sábado, 26 de dezembro de 2009
Brel actor (5)
L'Aventure c'est l'aventure
Realização: Claude Lelouch
Imagem: Jean Collomb
Música: Francis Lai
Montagem: Jeannine Boublil
Produção: Films 13, Artistes Associés, Films Ariane
Duração: 120 min.
Estreia: 04/05/1972
COM: Jacques Brel, Lino Ventura, Charles Denner, Aldo Maccione, Charles Gérard, Johnny Halliday, Nicole Courcel.
Argumento :
Roubos, assaltos à mão armada, acertos de contas, homicídios... eis o festival de delitos oferecido aos parisienses, no ano de 1972. Mas isto não serve para concluir que os bandidos têm vida fácil, porque se é canja roubar um banco, não quer dizer que haja lá dinheiro. Jacques, Lino e Simon, três líderes de uma quadrilha e os seus lacaios Charlo e Aldo, reúnem-se então para resolver os seus problemas de golpes falhados. Conclusão: É preciso rever toda a metolodogia e aplicar à indústria do crime, em crise, as soluções usadas nas empresas, como por exemplo, gestão, reciclagem e formação acelerada de gestores. Depois desta preparação intensiva os cinco comparsas lançam-se no único ramo que ainda oferece oportunidades seguras – a política.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
DITES, SI C'ÉTAIT VRAI

Pintura flamenga do século XVI, de GERARD DAVID
Jacques Brel nascido em Bruxelas, mas de cepa flamenga, é educado na religião católica, mas sem fé. Na infância e adolescência frequenta um instituto católico, é escuteiro e colabora com a Franche Cordée, um movimento juvenil católico. A abordagem dos temas religiosos nas suas canções joga sempre com este dilema teológico: O mundo é cruel! Se Deus é bom e criador porque é que a criação é tão imperfeita? Um padre jesuíta, amigo do cantor, disse um dia que o problema essencial de Brel era o sofrimento do mundo.
DIGAM, SE FOI VERDADE - 1958
Digam, digam, se foi verdade. Se ele nasceu realmente em Belém, num estábulo.
Digam, se foi verdade. Se os Reis Magos vieram realmente de muito, muito longe para lhe trazer ouro, mirra e incenso...
Digam, se foi verdade, se foi verdade tudo o que eles escreveram, Lucas, Mateus, e os outros dois...
Digam, se foi verdade o caso das bodas de Canaã, e o caso do Lázaro...
Digam, se foi verdade, se foi verdade aquilo que contam às crianças, à noite, antes de adormecer. Vocês sabem, quando eles rezam o Pai-nosso e a Avé Maria.
Se isso foi tudo verdade, direi que sim, certamente que direi sim.
Porque isso é tudo tão belo quando se acredita que é verdade...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
AXEL CHILL, "ZO BREL"
Rodolphe Guillo que foi ver o espectáculo de AXEL CHILL, "ZO BREL", no passado dia 18 em Saint-Malo, escreveu no seu blog LA CHANSON DE JACKY uma crítica ao espectáculo (que traduzi para O CANTO DO BREL). Ontem Rodolphe indicou-me o site onde estão excertos das interpretações de Axel Chill de algumas canções desse espectáculo sobre o Grand Jacques. Quem estiver interessado em escutar esses excertos clique AQUI.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Anthony Cable, THE RAGE TO LIVE
Recebi das Edições Jacques Brel mais uma informação sobre o espectáculo “Jacques Brel THE RAGE TO LIVE”. Este espectáculo de homenagem ao cantor (a que fiz referência no dia 19 de Setembro) tem tido imenso êxito na França, Alemanha e Inglaterra, não só pela afluência de público que tem esgotado as salas, como pelos comentários entusiásticos publicados pelos críticos teatrais.
A última actuação foi ontem, dia 21, no New End Theatre, em Hampstead, Londres.
Veja-se na página de ANTHONY CABLE, o actor que faz reviver Brel no palco, acompanhado por um pianista - Michael Roulston - e por um acordianista - Igor Outkine.
A última actuação foi ontem, dia 21, no New End Theatre, em Hampstead, Londres.
Veja-se na página de ANTHONY CABLE, o actor que faz reviver Brel no palco, acompanhado por um pianista - Michael Roulston - e por um acordianista - Igor Outkine.
