Em 1960 Jacques Brel encontra Charley Marouani que se torna o seu empresário. É o grande salto para a fama e para o sucesso internacional. Marouani organiza espectáculos de Brel por todo o mundo, e em 1961 consegue que Brel substitua Marlene Dietrich num concerto no Olympia de Paris. Marlene desistira à última hora do seu espectáculo por causas imprevistas e Brel não desiludiu o exigente público daquela importante sala de espectáculos. A canção L’ivrogne, é deste espectáculo de 1961.
O BÊBADO (1961)
Amigo, enche-me o copo... Só mais um, e eu vou-me embora. Não, não vou chorar... Estou alegre e até já canto, mas, dói-me ser assim... Amigo enche-me o copo, enche-me o copo...
Bebamos à tua saúde, tu que sabes tão bem dizer que tudo se vai arranjar, que ela vai voltar... Tanto pior se estás a mentir, taberneiro antipático... Daqui a bocado estarei bêbado e estarei sem tristeza...
Bebamos à saúde dos amigos e das paródias que eu vou reencontrar e que me vão agradar... Tanto pior se esses tipos me deixarem por aí caído... Eu estarei bêbado daqui a bocado e estarei sem cólera...
Bebamos à minha saúde... Bebam comigo, venham dançar, partilhem a minha alegria... Tanto pior se os dançarinos me deixarem por aí ao relento... Daqui a um bocado estarei bêbado e estarei sem rancor... Bebamos às miúdas que me resta amar, bebamos já às miúdas que eu vou fazer chorar. Tanto pior para as flores que me vão rejeitar... Eu estarei bêbado daqui a um bocado e estarei sem paixão...
Bebamos à puta que me destroçou o coração... Bebamos a pleno desgosto, bebamos a plenos prantos, e tanto pior para os prantos que me inundam esta noite... Eu estarei bêbado daqui a bocado e estarei sem memória. Bebamos, noite após noite, até que eu fique medonho para a insignificante Sylvie, para o insignificante remorso... Bebamos, que está na hora. Bebamos só por beber... Daqui a um bocado estarei bem... Estarei sem esperança...
Amigo, enche-me o copo... Só mais um e eu vou-me embora. Não, não vou chorar, estou alegre e até canto... Tudo se há-de arranjar, amigo enche-me o copo, enche-me o copo...
AMIGOS BEBAM UM COPO À MINHA SAÚDE QUE EU VOU BEBER À VOSSA !!!
BOM ANO DE 2010 !
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
L'HOMME DE LA MANCHA
Em Agosto de 1968, começam os ensaios de "L'Homme de la Mancha" no Teatro Champs-Elysées em Paris.
A 4 de Outubro é a estreia no Théâtre Royal de la Monnaie em Bruxelles. Dario Moreno interpreta o papel de Sancho Pança.
Em 30 de Novembro, Dario Moreno morre no aeroporto de Istambul e é substituído por Robert Manuel. É durante este mês de Novembro que a comédia musical americana "Jacques Brel is alive and well and living in Paris" é estreada em Londres.
A 11 de Dezembro tem lugar a primeira apresentação de "L'Homme de la Mancha" no Teatro Champs-Elysées, Paris.
O Homem da Mancha (1968)
Escuta-me pobre mundo, insuportável mundo
Isto é demais, já bateste no fundo, estás demasiado cinzento
Tu és demasiado feio abominável mundo,
Escuta-me, um cavaleiro desafia-te, sim sou eu Dom Quixote
Senhor da Mancha, para sempre ao serviço da honra
Porque eu tenho honra em ser EU, D.Quixote sem medo
E o vento da história canta em mim,
Além disso, que me importa a história, desde que ela me leve à glória...
E eu sou Sancho, Sancho, o seu criado, o seu filho, o seu irmão
Sancho o seu único amigo, para sempre o seu único seguidor
e por isso me orgulho...
Olhem para mim, dragões, feiticeiros e feiticeiras, o vosso reino morre hoje
Olhem para mim, a virtude arde na minha bandeira
Olhem para mim, um cavaleiro desafia-vos. Sim, sou EU, D.Quixote,
Senhor da Mancha, para sempre ao serviço da honra,
Porque eu tenho honra em ser eu, D.Quixote sem medo...
E o vento da história canta em mim
Além disso, que me importa a história, desde que ela me leve à glória...
