quinta-feira, 25 de março de 2010

L'ENFANCE


A propósito de ter falado aqui no filme LE FAR WEST, no passado dia 23, publico hoje o texto da canção L'enfance que Brel compôs para o filme. O far west estava no imaginário do Grand Jacques e por isso ele o usou mais vezes noutras canções.
As aventuras de cow boys e índios faziam parte das brincadeiras da miudagem dos anos 40, 50 e 60. O poder do cinema americano impunha-se e nós queríamos imitar os nossos heróis da pradaria. Um grupo de miúdos com umas pistolas de plástico faziam de cow boys - os bons. Este grupo perseguia pelas ruas e jardins o outro grupo, armado com uns arcos e umas flechas muito toscos. Eram os terríveis índios. Os maus que era preciso exterminar! O que nós aprendíamos com as fitas americanas!

A INFÂNCIA (1973)

A infância, quem nos pode dizer quando acaba, quem nos pode dizer quando começa?... É nada com imprudência, é tudo o que está por escrever...
A infância, o que nos impede de a viver e de a reviver indefinidamente?... De viver e reviver o tempo de rasgar o fim do livro.
A infância que se poisa nas nossas rugas, para fazer de nós velhas crianças... Eis-nos jovens amantes de coração cheio e cabeça vazia...
A infância é ainda o direito de sonhar e o direito de sonhar uma vez mais...
O meu pai era um garimpeiro e o tédio foi o que ele mais encontrou...
A infância... É meio-dia todos os quartos de hora, é quinta-feira todas as manhãs...
Os adultos são desertores, todos os burgueses são uns índios...


terça-feira, 23 de março de 2010

BREL REALIZADOR (2)



LE FAR WEST

Realização: Jacques Brel
Argumento: Jacques Brel
Imagem: Alain Levent
Música: Jacques Brel et François Rauber
Montagem: Jacqueline Thiédot
Produção: IFC Films, Films 13
Duração: 85 min.
Estreia: 15/05/1973
Com: Jacques Brel, Gabriel Jabbour, Danielle Evenou, Arlette Lindon, et des amis de Jacques Brel.

Jacques, um « Bruxellois » quarentão, encontra um dia o faquir Abracadabra que, antes de morrer, lhe transmite uma energia única com efeitos que Jacques desconhece. Num acaso da vida, ele vai encontrar um garimpeiro, Gabriel, personagem generoso, vestido como Davy Crockett, que irá segui-lo sem fazer perguntas. Os dois companheiros, seguidos por outros, partem à conquista do Far West da sua infância, como Voltaire procurou o El Dorado e Saint-Exupéry procurou o planeta desconhecido.
Porque o Far West é em lado nenhum: é uma parcela imaginária como todo o mundo gosta de sonhar, um pedaço de felicidade escondido no coração ...

domingo, 21 de março de 2010

BREL REALIZADOR (1)



FRANZ
Realização: Jacques Brel
Argumento: Jacques Brel e Paul Andréota
Música: Jacques Brel et François Rauber
Montagem: Jacqueline Thiédot
Produção: Belles Rives-Cinevog
Duração: 90 min.
Estreia: 02/02/1972
Com: Jacques Brel, Barbara, Danièle Evenou, Fernand Fabre, Serge Sauvions, Louis Navarre, Jacques Provins, François Cadet.

SINOPSE
Leonie e Catherine chegam a uma casa de saúde para funcionários em Blankenberge. Enquanto que uma é bastante reservada, a outra tem um caráter verdadeiramente bizarro, atraindo a virilade de todos os homens. Uma só excepção, Léon, que intriga a personalidade secreta de Léonie. Ele corteja-a desajeitadamente e ela deixa-se levar pelo comportamento deste solitário inábil. Os outros pensionistas, divertindo-se com o romance, arquitectam uma encenação estranha.

Neste video Barbara canta a canção de Brel "Sur la place" ilustrada por imagens de FRANZ:

sábado, 20 de março de 2010

AU PRINTEMPS



Quando esta canção saiu em Paris em 1958, todas as rádios francesas a começaram a utilizar para a abertura oficial da Primavera. Assim, durante vários anos, a 21 de Março, este hino popular à Primavera era tocado infalivelmente. Por este e por muitos outros sucessos Jacques Brel passou a figurar no Dicionário Larousse a partir de 1969.