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
"ZO BREL" visto por RODOLPHE GUILLO
No dia 4 de Dezembro passado publiquei aqui o anúncio de mais um espectáculo em homenagem JACQUES BREL. Tratava-se de “ZO BREL”. Ora, um dos autores do site LA CHANSON DE JACKY, RODOLPHE GUILLO, foi ver este espectáculo, no dia 18, em Saint-Malo e publicou no seu BLOG as suas impressões sobre o que viu e ouviu. Tomo a liberdade de transcrever esse pequeno texto aqui no CANTO DO BREL.

“No porto de Saint-Malo, há artistas que interpretam os temas que os atormentam para lá de Saint-Malo”
Esta Sexta feira, 18 de Dezembro, enfrentando a neve, fui ver o espectáculo “Zo Brel” com Axel Chill, cantor e comediante, e Jean-Jacques Marin, pianista, que decorreu em Saint-Malo. Foi sobre um palco sóbrio, com um piano decorado com o desenho de duas margaridas e com dois bancos pequenos, que os dois companheiros representaram a comédia humana segundo Brel.
Se os textos permanecem, é claro, os mesmos, as músicas foram arranjadas de maneira diferente para permitir, a Axel Chill jogar com o seu talento de actor e Jean-Jacques Marin com o seu brilhantismo de pianista, a encenação dos textos. O conjunto das canções está organizado em consonância com os extractos mais marcantes da filosofia de Brel: as citações que ficaram célebres sobre a estupidez, o talento, o gosto da aventura...
O reportório apresentado é constituído por canções que jogam sobretudo com o contraste de sentimentos. Nada de "Ne me quitte pas", de "Chanson de Jacky" ou de "Marieke".
Começando com o pouco conhecido “Le cheval” , onde Axel Chill imediatamente demonstra sua capacidade de pantomima, fiquei logo fascinado pela sua interpretação
de "Fils de...", e verdadeiramente divertido com "Rosa", onde se passa da candura infantil e timidez pela segurança do estado amoroso à descoberta dos espinhosos problemas do amor. Tudo termina numa cena taciturna com “Ces gens-lá” lançando um véu de escuridão e melancolia sobre todos os temas tratados de modo tão divertido.
O espectáculo terminou sob o entusiasmo de um público fascinado e conquistado reclamando “mais uma, mais uma, mais uma!!!” Os intérpretes cumprimentaram, explicaram que o espectáculo era composto unicamente por canções de Brel, risos, o encenador agradeceu e concluiu: “Brel nunca fazia repetições (bis)”. A esperança floresceu e...Venha ver!!!

“No porto de Saint-Malo, há artistas que interpretam os temas que os atormentam para lá de Saint-Malo”
Esta Sexta feira, 18 de Dezembro, enfrentando a neve, fui ver o espectáculo “Zo Brel” com Axel Chill, cantor e comediante, e Jean-Jacques Marin, pianista, que decorreu em Saint-Malo. Foi sobre um palco sóbrio, com um piano decorado com o desenho de duas margaridas e com dois bancos pequenos, que os dois companheiros representaram a comédia humana segundo Brel.
Se os textos permanecem, é claro, os mesmos, as músicas foram arranjadas de maneira diferente para permitir, a Axel Chill jogar com o seu talento de actor e Jean-Jacques Marin com o seu brilhantismo de pianista, a encenação dos textos. O conjunto das canções está organizado em consonância com os extractos mais marcantes da filosofia de Brel: as citações que ficaram célebres sobre a estupidez, o talento, o gosto da aventura...
O reportório apresentado é constituído por canções que jogam sobretudo com o contraste de sentimentos. Nada de "Ne me quitte pas", de "Chanson de Jacky" ou de "Marieke".
Começando com o pouco conhecido “Le cheval” , onde Axel Chill imediatamente demonstra sua capacidade de pantomima, fiquei logo fascinado pela sua interpretação
de "Fils de...", e verdadeiramente divertido com "Rosa", onde se passa da candura infantil e timidez pela segurança do estado amoroso à descoberta dos espinhosos problemas do amor. Tudo termina numa cena taciturna com “Ces gens-lá” lançando um véu de escuridão e melancolia sobre todos os temas tratados de modo tão divertido.
O espectáculo terminou sob o entusiasmo de um público fascinado e conquistado reclamando “mais uma, mais uma, mais uma!!!” Os intérpretes cumprimentaram, explicaram que o espectáculo era composto unicamente por canções de Brel, risos, o encenador agradeceu e concluiu: “Brel nunca fazia repetições (bis)”. A esperança floresceu e...Venha ver!!!
