quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

AXEL CHILL, "ZO BREL"

Rodolphe Guillo que foi ver o espectáculo de AXEL CHILL, "ZO BREL", no passado dia 18 em Saint-Malo, escreveu no seu blog LA CHANSON DE JACKY uma crítica ao espectáculo (que traduzi para O CANTO DO BREL). Ontem Rodolphe indicou-me o site onde estão excertos das interpretações de Axel Chill de algumas canções desse espectáculo sobre o Grand Jacques. Quem estiver interessado em escutar esses excertos clique AQUI.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Anthony Cable, THE RAGE TO LIVE

Recebi das Edições Jacques Brel mais uma informação sobre o espectáculo “Jacques Brel THE RAGE TO LIVE”. Este espectáculo de homenagem ao cantor (a que fiz referência no dia 19 de Setembro) tem tido imenso êxito na França, Alemanha e Inglaterra, não só pela afluência de público que tem esgotado as salas, como pelos comentários entusiásticos publicados pelos críticos teatrais.
A última actuação foi ontem, dia 21, no New End Theatre, em Hampstead, Londres.
Veja-se na página de ANTHONY CABLE, o actor que faz reviver Brel no palco, acompanhado por um pianista - Michael Roulston - e por um acordianista - Igor Outkine.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"ZO BREL" visto por RODOLPHE GUILLO

No dia 4 de Dezembro passado publiquei aqui o anúncio de mais um espectáculo em homenagem JACQUES BREL. Tratava-se de “ZO BREL”. Ora, um dos autores do site LA CHANSON DE JACKY, RODOLPHE GUILLO, foi ver este espectáculo, no dia 18, em Saint-Malo e publicou no seu BLOG as suas impressões sobre o que viu e ouviu. Tomo a liberdade de transcrever esse pequeno texto aqui no CANTO DO BREL.



“No porto de Saint-Malo, há artistas que interpretam os temas que os atormentam para lá de Saint-Malo”
Esta Sexta feira, 18 de Dezembro, enfrentando a neve, fui ver o espectáculo “Zo Brel” com Axel Chill, cantor e comediante, e Jean-Jacques Marin, pianista, que decorreu em Saint-Malo. Foi sobre um palco sóbrio, com um piano decorado com o desenho de duas margaridas e com dois bancos pequenos, que os dois companheiros representaram a comédia humana segundo Brel.

Se os textos permanecem, é claro, os mesmos, as músicas foram arranjadas de maneira diferente para permitir, a Axel Chill jogar com o seu talento de actor e Jean-Jacques Marin com o seu brilhantismo de pianista, a encenação dos textos. O conjunto das canções está organizado em consonância com os extractos mais marcantes da filosofia de Brel: as citações que ficaram célebres sobre a estupidez, o talento, o gosto da aventura...

O reportório apresentado é constituído por canções que jogam sobretudo com o contraste de sentimentos. Nada de "Ne me quitte pas", de "Chanson de Jacky" ou de "Marieke".

Começando com o pouco conhecido “Le cheval” , onde Axel Chill imediatamente demonstra sua capacidade de pantomima, fiquei logo fascinado pela sua interpretação
de "Fils de...", e verdadeiramente divertido com "Rosa", onde se passa da candura infantil e timidez pela segurança do estado amoroso à descoberta dos espinhosos problemas do amor. Tudo termina numa cena taciturna com “Ces gens-lá” lançando um véu de escuridão e melancolia sobre todos os temas tratados de modo tão divertido.

O espectáculo terminou sob o entusiasmo de um público fascinado e conquistado reclamando “mais uma, mais uma, mais uma!!!” Os intérpretes cumprimentaram, explicaram que o espectáculo era composto unicamente por canções de Brel, risos, o encenador agradeceu e concluiu: “Brel nunca fazia repetições (bis)”. A esperança floresceu e...Venha ver!!!

domingo, 20 de dezembro de 2009

LE PLAT PAYS

Le plat pays, foi escrito no ano de 1961. Brel tinha comprado uma casa em Roquebrune, à beira mar, e lá, em dez dias, escreveu um dos seus mais belos textos. No entanto, a canção teve uma má recepção por parte da Philips, empresa discográfica do cantor, e foi incluída num disco apenas para tapar um buraco. Só que, inesperadamente Le plat pays tornou-se num sucesso estrondoso! Jacques Brel não se considerava poeta, mas autor de canções. No entanto, admitia que este texto era uma excepção e seria um texto poético.
Nesta ilustração do álbum ASTERIX ENTRE OS BELGAS (Dargaud Editeur) Gosciny faz uma referência a Brel e à canção Le plat pays. Oppidum é uma fortaleza em latim.



O PAÍS PLANO - 1962
Com o Mar do Norte como último terreno baldio, e com as vagas de dunas para conter as vagas, e os vagos rochedos que as marés galgam e que têm para sempre o coração na maré baixa... Com um nunca acabar de brumas a chegar, trazidas pelo de vento de Leste, escutem-no a resistir, este país plano que é o meu...

Com catedrais, como únicas montanhas, e negros campanários, como mastros de cocanha, onde diabos em pedra esgaçam as nuvens... Com o correr dos dias como única viagem, e caminhos de chuva como única despedida... Com o vento de Oeste, escutem-no a implorar, este país plano que é o meu...

Com um céu tão baixo que um canal se afundou. Com um céu tão baixo que cria a humildade. Com um céu tão cinzento que um canal se enforcou... Com um céu tão cinzento que é preciso perdoar-lhe. Com o vento do norte que vem dilacerar-se... Com o vento do Norte, escutem-no estalar, este país plano que é o meu...

