domingo, 9 de maio de 2010

SOLARIS


Das Edições Jaques Brel recebi a informação sobre mais um espectáculo em homenagem ao cantor. Trata-se do coro feminino SolariS que vai actuar, a 13 de Maio, em Château de Moha,Wanze, Bélgica.

sábado, 8 de maio de 2010

TITINE




A canção TITINE gravada por Jacques Brel em 1964 é uma adaptação de uma velha canção de 1917 (de Mauban e Bertal) mas que só ficou conhecida em 1936 quando Charlie Chaplin a usou no filme TEMPOS MODERNOS.
Originalmente no texto desta canção o seu autor limitava-se a “procurar a Titine que nunca mais encontrava”. Porém, Brel, bem ao seu estilo, deu a volta ao texto. E meteu-lhe os condimentos necessários para ficar uma canção breliana. Depois de muito procurar a Titine ao volante do seu Hispano, ele finalmente encontrou a sua amada, mas ela tinha mais que fazer do que ficar em casa a aturá-lo. Aturá-lo a ele, ao cão e aos doze filhos... e partiu. Foi ver um filme do Charlot.
O arranjo orquestral de François Rauber ajuda a construir esta cena a preto e branco, cujo protagonista é a figura trágico-cómica do marido traído que procura desesperadamente a mulher.

Titine (1964)

Encontrei a Titine, oh Titine, minha Titine que eu não encontrava! Encontrei-a por acaso a vender mata-borrão atrás de uma montra na Gare Saint Lazare. Disse-lhe, Titine, minha Titine, porque me deixaste? Porque partiste assim, sem um gesto, sem uma palavra? Foste ver um filme do Charlot ao Cinema Olympia. Já há trinta anos que te procurávamos por todo o lado, o meu Hispano e eu, gritando como loucos, atrás de ti, Titine...

Mas agora encontrei a Titine! A minha Titine que eu não encontrava... Procurei-a por todo o lado, do Gabão a Tonquim… Procurei-a em vão, do Chile ao Peru. E disse-lhe Titine, minha Titine, suplico-te, volta! Eu sei que mudaste, estás um pouco menos provocante, pois caminhas como o Charlot, e falas pelos cotovelos, mas enfim, é melhor que nada, quando se vive trinta anos, sozinho com um cão e doze filhos que andaram atrás de ti, Titine.... Titine, oh, minha Titine!

Mas agora encontrei a Titine! A minha Titine que eu não encontrava! Gostava que a vissem... Ela é toda em ouro, bem melhor que a Valentina, bem melhor que a Eleanora. Mas ontem quando lhe disse, Titine, minha Titine, será que ainda me amas? ela foi-se embora outra vez, assim, sem um gesto, sem uma palavra, foi ver um filme do Charlot ao cinema Olympia... E pronto, lá estamos nós, a procurá-la por todo o lado, o meu Hispano e eu, gritando como loucos, atrás da Titine... Titine, Oh, minha Titine !!!
E nós encontraremos a Titine, a minha Titine, e tudo se vai arranjar.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

MADELEINE ZEFF BIVER



MADELEINE Zeff Biver.
Um nome que não diz nada às pessoas mais jovens, mas um nome que todos conhecem através de uma das mais famosas canções de Jacques Brel.
"Ela é tão bonita, ela é tudo isso, ela é toda a minha vida ..." cantou Jacques Brel em homenagem a uma jovem que encontrou em Paris nos anos 50. Uma “starlette” que, na época, frequentava os cafés de artistas, posava nua para pintores e se tornou a porta-bandeira da mini-saia na cidade da luz, antes de se fixar permanentemente em Espanha.
Porém, o país de Franco não conseguia suportar estas excentricidades de Madeleine, e fê-la passar algumas vezes pelas prisões espanholas.
Madeleine, aos 69 anos, ficou colada a uma cadeira de rodas sem qualquer esperança de a deixar um dia, sofrendo de uma forma aguda de esclerose múltipla, que, nas suas próprias palavras, lhe dava "um corpo semelhante a um prato de esparguete cozido".
Madeleine escreveu então uma carta aberta ao jornal espanhol El País, em que pedia permissão para morrer de cabeça erguida "enviando beijos aos que me ajudaram com as suas palavras ou o seu amor."
Depois de muita polémica, Madeleine conseguiu o que queria, mas seu filho não se conformou. Apresentou uma denúncia perante um juiz de Alicante contra aqueles que ajudaram ou incentivaram a morte da sua mãe. "Quando ela estava deprimida, dizia a todos que quisessem ouvir que queria morrer, diz ele, mas poucos dias depois, já tinha esquecido tudo. Eu acho que algumas pessoas são realmente encorajados a tomar a decisão final".
O caso da musa de Jacques Brel dividiu a Espanha e reacendeu um debate acalorado sobre a eutanásia.