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domingo, 20 de dezembro de 2009
LE PLAT PAYS
Le plat pays, foi escrito no ano de 1961. Brel tinha comprado uma casa em Roquebrune, à beira mar, e lá, em dez dias, escreveu um dos seus mais belos textos. No entanto, a canção teve uma má recepção por parte da Philips, empresa discográfica do cantor, e foi incluída num disco apenas para tapar um buraco. Só que, inesperadamente Le plat pays tornou-se num sucesso estrondoso! Jacques Brel não se considerava poeta, mas autor de canções. No entanto, admitia que este texto era uma excepção e seria um texto poético.
Nesta ilustração do álbum ASTERIX ENTRE OS BELGAS (Dargaud Editeur) Gosciny faz uma referência a Brel e à canção Le plat pays. Oppidum é uma fortaleza em latim.

O PAÍS PLANO - 1962
Com o Mar do Norte como último terreno baldio, e com as vagas de dunas para conter as vagas, e os vagos rochedos que as marés galgam e que têm para sempre o coração na maré baixa... Com um nunca acabar de brumas a chegar, trazidas pelo de vento de Leste, escutem-no a resistir, este país plano que é o meu...
Com catedrais, como únicas montanhas, e negros campanários, como mastros de cocanha, onde diabos em pedra esgaçam as nuvens... Com o correr dos dias como única viagem, e caminhos de chuva como única despedida... Com o vento de Oeste, escutem-no a implorar, este país plano que é o meu...
Com um céu tão baixo que um canal se afundou. Com um céu tão baixo que cria a humildade. Com um céu tão cinzento que um canal se enforcou... Com um céu tão cinzento que é preciso perdoar-lhe. Com o vento do norte que vem dilacerar-se... Com o vento do Norte, escutem-no estalar, este país plano que é o meu...
Com a Itália a descer o rio Escault, com a loira Frida a tornar-se Margot. Quando os filhos de Novembro regressam em Maio, quando a planície fumega e estremece em Julho. Quando o vento está alegre e corre pelo trigo, quando o vento está de Sul, escutem-no a cantar, este país plano que é o meu...
Nesta ilustração do álbum ASTERIX ENTRE OS BELGAS (Dargaud Editeur) Gosciny faz uma referência a Brel e à canção Le plat pays. Oppidum é uma fortaleza em latim.

O PAÍS PLANO - 1962
Com o Mar do Norte como último terreno baldio, e com as vagas de dunas para conter as vagas, e os vagos rochedos que as marés galgam e que têm para sempre o coração na maré baixa... Com um nunca acabar de brumas a chegar, trazidas pelo de vento de Leste, escutem-no a resistir, este país plano que é o meu...
Com catedrais, como únicas montanhas, e negros campanários, como mastros de cocanha, onde diabos em pedra esgaçam as nuvens... Com o correr dos dias como única viagem, e caminhos de chuva como única despedida... Com o vento de Oeste, escutem-no a implorar, este país plano que é o meu...
Com um céu tão baixo que um canal se afundou. Com um céu tão baixo que cria a humildade. Com um céu tão cinzento que um canal se enforcou... Com um céu tão cinzento que é preciso perdoar-lhe. Com o vento do norte que vem dilacerar-se... Com o vento do Norte, escutem-no estalar, este país plano que é o meu...
Com a Itália a descer o rio Escault, com a loira Frida a tornar-se Margot. Quando os filhos de Novembro regressam em Maio, quando a planície fumega e estremece em Julho. Quando o vento está alegre e corre pelo trigo, quando o vento está de Sul, escutem-no a cantar, este país plano que é o meu...
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
IVON CURI
IVON CURI (1928/1995)

Cantor, compositor e actor brasileiro.
No princípio dos anos 60 dizia-se que IVON CURI era o único intérprete brasileiro de Chevalier a Serge Gainsbourg, a Ricet Barrier, a Jacques Brel, a Gilbert Becaud passando por Jean Sablon, Georges Ulmer, Charles Trenet , Leo Ferré e Catherine Sauvage. Ivon Curi tinha com esta constelação francesa um parentesco: a inteligência do que cantava e o domínio do público só pela sua presença. Chamavam-lhe o “actor da canção”.
Foi ele quem primeiro traduziu para português canções de Jacques Brel, e nos seus espectáculos, como “actor da canção” que era, dava-lhes a encenação que os textos exigiam, tornando as canções grandes êxitos do seu reportório.
E para se ter uma ideia do que seriam as suas interpretações de Brel, hoje transcrevo o texto OS BOMBONS. A tradução de Ivon Curi não é uma tradução à letra, mas uma tradução cantável com rimas e métricas ajustadas à melodia original. No entanto, Ivon Curi soube dar-lhe o inconfundível sabor sarcástico de Brel.
