sexta-feira, 11 de junho de 2010

NE ME QUITTE PAS (II)



Há muitas histórias ligadas à canção NE ME QUITTE PAS. Mas a que vou contar hoje deve ser provavelmente a mais inusitada.
Fui a um hospital fazer uma Colonoscopia e antes de entrar para a sala do exame falou-se de Jacques Brel. No momento da anestesia alguém me disse para eu pensar em coisas agradáveis tais como canções de Brel... mas não deu tempo porque adormeci logo.

Já no quarto, acordado e de exame feito, o enfermeiro confidenciou-me que o médico tinha cantado o NE ME QUITTE PAS durante toda a colonoscopia...
O médico – Professor NOBRE LEITÃO – confirmou-me depois que sim, que cantou, mas muito mal, porque a sua especialidade não é cantar.

Contou-me também que assistiu há 8 ou 9 anos, em Bruxelas, a um espectáculo ao ar livre, dedicado a Jacques Brel com projecção de imagens de espectáculos do cantor, em ecran gigante, acompanhadas de bailados. Presumo que seja o espectáculo de Maurice Béjart já AQUI falado neste blog.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

LES JARDINS DU CASINO



Em toda a discografia de Brel há apenas 3 ou 4 gravações de espectáculos ao vivo. A qualidade do som dessas gravações não é famosa e chega ao ponto de se perceber que os acertos finais de volume são feitos já com o cantor no palco a cantar as primeiras palavras da primeira canção.
Há três canções de Brel que nunca foram gravadas em estúdio. Isto é, apenas existem gravações ao vivo. São elas Amsterdam, Les Timides e esta que traduzo hoje: Les Jardins du Casino, gravada no Olympia em 1964.


Os jardins do Casino (1964)

Os músicos preparam os seus bigodes, os seus violinos e os seus saxofones e a polca começa nos jardins do Casino, onde vagueiam tagarelando, as velhas carcaças que se coçam, ou as menos velhas cheias de cócegas, e os cavalheiros cheios de tempo… Passam também, indiferentes, alguns jovens famintos que ainda confundem o erotismo com a ginástica… Tudo isto levanta uma muralha da China entre o pobre amigo Pierrot e a sua fugaz Colombina nos jardins do Casino…

Os músicos agitam os bigodes, os violinos e os saxofones quando a polca marca o compasso da beleza do Casino… Alguns casais protuberantes dançam como escalopes, com a indolência dos girassóis, perante as artífices do cancan… Um coronel à paisana apresenta às falsas duquesas os seus cumprimentos e os seus respeitos, e beija-mãos e cheira-cus… Tudo isto, já se adivinha, complica a vida do pobre Pierrot que procura a fugaz Colombina nos jardins do Casino…

E então a noite cai em manchas… Os músicos arrumam os seus saxofones, os seus violinos e os seus bigodes, nos jardins do Casino. As jovens regressam aos eus refúgios sem o tal rapaz, ou sem o tal viúvo, que lhes deveria ter oferecido a cestinha onde elas iriam pôr o ovo… Os velhos cavalheiros voltam para casa, para junto das velhas lembranças da sua Madame Bovary, que eles sustentam a qualquer peço… E apenas resta a alma lívida do pobre Pierrot chorando pela fugaz Colombina nos jardins do Casino…




segunda-feira, 7 de junho de 2010

JUDY COLLINS




JUDY COLLINS fez vibrar audiências pelo mundo inteiro interpretando a chamada “folkmusic” nos anos 60. No entanto, aos 13 anos estava destinada a ser pianista clássica, interpretando já Mozart. Mas quando começou a ouvir Woody Guthrie e Pete Seeger cantando canções tradicionais do folclore americano trocou logo o piano e os concertos clássicos pela viola e pela sua voz tão característica. Alguém disse que “se as ametistas pudessem cantar… elas soariam como Judy Collins."
O seu lado activista é também conhecido em todo o mundo. Ela integrou diversos movimentos e manisfestações contra o sistema. Presentemente é representante da UNICEF e participa em acções contra as minas pessoais.
O seu primeiro disco foi lançado em 1961 - A Maid of Constant Sorrow – quando tinha 22 anos e o último data de 2005 – Portrait of an american girl.
Neste video JUDY COLLINS canta MARIEKE, de Jacques Brel, num espectáculo em 1980, no Canadá.

sábado, 5 de junho de 2010

A BÉLGICA VOTA



Das Edições Jacques Brel recebi esta informação:

Os eleitores belgas vão às urnas no próximo dia 13 de Junho para participar em eleições legislativas antecipadas.
Entretanto o principal diário belga francófono LE SOIR, em colaboração com o diário flamengo DE STANDAARD, lançaram um inquérito intitulado “FRANCÓFONOS/FLAMENGOS: QUE QUEREM ELES VERDADEIRAMENTE?”
Este inquérito foi proposto a 50 personalidades, 25 de cada língua, consideradas como “opinion makers”.
No tema MÚSICA a primeira pergunta era “Qual a canção que representa melhor os flamengos aos olhos do francófonos?”
Jaques Brel ficou em primeiro lugar com 4 nomeações para LE PLAT PAYS e NE ME QUITTE PAS.
À pergunta “Qual a canção que dá uma melhor imagem dos francófonos perante os flamengos?”
Brel voltou a ficar em primeiro lugar com três nomeações para as canções LA CHANSON DES VIEUX AMANTS e NE ME QUITTE PAS.