A 4 de Outubro é a estreia no Théâtre Royal de la Monnaie em Bruxelles. Dario Moreno interpreta o papel de Sancho Pança.
Em 30 de Novembro, Dario Moreno morre no aeroporto de Istambul e é substituído por Robert Manuel. É durante este mês de Novembro que a comédia musical americana "Jacques Brel is alive and well and living in Paris" é estreada em Londres.
A 11 de Dezembro tem lugar a primeira apresentação de "L'Homme de la Mancha" no Teatro Champs-Elysées, Paris.
O Homem da Mancha (1968)
Escuta-me pobre mundo, insuportável mundo
Isto é demais, já bateste no fundo, estás demasiado cinzento
Tu és demasiado feio abominável mundo,
Escuta-me, um cavaleiro desafia-te, sim sou eu Dom Quixote
Senhor da Mancha, para sempre ao serviço da honra
Porque eu tenho honra em ser EU, D.Quixote sem medo
E o vento da história canta em mim,
Além disso, que me importa a história, desde que ela me leve à glória...
E eu sou Sancho, Sancho, o seu criado, o seu filho, o seu irmão
Sancho o seu único amigo, para sempre o seu único seguidor
e por isso me orgulho...
Olhem para mim, dragões, feiticeiros e feiticeiras, o vosso reino morre hoje
Olhem para mim, a virtude arde na minha bandeira
Olhem para mim, um cavaleiro desafia-vos. Sim, sou EU, D.Quixote,
Senhor da Mancha, para sempre ao serviço da honra,
Porque eu tenho honra em ser eu, D.Quixote sem medo...
E o vento da história canta em mim
Além disso, que me importa a história, desde que ela me leve à glória...
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
LES SINGES
Brel dizia que “na vida o que conta é a intensidade da vida e não a sua duração... Viver é formidável. Não é um caso sério, não é um caso grave. É preciso saber fugir da gravidade dos imbecis” e já agora dos macacos, digo eu. O texto que publico hoje é de 1961 e chama-se Les singes, os macacos, aqueles que nos querem controlar a vida, penalizar a vida, amargurar a vida, destruir a vida... Os macacos dos nossos bairros...
OS MACACOS (1961)
Antes deles, antes dos cus pelados, a flor, o pássaro e nós, andávamos em liberdade... Mas, eles chegaram e a flor foi para um vaso, e o pássaro para uma gaiola... E nós para um número. Porque eles inventaram as prisões, e os condenados, e os registos criminais, e os buracos na fechadura, e as línguas cortadas das primeiras censuras...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro...
Antes deles, não havia problema quando as bananas amadureciam mesmo pela Quaresma... Mas, eles chegaram a abarrotar de intolerância, e foram caçar, pregando outras intolerâncias. Porque eles inventaram a caça aos albigenses, a caça aos infiéis e a caça a outros que tais... A caça aos macacos sensatos que não gostavam de caçar...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro...
Antes deles, o homem era um príncipe, a mulher uma princesa e o amor uma província... Mas, eles chegaram, e o príncipe é um vagabundo, a província definha e a princesa está à venda... Porque eles inventaram que o amor é pecado, o amor é um negócio, uma feira de virgens, o direito ao assédio… Inventaram as patroas de bordel...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro...
Antes deles havia paz sobre a Terra, quando para dez elefantes não havia mais que um militar... Mas, eles chegaram, e foi à bastonada que a razão de Estado caçou a razão... Porque eles inventaram o ferro de empalar, e a câmara de gás, e a cadeira eléctrica, e a bomba de napalm, e a bomba atómica...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro... Os macacos do meu bairro!
OS MACACOS (1961)
Antes deles, antes dos cus pelados, a flor, o pássaro e nós, andávamos em liberdade... Mas, eles chegaram e a flor foi para um vaso, e o pássaro para uma gaiola... E nós para um número. Porque eles inventaram as prisões, e os condenados, e os registos criminais, e os buracos na fechadura, e as línguas cortadas das primeiras censuras...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro...
Antes deles, não havia problema quando as bananas amadureciam mesmo pela Quaresma... Mas, eles chegaram a abarrotar de intolerância, e foram caçar, pregando outras intolerâncias. Porque eles inventaram a caça aos albigenses, a caça aos infiéis e a caça a outros que tais... A caça aos macacos sensatos que não gostavam de caçar...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro...