Agradeço a RODOLPHE GUILLO o envio do ficheiro com as canções de Ivon Curi do LP “Um espectáculo à parte”.
OS BOMBONS (Trad. Ivon Curi) 1963
Boa tarde Teresa Cristina
Que linda tarde de Primavera, não acha, então?
Eu comprei p’ra você uns bombons
Pois as rosas são tão perecíveis
E os bombons além de bons, cá para nós
São bem mais comíveis,
Pois rosas... só quando em “botons”
Por isso eu optei pelos bombons...
Vim convidá-la a passear
Com você mamã não vai zangar,
Nós vamos ver o trem passar
Verá como é lindo seu apitar,
E nós dois presos de “emoçon”
Comeremos juntos um bombon...
Quantos olhares invejosos
Todos me olham de soslaio,
Momentos tão maravilhosos
Que eu desfaleço, quase desmaio,
O Freud tem a “explicaçon”,
A propósito experimente um bombon...
Olha a Mafalda tão demodé
Tão presunçosa e tão cruel,
Mafalda é lixo perto de você
Mafalda é a própria cascavel,
Eu falo porque tenho mil “razons”
Só p’ra você eu traria bombons...
A Praça Boris está em festa,
Olha o Leon a nos olhar,
Teresa Cristina ele não presta
Mas se prefere ... dou meu lugar,
Se você fica com o Leon
Eu levo de volta o meu bombon...
Boa tarde senhorita Mafalda
Que linda tarde de Primavera,
Eu comprei p’ra você uns bombons
Pois as rosas são tão perecíveis,
E os bombons além de bons
Cá para nós são bem mais comíveis...
O texto em português, tradução do original, está publicado neste blog em 10 de Setembro.
Cantor, compositor e actor brasileiro.
No princípio dos anos 60 dizia-se que IVON CURI era o único intérprete brasileiro de Chevalier a Serge Gainsbourg, a Ricet Barrier, a Jacques Brel, a Gilbert Becaud passando por Jean Sablon, Georges Ulmer, Charles Trenet , Leo Ferré e Catherine Sauvage. Ivon Curi tinha com esta constelação francesa um parentesco: a inteligência do que cantava e o domínio do público só pela sua presença. Chamavam-lhe o “actor da canção”.
Foi ele quem primeiro traduziu para português canções de Jacques Brel, e nos seus espectáculos, como “actor da canção” que era, dava-lhes a encenação que os textos exigiam, tornando as canções grandes êxitos do seu reportório.
E para se ter uma ideia do que seriam as suas interpretações de Brel, hoje transcrevo o texto OS BOMBONS. A tradução de Ivon Curi não é uma tradução à letra, mas uma tradução cantável com rimas e métricas ajustadas à melodia original. No entanto, Ivon Curi soube dar-lhe o inconfundível sabor sarcástico de Brel.
Agradeço a RODOLPHE GUILLO o envio do ficheiro com as canções de Ivon Curi do LP “Um espectáculo à parte”.
OS BOMBONS (Trad. Ivon Curi) 1963
Boa tarde Teresa Cristina
Que linda tarde de Primavera, não acha, então?
Eu comprei p’ra você uns bombons
Pois as rosas são tão perecíveis
E os bombons além de bons, cá para nós
São bem mais comíveis,
Pois rosas... só quando em “botons”
Por isso eu optei pelos bombons...
Vim convidá-la a passear
Com você mamã não vai zangar,
Nós vamos ver o trem passar
Verá como é lindo seu apitar,
E nós dois presos de “emoçon”
Comeremos juntos um bombon...
Quantos olhares invejosos
Todos me olham de soslaio,
Momentos tão maravilhosos
Que eu desfaleço, quase desmaio,
O Freud tem a “explicaçon”,
A propósito experimente um bombon...
Olha a Mafalda tão demodé
Tão presunçosa e tão cruel,
Mafalda é lixo perto de você
Mafalda é a própria cascavel,
Eu falo porque tenho mil “razons”
Só p’ra você eu traria bombons...
A Praça Boris está em festa,
Olha o Leon a nos olhar,
Teresa Cristina ele não presta
Mas se prefere ... dou meu lugar,
Se você fica com o Leon
Eu levo de volta o meu bombon...
Boa tarde senhorita Mafalda
Que linda tarde de Primavera,
Eu comprei p’ra você uns bombons
Pois as rosas são tão perecíveis,
E os bombons além de bons
Cá para nós são bem mais comíveis...
O texto em português, tradução do original, está publicado neste blog em 10 de Setembro.
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