A propósito desta votação lembro uma outra.
Em 2005 um canal belga de língua francesa organizou o concurso Les plus grands belges e o vencedor foi... JACQUES BREL !
Os flamengos não se convenceram com este resultado do concurso realizado pelos valões, e organizaram também o mesmo concurso numa estação de televisão do norte da Bélgica e então quem ganhou foi o Père Damien – um padre! (Brel tinha razão quando chamava flamenguentos aos flamengos)
Em 2007 a RTP realizou a versão portuguesa daquele concurso – Os grandes portugueses - e quem ganhou foi... o Salazar! (sem comentários!)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

TÉLÉMATIN / FRANCE 2




No dia 31 de Março falei AQUI sobre o passeio por Bruxelas organizado pelas Edições Jacques Brel e que tem por nome “J’AIME L’ACCENT BRUXELLOIS” .
Uma emissão de televisão da France 2 –Télématin – realizou uma reportagem no fim de Março sobre este passeio de mais de 2 horas por locais e espaços por onde Brel andou ou de que ele fala nas suas canções.
Se quiser ver esta reportagem de 5 minutos do Télématin clique AQUI.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

BREL NOS AÇORES 2



Em 22 de Abril falei AQUI no projecto "Brel nos Açores", que tem por base uma narrativa escrita por NUNO COSTA SANTOS.
Do blog ILHAS retirei um excerto dum post do Nuno (Diário de Bordo. Dia 4.) que nos fala do andamento dos trabalhos:

"Continuam as leituras, continuam as passagens do texto, continua o entusiasmo. Aliás, dispara o entusiasmo. Penso que o fogo cresceu no domingo à noite, altura em que fomos até ao atelier onde trabalha o João Prazeres, o homem do cenário, com o objectivo de fazer uma pequena gravação vídeo de um ensaio para enviar para a Fundação Brel (por causa de uma última cedência de direitos de imagem). Houve quem se tivesse emocionado durante a performance do Dinarte. Não vou dizer quem, para não desprestigiar ninguém: não queremos que fiquem a pensar que temos sentimentos e assim. Isso seria desagradável no mundo de hoje.

O texto. Sempre o texto. O território de onde parte o resto - ou que serve de bússula para tudo o resto. Já sofreu muitas alterações desde o início - teve vários tons. Agora encontra importantes âncoras no lirismo breliano - uma poética feita ora de ternura ora de sarcasmo. Já havia uma tradução em português de algumas letras do belga (pela Assírio e Aslvim). Mas em Setembro do ano passado, quando fazia a investigação para o projecto, encontrei um blogue, o Canto do Brel, da autoria de Sérgio Paixão - ou Sérgio Luís, como muitas vezes assina -, que tem traduções muitas vivas e orgânicas (e criativas) das palavras que Brel desenhou em francês..."


O espectáculo vai estrear no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, a 19 de Junho.
Depois será apresentado em Lisboa (TEATRO DE S.LUIZ) prevendo-se por fim a sua apresentação na Horta, Faial, em Julho.

terça-feira, 1 de junho de 2010

HEUREUX



Esta canção está no segundo LP gravado por Brel em 1957. Teve uma tiragem de 10.000 exemplares. Um número bastante ousado para a época e dez vezes superior ao do primeiro disco. Devido a este sucesso, em Junho desse ano, Jacques Brel é um dos premiados do Grand Prix du Disque de l'Académie Charles Cros.

Feliz (1957)

Feliz o que canta para a criança e que, sem nada lhe dizer, a guia pelo caminho triunfante. Feliz aquele que canta para a criança... Feliz aquele que chora de alegria por enfim se ter dado por amor, ou por um beijo que se bebe. Feliz aquele que chora de alegria...

Felizes os amantes separados e que não sabem ainda que amanhã se vão reencontrar. Felizes os amantes separados...Felizes os amantes extasiados cuja força dos vinte anos não serve para mais nada senão para se amarem. Felizes os amantes extasiados...

Felizes os amantes que nós somos e que amanhã, longe um do outro, se amarão, se amarão, acima de todos os homens...


Em Novembro de 1957 conhece o pianista Gérard Jouannest e logo a seguir François Rauber. Rauber passará a dirigir a orquestra que acompanhará Brel no palco e em digressão.
Esta pequena observação serve apenas para nos apercebermos da grande diferença que vai desta orquestração pirosa de Heureux (1957) para as orquestrações pujantes feitas por François Rauber nos anos seguintes.