Antes deles, o homem era um príncipe, a mulher uma princesa e o amor uma província... Mas, eles chegaram, e o príncipe é um vagabundo, a província definha e a princesa está à venda... Porque eles inventaram que o amor é pecado, o amor é um negócio, uma feira de virgens, o direito ao assédio… Inventaram as patroas de bordel...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro...
Antes deles havia paz sobre a Terra, quando para dez elefantes não havia mais que um militar... Mas, eles chegaram, e foi à bastonada que a razão de Estado caçou a razão... Porque eles inventaram o ferro de empalar, e a câmara de gás, e a cadeira eléctrica, e a bomba de napalm, e a bomba atómica...
E só então, depois, é que ficaram civilizados, os macacos do meu bairro... Os macacos do meu bairro!
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
PLACE DE LA CONTRESCARPE
Encontrei aqui na net uma canção de Jacques Brel que não está gravada em qualquer suporte áudio. O texto também não consta em nenhum site especializado em "lyrics" desses que abundam na rede.
Os meus agradecimentos a Rodolphe Guillo que me ajudou a entender o texto.
Portanto, aqui vão os versos da canção em português sem link para a versão original.
Praça da Contrescarpe
Praça da Contrescarpe
Os vagabundos dansam numa roda
Praça da Contrescarpe
Eles batem os calcanhares
Eles têm os pés gelados
As mãos nos bolsos esburacados
Praça da Contrescarpe
Eles dansam todos numa roda
No Verão, quatro árvores verdes
Quatro árvores negras no Inverno
E em redor dos cafés
Cerveja quente bem fresquinha
O vento varre a geada
Do telhado das casas
E dão voltas o negro zarolho
O árabe e o bretão
Praça da Contrescarpe
Eles dansam todos numa roda
A música do vento
Esta noite fá-los dansar
E os últimos transeuntes
Passam com passo apressado
Depois os carros da polícia
Sem sirene nem buzina
Embalam seguros os vagabundos
Vagabundos campanários
Privilegiados, os pobres
Passarão a noite no violino
Praça da Contrescarpe
Os vagabundos dansam numa roda
Praça da Contrescarpe
Os nossos vagabundos dansam numa roda
Os meus agradecimentos a Rodolphe Guillo que me ajudou a entender o texto.
Portanto, aqui vão os versos da canção em português sem link para a versão original.
Praça da Contrescarpe
Praça da Contrescarpe
Os vagabundos dansam numa roda
Praça da Contrescarpe
Eles batem os calcanhares
Eles têm os pés gelados
As mãos nos bolsos esburacados
Praça da Contrescarpe
Eles dansam todos numa roda
No Verão, quatro árvores verdes
Quatro árvores negras no Inverno
E em redor dos cafés
Cerveja quente bem fresquinha
O vento varre a geada
Do telhado das casas
E dão voltas o negro zarolho
O árabe e o bretão
Praça da Contrescarpe
Eles dansam todos numa roda
A música do vento
Esta noite fá-los dansar
E os últimos transeuntes
Passam com passo apressado
Depois os carros da polícia
Sem sirene nem buzina
Embalam seguros os vagabundos
Vagabundos campanários
Privilegiados, os pobres
Passarão a noite no violino
Praça da Contrescarpe
Os vagabundos dansam numa roda
Praça da Contrescarpe
Os nossos vagabundos dansam numa roda
domingo, 27 de dezembro de 2009
1 Km DE CADA VEZ
Viajar é usufruir. É sentir o momento e os locais por onde se passa.
“1 km de cada vez”, o mais recente livro de GONÇALO CADILHE, celebra “a preguiça do viajante”.
Publicado pela OFICINA DO LIVRO, “1 km de cada vez” foi lançado no passado dia 24 de Novembro 2009.
Neste novo livro de textos inéditos, o autor relata o que sentiu nas viagens efectuadas ao longo de quinze meses. Sem pressas e sem datas. Por destinos tão diversos e longínquos como as ilhas Galápagos, o Sueste Asiático, a América Central, a África Austral, a Polinésia, as Caraíbas ou a Oceânia.
Gonçalo Cadilhe esteve em Hiva Oa e estas são as suas palavras para descrever a sua visita ao cemitério onde jaz Jacques Brel:
"O pequeno cemitério onde jazem os restos mortais de Brel encontra-se numa colina em anfiteatro sobre o mar. Passei uma tarde no cemitério, sereno e alheado, a ler, a olhar o mar, a meditar no que teria sido a vida de Brel ali. Com o quê ocuparia o seu tempo? Que livros, vinhos, música, teria trazido para esta sua ilha deserta? E se a morte não o tivesse levado, o que teria sido a sua vida? Teria regressado a Paris, à Bélgica; ou ainda estaria nas ilhas Marquesas?”
