vós, minhas mãos, não se abram. Vós, meus braços, não se estendam. Raio da Matilde eis que chegaste!

Minha mãe pára as tuas orações, o teu Jacques regressa ao inferno, a Matilde já me chegou...
Taberneiro traz-nos vinho, daquele, das bodas e dos banquetes, a Matilde já me chegou...
Tu, minha criada, tu, Maria, vai pôr lençóis na minha cama, a Matilde já me chegou...
Amigos não contem comigo, uma vez mais vou cuspir para o ar, minha linda Matilde eis que chegaste... Eis que chegaste!


segunda-feira, 19 de julho de 2010

LES FILLES ET LES CHIENS



Esta é de certeza a canção que pôs o rótulo de “misógino” a Jacques Brel. Noutras canções dedicadas a mulheres ele procura os seus fracos ou os seus defeitos – tal como o faz com os homens – para os denunciar com humor e com ironia ou com raiva e desepero. Em ”Les filles et les chiens” é a misoginia pela misoginia. A fobia pura e simples. Irracional e insuportável.
Houve alguém que disse “quanto mais conheço os homens mais gosto do meu cão” e depois acrescentou “...e quanto mais conheço as mulheres, menos gosto da minha cadela!”

As miúdas e os cães (1962)

As miúdas,
é giro como um jogo, é giro como um fogo, mas isto é muito pouco...
As miúdas, é giro como um fruto, é giro como a noite, é giro como um atraso, e já é tarde demais...
As miúdas é giro quanto baste, é giro como um adeus, e isso é óptimo...
Mas, e os cães?... São bonitos como os cães que ficam quietos a ver-nos chorar, os cães não nos dizem nada. É talvez por isso que a gente acredita que gosta deles...

As miúdas ameaçam, levam-te ao chá, agarram-te os dados...
As miúdas penduram-se no teu pescoço, penduram-te num prego, e isso depende de nós...
As miúdas penduram-se no teu coração, agarram-se às flores, conforme as horas...
As miúdas dependem de tudo, e dependem sobretudo, dependem dos cifrões...
Ah, mas os cães? Os cães não dependem de nada. Os cães ficam quietos a ver-nos chorar, os cães não nos dizem nada. É talvez por isso que a gente acredita que gosta deles...

As miúdas fazem arquinhos, jogam com juízo, dançam o tango...
As miúdas fazem-se isco, fazem jogo e contra jogo, gozam contigo...
As miúdas brincam para brincar, brincam ao amor, jogam para ganhar...
As miúdas! Como elas brincam às mulherzinhas e às grandes damas, como elas brincam aos dramas...
Mas, e os cães? Os cães não brincam a nada, porque nunca se sabe como enganar os cães que não jogam a nada. É talvez por isso que a gente acredita que gosta deles...

As miúdas dão que sonhar, dão que pensar e dão-nos licença...
As miúdas dão-se, portanto. Dão-se um dia, e dão-se dando-se...
As miúdas dão o seu amor, a um de cada vez, dão-se no recreio...
As miúdas dão o seu corpo, dão-se com tanto vigor que causa remorsos...
Ah, mas os cães não nos dão nada, porque nunca sabem fingir quando querem dar... Os cães não nos dão nada... É talvez por isso que se deve gostar deles..
E é, portanto, pelas miúdas que à mínima manhã, ao mínimo desgosto, nós afugentamos os seus cães...

domingo, 18 de julho de 2010

J'AIME L'ACCENT BRUXELLOIS (2)




No dia 31 de Março falei AQUI nO CANTO DO BREL sobre um passeio por Bruxelas com a duração de 2 horas e meia e que passa por lugares míticos que evocam a memória do cantor. O itinerário propõe uma sucessão de momentos de verdadeira cumplicidade com Jacques, comentados por MICHE (Madame BREL) e FRANCE BREL (filha).
Ontem recebi das EDIÇÕES JACQUES BREL a informação de que desde aquela data até hoje já mais de 400 pessoas acompanharam o GRAND JACQUES pelas ruas da sua cidade.
Em Julho e Agosto os passeios podem ser dados todos os dias da semana, entre as 10 e as 19 horas, e aos feriados, sábados e domingos das 12 às 19h. Também é possível marcar passeios nocturnos a partir das 18h 30.
Marcações pelo telefone 32 2 511 1020 ou no site das EDIÇÕES JACQUES BREL.