JORNAL La Dernière Heure
22/01/2007

quinta-feira, 6 de maio de 2010

GÉRARD JOUANNEST



No ano passado foi publicado um livro escrito por Angela Clouzet - Editor Albin Michel - intitulado "Gérard Jouannest, de Brel a Gréco" (239 páginas).

GÉRARD JOUANNEST, DE BREL A GRÉCO, destaca a carreira do homem que é sem dúvida um dos maiores compositores da canção francesa. Desde que se lembra, Jouannest sempre tocou piano. Nascido numa família humilde - o seu pai era operário e seu avô fabricante de pianos - ele começou aos oito anos a fazer escalas seguindo o conselho de um professor de música Vanves, onde nasceu em 1933. Pianista de Jacques Brel, marido de Juliette Gréco e seu cúmplice de cena, Gérard Jouannest tem uma capacidade inigualável para colocar as palavras na música. Bruxelles, Madeleine, Les vieux, La chanson des vieilles amants, J’arrive, estão entre as mais belas melodias compostas para Jacques Brel.
Jouannest é um ser de grande discrição, que sempre preferiu deixar falar o seu teclado. Daí o interesse deste livro, que convida o leitor a visitar a sua vida em canções de Brel a Gréco, passando pela nova geração de artistas com as quais ele gosta de trabalhar,e que vão de Miossec a Abd al-Malik, com o qual mantém uma relação musical muito forte. Uma vida onde as memórias estão sempre presentes e que, por exemplo, incluem estas palavras comoventes que Brel lhe escreveu das Ilhas Marquesas, em 1977:
"Caro Gérard (...) agradeço a tua atenção para com o "vieux". Tu és precioso para mim e fazes-me sorrir. É por causa de homens como tu, e de mulheres como a Juliette, que me parece cruel ter de morrer tão cedo. Um abraço a ambos. "

terça-feira, 4 de maio de 2010

MAI 40



Esta canção faz parte do lote de 5 das que foram gravadas durante a produção do álbum Marquises em 1977. Brel não as quis incluir neste disco porque, como tinha canções a mais, tinha que excluir 5. E optou por estas que ele considerou as mais fracas. Deixou instruções precisas para que elas nunca fossem editadas. No entanto, 25 anos depois da sua morte as canções foram publicadas, e incluídas num CD duplo intitulado Infiniment.
A Bélgica foi invadida pelos alemães em 10 de Maio de 1940, tinha Brel 11 anos de idade.

Maio 40 (1977)

Tocava uma música como esta quando a guerra rebentou…

Eu, dos meus onze anos de altitude, observava deslumbrado a soldadesca cansada que me trazia de volta a minha belgitude. Os homens tornavam-se homens, as gares devoravam soldados que fingiam que não partiam… E as mulheres, as mulheres agarravam-se aos seus homens…
E eis que a Primavera se incendiou. Os canhões passavam a cantar e depois regressavam com o rabo entre as pernas. Como regressavam chorando os nossos irmãos envelhecidos e os nossos pais nevoentos… E as mulheres, as mulheres agarravam-se às crianças…
Descobri o que é o refugiado… É um camponês feito nómada, é um marginal que foge duma cidade aberta que está fechada. Descobri o que é o excluído… É um exército que foi desarmado e que deve fazer a caminhada a pé… E as mulheres, as mulheres agarravam-se às suas lágrimas…
De um céu mais azul que o habitual, esse Maio de 1940 fez continência a alguns alemães disciplinados que esmagaram a minha belgitude. A honra perdeu a paciência e cada vila conheceu o medo e cada vila foi apagada… E as mulheres, as mulheres agarram-se ao silêncio…


segunda-feira, 3 de maio de 2010

SE VOCÊ VOLTAR

Mais uma versão brasileira de Ne me quitte pas. Feita para
AGNALDO TIMÓTEO e incluída no seu 7º disco, produzido em 1968.
O texto, que reproduzo abaixo, é bem mais banal que o aqui publicado ontem (Ivon Curi) e serviu plenamente para exibir o vozeirão e o charme deste cantor que virou político. A canção teve o título SE VOCÊ VOLTAR.