Gonçalo Cadilhe
1 km de cada vez
“1 km de cada vez”, o mais recente livro de GONÇALO CADILHE, celebra “a preguiça do viajante”.
Publicado pela OFICINA DO LIVRO, “1 km de cada vez” foi lançado no passado dia 24 de Novembro 2009.
Neste novo livro de textos inéditos, o autor relata o que sentiu nas viagens efectuadas ao longo de quinze meses. Sem pressas e sem datas. Por destinos tão diversos e longínquos como as ilhas Galápagos, o Sueste Asiático, a América Central, a África Austral, a Polinésia, as Caraíbas ou a Oceânia.
Gonçalo Cadilhe esteve em Hiva Oa e estas são as suas palavras para descrever a sua visita ao cemitério onde jaz Jacques Brel:
"O pequeno cemitério onde jazem os restos mortais de Brel encontra-se numa colina em anfiteatro sobre o mar. Passei uma tarde no cemitério, sereno e alheado, a ler, a olhar o mar, a meditar no que teria sido a vida de Brel ali. Com o quê ocuparia o seu tempo? Que livros, vinhos, música, teria trazido para esta sua ilha deserta? E se a morte não o tivesse levado, o que teria sido a sua vida? Teria regressado a Paris, à Bélgica; ou ainda estaria nas ilhas Marquesas?”
Gonçalo Cadilhe
1 km de cada vez
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sábado, 26 de dezembro de 2009
Brel actor (5)
L'Aventure c'est l'aventure
Realização: Claude Lelouch
Imagem: Jean Collomb
Música: Francis Lai
Montagem: Jeannine Boublil
Produção: Films 13, Artistes Associés, Films Ariane
Duração: 120 min.
Estreia: 04/05/1972
COM: Jacques Brel, Lino Ventura, Charles Denner, Aldo Maccione, Charles Gérard, Johnny Halliday, Nicole Courcel.
Argumento :
Roubos, assaltos à mão armada, acertos de contas, homicídios... eis o festival de delitos oferecido aos parisienses, no ano de 1972. Mas isto não serve para concluir que os bandidos têm vida fácil, porque se é canja roubar um banco, não quer dizer que haja lá dinheiro. Jacques, Lino e Simon, três líderes de uma quadrilha e os seus lacaios Charlo e Aldo, reúnem-se então para resolver os seus problemas de golpes falhados. Conclusão: É preciso rever toda a metolodogia e aplicar à indústria do crime, em crise, as soluções usadas nas empresas, como por exemplo, gestão, reciclagem e formação acelerada de gestores. Depois desta preparação intensiva os cinco comparsas lançam-se no único ramo que ainda oferece oportunidades seguras – a política.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
DITES, SI C'ÉTAIT VRAI

Pintura flamenga do século XVI, de GERARD DAVID
Jacques Brel nascido em Bruxelas, mas de cepa flamenga, é educado na religião católica, mas sem fé. Na infância e adolescência frequenta um instituto católico, é escuteiro e colabora com a Franche Cordée, um movimento juvenil católico. A abordagem dos temas religiosos nas suas canções joga sempre com este dilema teológico: O mundo é cruel! Se Deus é bom e criador porque é que a criação é tão imperfeita? Um padre jesuíta, amigo do cantor, disse um dia que o problema essencial de Brel era o sofrimento do mundo.
DIGAM, SE FOI VERDADE - 1958
Digam, digam, se foi verdade. Se ele nasceu realmente em Belém, num estábulo.
Digam, se foi verdade. Se os Reis Magos vieram realmente de muito, muito longe para lhe trazer ouro, mirra e incenso...
Digam, se foi verdade, se foi verdade tudo o que eles escreveram, Lucas, Mateus, e os outros dois...
Digam, se foi verdade o caso das bodas de Canaã, e o caso do Lázaro...
Digam, se foi verdade, se foi verdade aquilo que contam às crianças, à noite, antes de adormecer. Vocês sabem, quando eles rezam o Pai-nosso e a Avé Maria.
Se isso foi tudo verdade, direi que sim, certamente que direi sim.
Porque isso é tudo tão belo quando se acredita que é verdade...
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