Na Primavera (1958)
Na Primavera , o meu coração e o teu coração são retocados com vinho branco, e os amantes vão rezar à Nossa Senhora do Bom Tempo na Primavera por uma flor, um sorriso, uma jura, a sombra de um olhar...
Alegremente todas as raparigas vos darão os seus beijos e depois todas as suas esperanças... Vejam todos esses corações, parecem alcachofras que se desfolham continuamente para se oferecer aos namorados... Vejam todos esses corações, parecem brasas que se inflamam, rindo-se para as miúdas do Metro...
Por uma flor, um sorriso, uma jura, a sombra de um olhar...
Alegremente, Paris toda se transformará em beijos, talvez mesmo em noite de gala... Vejam, Paris toda, transforma-se em pastagens para os rebanhos de namorados com pastores pouco atentos... Vejam, Paris toda, faz a festa da aldeia para abençoar ao sol esses novos enlaces...
Por uma flor, um sorriso, uma jura, a sombra de um olhar...
Alegremente, toda a Terra se transformará em beijos que falarão de esperança... Vejam bem este milagre, porque é o último que se nos oferece sem termos que o chamar... Vejam este milagre que está a acontecer, é a primeira oportunidade, a única do ano...
Na Primavera , o meu coração e o teu coração são retocados com vinho branco, e os amantes vão rezar à Nossa Senhora do Bom Tempo na Primavera...


sexta-feira, 19 de março de 2010

FILS DE...

Jacques Brel nasceu em Bruxelas. O seu pai era dono de uma fábrica de cartonagem.O destino de Brel seria ocupar o lugar do pai quando chegasse a devida altura. Só que o seu destino foi outro. Com 24 anos participa num concurso de canções, “Grand Prix de la Chanson”, na Bélgica, e fica em penúltimo lugar, entre 28 concorrentes. Em 1958, com 29 anos de idade, Brel grava um LP que vendeu quarenta mil exemplares. Dez anos depois um outro disco vendeu em todo o mundo centenas de milhar de exemplares. O último LP,gravado em 1977, esgotou a primeira edição mesmo antes de chegar às lojas. Na primeira semana vendeu 2 milhões de exemplares.
Brel foi pai de 3 filhas, Chantal nascida em 1951, France em 1953 e Isabelle em 1958. Nenhuma delas seguiu os passos do pai.

Filho de... (1967)

Filho de burguês ou filho de apóstolo, todas as crianças são como as vossas. Filho de imperador ou filho de ninguém, todas as crianças são como a tua. O mesmo sorriso, as mesmas lágrimas, os mesmos medos, os mesmos suspiros... Filho de imperador ou filho de ninguém, todas as crianças são como a tua...
Mas só depois... muito tempo depois...
Mas, filho de sultão, filho de faquir, todas as crianças têm um império sob cúpulas de ouro ou sob tectos de colmo. Todas as crianças têm um reino, um recanto de mar, uma flor que estremece, um pássaro morto parecido com elas... Filho de sultão, ou filho de faquir, todas as crianças têm um império...
Mas só depois... muito tempo depois...
Mas, filho do teu filho ou filho de estrangeiro, todas as crianças são feiticeiras... Filho dum amor, filho duma
paixoneta, todas as crianças são poetas. Elas são pastores, elas são reis magos, elas têm nuvens para melhor poder voar... Filho do teu filho ou filho de estrangeiro, todas as crianças são feiticeiras...
Mas só depois... muito tempo depois...


quinta-feira, 18 de março de 2010

MARJORIE ESTIANO



Em 23 de Março, no Bourbon Street, Clube musical de São Paulo, a cantora Marjorie Estiano estreia um novo projecto, Combinação Sobre Todas As Coisas, em que faz um "laboratório musical" para sua futura digressão, em que interpretará músicas de outros artistas.

Dentre as canções escolhidas estão Cajuína (Caetano Veloso), Imoral, Ilegal ou Engorda (Roberto e Erasmo Carlos), Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Quizas (Osvaldo Farrés), Miss Celie´s Blues (Quincy Jones), Chocolate Jesus (Tom Waits) e Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel).

Dessa vez, Marjorie é acompanhada por um novo sexteto composto pelos músicos João Bittencourt (piano e acordeon), José Maria (sax barítono), Juninho (trompete e voz), Mauricio Oliveira (baixo), Gláucio Ayala (bateria e voz) e Caio Barreto (guitarra e voz).

Com mais esta versão de "Ne me quitte pas" o número de versões que consta do site LA CHANSON DE JACKY
vai passar para 912 !

quarta-feira, 17 de março de 2010

...LES VIEUX AMANTS

Segundo o site LA CHANSON DE JACKY há, até ao momento, 337 versões do tema de Jacques Brel “La Chanson des Vieux Amants”. Com este número de versões classifica-se em 2º lugar na tabela de versões brelianas.
Por curiosidade fique a saber que, com mais de 900 versões, encontra-se em 1ºlugar, “NE ME QUITTE PAS” e a canção “Amsterdam”, também com mais de 300 versões, está em 3ºlugar.

As versões de “...vieux amants” passam, por exemplo, por José Carreras, Walter Di Gemma , Juliette Gréco , Noel Harrison, Maxime Le Forestier , Alison Moyet , Herman van Veen, Sylvie Vartan e até a fadista Mísia.
No youtube encontrei estas duas versões que pelo seu contraste não resisto a mostrá-las aqui neste espaço.

A primeira versão é da cantora belga MAURANE que canta com um grupo coral de 1000 vozes chamado Les Fous Chantants d’Alés.


A segunda versão é da fadista Mariana Correia que canta em Genève na Salle AMR.