Com a Itália a descer o rio Escault, com a loira Frida a tornar-se Margot. Quando os filhos de Novembro regressam em Maio, quando a planície fumega e estremece em Julho. Quando o vento está alegre e corre pelo trigo, quando o vento está de Sul, escutem-no a cantar, este país plano que é o meu...


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

IVON CURI

IVON CURI (1928/1995)



Cantor, compositor e actor brasileiro.
No princípio dos anos 60 dizia-se que IVON CURI era o único intérprete brasileiro de Chevalier a Serge Gainsbourg, a Ricet Barrier, a Jacques Brel, a Gilbert Becaud passando por Jean Sablon, Georges Ulmer, Charles Trenet , Leo Ferré e Catherine Sauvage. Ivon Curi tinha com esta constelação francesa um parentesco: a inteligência do que cantava e o domínio do público só pela sua presença. Chamavam-lhe o “actor da canção”.
Foi ele quem primeiro traduziu para português canções de Jacques Brel, e nos seus espectáculos, como “actor da canção” que era, dava-lhes a encenação que os textos exigiam, tornando as canções grandes êxitos do seu reportório.
E para se ter uma ideia do que seriam as suas interpretações de Brel, hoje transcrevo o texto OS BOMBONS. A tradução de Ivon Curi não é uma tradução à letra, mas uma tradução cantável com rimas e métricas ajustadas à melodia original. No entanto, Ivon Curi soube dar-lhe o inconfundível sabor sarcástico de Brel.
Agradeço a RODOLPHE GUILLO o envio do ficheiro com as canções de Ivon Curi do LP “Um espectáculo à parte”.

OS BOMBONS (Trad. Ivon Curi) 1963

Boa tarde Teresa Cristina
Que linda tarde de Primavera, não acha, então?
Eu comprei p’ra você uns bombons
Pois as rosas são tão perecíveis
E os bombons além de bons, cá para nós
São bem mais comíveis,
Pois rosas... só quando em “botons”
Por isso eu optei pelos bombons...

Vim convidá-la a passear
Com você mamã não vai zangar,
Nós vamos ver o trem passar
Verá como é lindo seu apitar,
E nós dois presos de “emoçon”
Comeremos juntos um bombon...

Quantos olhares invejosos
Todos me olham de soslaio,
Momentos tão maravilhosos
Que eu desfaleço, quase desmaio,
O Freud tem a “explicaçon”,
A propósito experimente um bombon...

Olha a Mafalda tão demodé
Tão presunçosa e tão cruel,
Mafalda é lixo perto de você
Mafalda é a própria cascavel,
Eu falo porque tenho mil “razons”
Só p’ra você eu traria bombons...

A Praça Boris está em festa,
Olha o Leon a nos olhar,
Teresa Cristina ele não presta
Mas se prefere ... dou meu lugar,
Se você fica com o Leon
Eu levo de volta o meu bombon...

Boa tarde senhorita Mafalda
Que linda tarde de Primavera,
Eu comprei p’ra você uns bombons
Pois as rosas são tão perecíveis,
E os bombons além de bons
Cá para nós são bem mais comíveis...

O texto em português, tradução do original, está publicado neste blog em 10 de Setembro.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

JACQUES BREL AVIADOR (3)



O bimotor Beech Twin-Bonanza é baptizado de JOJO, alcunha do melhor amigo de Jacques Brel, Georges Pasquier (que tinha falecido em 1974 quando o cantor iniciou a sua volta ao mundo no iate Askoy). Na companhia da sua amiga Maddly Bamy efectua voos naquela zona do Pacífico que ele próprio considera memoráveis e entre os mais belos que sempre fez.
Em Julho de 1977, Brel vai a Paris gravar o seu último disco e reencontra o seu velho amigo Jean Liardon. Juntos voam até à Suiça num Stampe et Vertongen SV.4, um bimotor belga, de dois lugares.
Depois regressou ao seu paraíso tropical, mas logo a seguir, no Verão de 1978, faz a sua última longa viagem de avião, em vida. Não como piloto, mas como passageiro em estado terminal. A sua doença leva-o até Paris e, lá, vem a falecer no hospital Franco-Musulman de Bobigny no dia 9 de Outubro com uma embolia pulmonar.
Três dias depois o seu corpo regressará a Hiva Oa.

O Beech Twin-Bonanza JOJO está agora exposto num hangar do Aeroclube JACQUES BREL em Hiva Oa, perto do Aeroporto também chamado… JACQUES BREL.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

JACQUES BREL AVIADOR (2)




Em 17 de Abril de 1970 Brel obtém a certificação IFR (Instrument Flight Rules) e torna-se co-piloto de Learjet . No ano seguinte voa para as Caraíbas na companhia de alguns amigos a bordo de um Learjet 25 alugado em Geneve. Com uma autonomia de menos de 2.000 Km faz várias etapas, sendo a mais demorada na Gronelândia... devido a uma avaria no trem de aterragem.
Depois de um intervalo consagrado a outra paixão – a vela – ele retomará os comandos de um avião. Na ilha Hiva Oa, no arquipélago das Marquesas, em Julho de 1976, Jacques Brel decide repetir a sua certificação de piloto e faz um curso com o piloto Michel Gauthier. Mas só após a resolução de vários problemas burocráticos, relacionados com a sua doença, ele consegue a revalidação da sua licença para voar.
Compra um Beech Twin-Bonanza em Tahiti, e passa a fazer regularmente o circuito das ilhas para entregar correio, encomendas, medicamentos e até víveres necessários às populações esquecidas naquele fim do mundo.