SE VOCÊ VOLTAR

Se você partir algum dia amor tudo vai mudar
Não vou mais sorrir nem ouvir cantar a canção de amor
Desse amor só seu que ele nasceu
E à noite a sós eu e a minha voz vamos repetir
o seu nome amor se você partir, se você partir

Mas se ficar prometo lhe dar o dia mais lindo
Que a noite já deu, um novo sol irei procurar
E o céu enfeitar do mais lindo azul
E então você sentirá que o amor
É verdade e o tem nas mãos
Se você ficar se você ficar se você ficar

Se você partir como eu sei que irá eu irei pedir
Para deus me ouvir e tudo fará
esperando o dia de você voltar
E irei morrer vagarosamente sem poder dizer
Deste imenso amor que vai-me acabar se você partir
Se você partir se você partir

Mas se ficar prometo lhe dar a noite mais linda
Que o amor conhecer, prometo o infinito
O amor mais perfeito e tudo o que a vida
A dois pode dar, mas se partir eu vou chorar
O pranto maior de amor que existir
Se você partir se você partir se você partir

Se você partir como eu sei que irá nada restará
Para acreditar, um quarto vazio, espaços vazios
Um olhar vazio que há no seu olhar
Sombras cairão a lembrar minha solidão
Que virá se você partir se você partir

sábado, 1 de maio de 2010

NÃO ME DEIXES NÃO




No dia 18 de Dezembro falei aqui neste blog de IVON CURI e a canção OS BOMBONS que ele interpreta de uma maneira quase tão irónica como o original de Brel.
O RAFAEL MOREIRA - breliano de Minas Gerais – teve a amabilidade de me enviar mais uma versão de IVON CURI feita em 1961. Trata-se da canção NE ME QUITTE PAS traduzida para português com o nome NÃO ME DEIXES NÃO.
A tradução está excelente e consegue manter um paralelo quase perfeito ao texto original.
Isto faz-me lembrar uma tradução desta canção que foi feita há dois ou três anos pelo famoso fadista Camané. Ele decidiu cantar Brel num dos seus espectáculos e então cantou com grande emoção fadista “ deixa-me ser o OMBRO do teu ombro, o OMBRO da tua mão, o OMBRO do teu cão”.

NÃO ME DEIXES NÃO

Não me deixes não
Deve-se esquecer
O que se esqueceu
O que já passou
Tudo o que ficou
Sem se compreender
E assim perdeu
No que se buscou
Todos esses dias
A matar de vez
De tantos porquês
Nossas alegrias
Não me deixes não
Não me deixes não
Não me deixes não
Eu te ofertarei
Pérolas de luz
Vindas do país onde luz não há
Abrirei o chão mesmo até morrer
Para te enfeitar de ouro e de prazer
E conquistarei um país sem rei
Onde a lei serás, onde reinarás
Não me deixes não
Não me deixes não
Não me deixes não

Não me deixes não
Eu te inventarei
Frases que nem sei mais
Que entenderás
Eu te contarei amantes
Que eu sei que puderam ver
Tudo renascer
Eu te falarei sobre aquele rei
Que morreu porque não te conheceu
Não me deixes não
Não me deixes não
Não me deixes não

Viu-se muita vez
Se reacender
O velho vulcão
Que já morto está
Há terras que dão rosas em botão
Vendo a flor morrer a cada Verão
Quando a tarde vem
O clarão do céu face do negror e da luz também
Não me deixes não
Não me deixes não
Não me deixes não


Não me deixes não
Não quero chorar
Nem quero falar
Eu me esconderei
A te contemplar
Sorrir dançar
E a te escutar a rir e cantar
Quero renascer
Sombra de tua sombra
Sombra de tua mão
Sombra de teu cão
Não me deixes não
Não me deixes não
Não me deixes não