sexta-feira, 16 de julho de 2010
LA PARLOTE
A tagarela (1962)
É ela que enche as praças, os passeios, os salões de chá... É ela que conta a história, quando não foi ela que a inventou... A tagarela... É ela que sai todas as noites e não sossega senão ao amanhecer, para despertar depois do amor, entre dois amantes deslumbrados... A tagarela! É que nós dizemos que disse que sim, é aí que nós dizemos que disse que não. É a grande base da segurança, é o melhor aperitivo da França... A tagarela...
Caminhando na ponta dos lábios, meio faquir e meio canalha, de um falsário, ela faz um ourives... De uma bagatela ela faz um escândalo... A tagarela... É ela que atrai a candura nas redes de um passeio, mas, é por ela que o amor em flor, muitas vezes morre em peixeiradas... A tagarela... Por ela mudei o mundo, cheguei mesmo a tocar tambor para carregar uma Pompadour, nada bela e nada loira... A tagarela...
É no Café que ela profere as suas sentenças, e nos tranquiliza, assegurando-nos que aqueles que amamos nunca tiveram sorte, e que aqueles que não amamos também não tiveram... A tagarela... Se é ela que enxuga os olhos, e se é ela que enxuga os prantos, é ela que seca os velhos, e é ela que seca os corações. A tagarela... É ela que verdadeiramente se impõe quando não há mais nada a dizer... É o epitáfio, é a pedra tumular dos amores que deixámos morrer... A tagarela...
quarta-feira, 14 de julho de 2010
BREL GENUÍNO


GENUÍNO MADRUGA conheceu JACQUES BREL em Setembro de 1974 quando o cantor passou por aqui, pela ilha do Faial. E nunca mais esqueceu esse encontro.
Nas duas voltas ao mundo, velejando sozinho no seu Hemingway (2002 e 2009), Genuíno Madruga fez questão de passar pela Ilha de Hiva Oa, nas Marquesas, e foi visitar o túmulo onde jaz o homem a quem ele apertou a mão, ali no Peter, há quase 36 anos.
E falar aqui de Genuíno Madruga? Pensei nisso. Mas desisti. Acho que o leitor ficará melhor informado se navegar no excelente site do nosso pescador/velejador. AQUI.
Os meus agradecimentos ao Nuno Costa Santos pela cedência deste video.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
COMO NUM SONHO
Das Edições JACQUES BREL recebi a informação sobre mais um espectáculo sobre o Grand Jacques. E a estreia desse espectáculo - BREL, COMO NUM SONHO - é em Lisboa, no Auditório do Instituto Franco-Português de 27 a 31 de Julho.
A concepção e encenação é da autoria de RITA NEVES e a produção é da ECLIPSEARTE.

O espectáculo será ainda apresentado no IPJ do Porto e no IPJ de Lisboa, no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Lisboa e no Festival Tardor de Barcelona.
A concepção e encenação é da autoria de RITA NEVES e a produção é da ECLIPSEARTE.

O espectáculo será ainda apresentado no IPJ do Porto e no IPJ de Lisboa, no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Lisboa e no Festival Tardor de Barcelona.
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
JOJO
Já aqui se referiu neste blog que em Setembro de 1974 quando JACQUES BREL chegou à Horta, no seu iate, recebeu um telegrama comunicando a morte do seu grande amigo Georges Pasquier. Jojo para os amigos. Brel partiu para França de avião, via Terceira, e foi ao enterro de Jojo.
A canção JOJO, dedicada ao amigo morto, é uma das únicas de Brel que tem um perfil realmente autobiográfico. Aqui não há herói ou personagem breliano. É o próprio autor que chora a morte do amigo e que, ao mesmo tempo, sabe que também a sua vida está por pouco. Jacques Brel morreu 4 anos depois da morte de Jojo, e quando escreveu esta canção, e quando a gravou em disco, já sabia que tinha um cancro pulmonar.
Nesta canção de desespero e profunda amizade (amor?), Brel inventa a expressão « tu frères encore » para falar da ligação fraterna que tinha com Jojo - ele faz um verbo do substantivo irmão e, portanto, intraduzível. Utilizei o verbo “confraternizar” para dar um sentido aproximado do original, e por isso aqui fica a devida e necessária explicação. No entanto, a amizade que ligava estes dois homens situava-se para lá das palavras…
Jojo (1977)
Jojo, eis aqui então algumas gargalhadas, alguns vinhos, algumas louras... Apraz-me dizer-te que a noite será longa até tornar-se amanhã. Jojo, oiço-te rugir algumas canções marinheiras onde os bretões descobrem que o Saint Cast deve dormir mergulhado no nevoeiro...
Seis pés debaixo da terra, Jojo, e tu ainda cantas...
Seis pés debaixo da terra, tu não estás morto...
Jojo, esta noite, como as outras noites, repetiremos as nossas guerras... Tu voltarás a Saint Nazaire e eu farei outra vez o Olympia, aqui no fundo do cemitério. Jojo, falemos em silêncio de uma juventude velha... Nós os dois sabemos que o mundo está adormecido por falta de imprudência...
Seis pés debaixo da terra, Jojo, e tu ainda esperas...
Seis pés debaixo da terra, tu não estás morto...
Jojo, a rir, tu dás-me as novidades aí de baixo. Eu digo-te” morte aos imbecis”, bem mais imbecis que tu, mas que estão de saúde... Jojo, tu sabes os nomes das flores, tu vês que as minhas mãos tremem e sei que estás a chorar para afogares a vergonha dos meus pobres lugares comuns...
Seis pés debaixo da terra, Jojo, e tu ainda confraternizas...
Seis pés debaixo da terra, tu não estás morto...
Jojo, vou-me embora pela manhã, por causa de uns vagos compromissos com uns bêbados de coração destroçado, e que sempre abriram demasiado as mãos... Jojo, já não saio para lado nenhum, visto-me com os nossos sonhos. Estou órfão até aos lábios mas feliz por saber que cá estarei em breve.
Seis pés debaixo da terra, Jojo, tu não estás morto...
Seis pés debaixo da terra, Jojo ainda te amo...
sábado, 10 de julho de 2010
LA CHANSON DE VAN HORST

A CANÇÃO DE VAN HORST foi escrita por Jacques Brel para o filme de Alain Levent LE BAR DE LA FOURCHE. Brel protagoniza a figura do aventureiro Vincent Van Horst nos princípios do século passado. Sobre o filme já falei AQUI neste blog no passado dia 21 de Fevereiro.
A CANÇÃO DE VAN HORST (1972)
De Roterdão a Santiago, de Amesterdão a Varsóvia, de Cracóvia a San Diego.
De drama em dama passa a vida, a pouco e pouco.
De coração em coração, de medo em medo, de porto em porto...
O tempo de uma flor e a gente adormece, o tempo de um sonho e a gente morre...
De terra em terra, de lugar em lugar, de jovem velha em velha gaiteira.
De guerra em guerra, da guerra cansada a morte vigia-nos, a morte amedronta-nos...
Mas!... De cerveja em cerveja, de feira em feira, de copo em copo, de bebida em bebida…
Eu ainda mordo com os dentes todos...
Eu sou um morto que ainda está vivo.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
SUR LA PLACE

Esta canção teve três versões. Em 1953, em Bruxelas, depois em 1954 com arranjos de André Gassi e finalmente em 1961 com a orquestra de François Rauber. Sur la place foi editada num EP (45 rpm) e precedeu uma digressão de Verão organizada por Canetti.
No cartaz desta digressão o nome de Brel figurava depois dos nomes de Sidney Bechet, Philippe Clay et Dario Moreno que, 14 anos depois seria o Sancho Pança em Bruxelas, ao lado de um Brel-Don Quixote que já não combatia os moinhos do anonimato.
Quando questionavam Brel sobre os seus textos, se eram poesia ou simples versos cantáveis, ele dizia que não era poeta. Era um artesão de palavras. Ele estava constantemente a inventar-se nos velhos solitários, no moribundo, no tipo que dizia Ne me quitte pas, no bêbado que se chamava Jef. Era como se Brel tivesse uma ilha e lá fizesse crescer as plantas, os pássaros, os homens… Ou a rapariga que dançava no largo num dia de muito calor. Sur la place, conta a história dessa rapariga.
No largo (1953)
No largo aquecido pelo sol uma rapariga pôs-se a dançar... Rodopia, parecendo a bailarina duma antiga caixa de música... Na cidade faz um calor tórrido. Homens e mulheres, estão acaçapados e observam pelas vidraças esta rapariga que dança ao meio-dia...
Há certos dias que parecem uma labareda nos nossos olhos...
À igreja onde eu ia, recorria-se ao bom Deus, os apaixonados recorrem ao amor, o mendigo apela à caridade, o dia apela ao sol e o homem de bem apela à bondade...
No largo quente, de atmosfera vibrante, onde nem sequer aparece um cão, ondulante como um junco, a rapariga saltita, e vai e vem. Nem guitarra, nem tamborim, para acompanhar a sua dança... É batendo as palmas que ela marca o compasso...
No largo, onde tudo está tranquilo, a rapariga pôs-se a cantar, e o seu canto paira sobre a cidade como um hino de amor e de bondade... Mas, sobre a cidade faz muito calor, e para não ouvir a canção os homens fecham as janelas, como uma porta que se fecha entre os mortos e os vivos...
Assim, certos dias parecem um labareda nos nossos corações…
Mas nós nunca deixamos brilhar a sua luz...
Nós tapamos as orelhas e cobrimos os olhos...
Não gostamos de acordar o nosso coração já velho...
No largo um cão uiva ainda, porque a rapariga já se foi embora… E, como um cão uivando à morte, lastimam os homens o seu destino...
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
MENSAGEM

Do meu amigo e “compagnon de route” Victor Rui Dores (agora numa fase Manuel de Arriaga) recebi esta mensagem:
Caro Sérgio
O teu blogue continua a despertar o meu interesse e a minha atenção e, diariamente, saio das canções de Brel sempre mais conciliado e enriquecido com este rebelde apaixonado.
Fui ver “Brel nos Açores”, no Teatro Faialense. Apenas isto: um espectáculo vertiginosamente belo e uma interpretação avassaladora do Dinarte Branco.
Um abraço de mar!
Victor Rui Dores
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