Segundo as próprias palavras de Brel, para se vencer na vida do espectáculo musical só havia uma cidade: PARIS. Em Fevereiro de 1953 ele tinha gravado em Bruxelas um disco com duas canções que vendeu duzentos exemplares. Desiludido comprou um bilhete de 3ª classe para a cidade luz. Quando saiu o primeiro disco de Brel, em França, um crítico de um prestigiado jornal parisiense escreveu “este belga cantor não se esqueça que há dois comboios por dia para Bruxelas…”
Brel não se deixou abater pelas críticas e Paris foi realmente o seu grande trampolim para a fama.
OS NOMES DE PARIS(1961)
O sol nasce e acaricia os telhados e é PARIS DIA... O Sena passeia-se e faz-se meu guia e é PARIS SEMPRE. O meu coração pára sobre o teu que sorri e é PARIS BOM DIA! A tua mão na minha mão diz-me que sim, e é PARIS AMOR... O primeiro encontro na Ilha de São Luís e é PARIS QUE COMEÇA... O primeiro beijo roubado nas Tulherias e é PARIS DESEJO... E o primeiro beijo recebido sob um alpendre e é PARIS ROMANCE e duas cabeças estonteadas ao olhar Versailles e é PARIS FRANÇA!
Os dias que esquecemos esquecem-se de nós e é PARIS ESPERANÇA... As horas em que os nossos olhares são apenas um olhar e é PARIS ESPELHO. Há sempre mais noites a separar as nossas canções e é PARIS BOA NOITE... E chega, enfim, o dia em que já não dizes NÃO e é PARIS ESTA NOITE! Um quarto tristonho onde termina a nossa viagem e é PARIS NÓS DOIS... Um olhar que recebe toda a ternura do mundo e é PARIS TEUS OLHOS... Essa jura que é mais chorada que falada e é PARIS SE TU QUISERES, sabendo que amanhã será como foi hoje e é PARIS FELICIDADE...
Mas chega o fim da viagem, chega o fim da canção e é PARIS CINZENTO, último dia, última hora, primeira lágrima também, e é PARIS CHUVA... Esses jardins já sem graça, que perderam todo o encanto e é PARIS TÉDIO, a gare onde se vai cumprir a última ruptura e é PARIS DESFECHO... Longe dos olhos, longe do coração, escorraçado do Paraíso e é PARIS TRISTEZA... Mas, uma carta tua, uma carta que diz sim, e é PARIS AMANHÃ... As vilas e as cidades, as estradas tremem de entusiasmo e é PARIS A CAMINHO! E tu estás lá à minha espera, e tudo vai recomeçar, e é PARIS ESTOU DE VOLTA!!!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
NOEL HARRISON

Os anos 60 fecharam musicalmente com chave de ouro. Uma bela canção com música de Michel Legrand e um texto excelente de A.&M.Bergman foi interpretada por NOEL HARRISON e incluída na banda sonora de um filme de 1968 de Norman Jewison THOMAS CROWN AFFAIR. Tratava-se da canção THE WINDMILLS OF YOUR MIND que ganhou um Oscar para o melhor tema musical desse ano. Os anos 70 abriram também com chave de ouro.
Don McLean lançou em 1970 VINCENT, uma das mais belas canções escritas em língua inglesa. Depois desse período áureo dá vontade de reescrever o refrão de American Pie, de Don McLean, cantando... “After those years the music died”.
Vem isto tudo a propósito do filho do famoso Sir Rex Harrison, NOEL HARRISON, um cantor e actor inglês nascido em 1934 que em 2002 lançou um CD com o título “Adieu, Jacques”. Este disco contém 10 canções de Brel e acedendo a este site podemos ouvir uma delas MARIEKE, numa versão actual e numa versão de 1966.
sábado, 5 de dezembro de 2009
BREL e o TEMPLO DO SOL
Quando se fala na Bélgica e na sua cultura moderna três nomes surgem imediatamente:
George Simenon, o Escritor, criador do Inspector Maigret.
Hergé, o autor de BD criador do Tintim.
Jacques Brel, o Cantor e autor de algumas das melhores canções da língua francesa.
Qualquer deles levou o nome da Bélgica aos 4 cantos do mundo. Todos os três têm a sua obra traduzida em inúmeras línguas e venderam milhões de exemplares dos seus trabalhos.
Em 1969 Brel colaborou com Hergé fazendo duas canções para o filme O TEMPLO DO SOL. Esta aventura em BD tinha sido publicada em álbum alguns anos antes.
Quarenta anos depois presto esta pequena homenagem aos dois belgas divulgando aqui o texto de ODE À NOITE do filme de animação Temple du Soleil.
A melodia é da autoria de François Rauber.
(Uma curiosidade: Em 2001 foi feito na Bélgica um Musical baseado noTemplo do Sol)

ODE À NOITE
As flores selvagens escondem a sua idade debaixo da folhagem
eis a noite
o fogo esvai-se de pirilampo em pirilampo
negra é a noite
a lua passa a lua arrefece a lua apaga-se
fria é a noite
a águia poisa junto das outras na Cordilheira
longa é a noite
a serpente dorme na árvore morta que o tempo morde
morta é a noite
o rio rola que se desenrola e que arrulha
canta a noite
a noite protege o doce artifício das ternas armadilhas
louca é a noite
sobre todas as coisas a noite poisa e repousa
longa é a noite....
George Simenon, o Escritor, criador do Inspector Maigret.
Hergé, o autor de BD criador do Tintim.
Jacques Brel, o Cantor e autor de algumas das melhores canções da língua francesa.
Qualquer deles levou o nome da Bélgica aos 4 cantos do mundo. Todos os três têm a sua obra traduzida em inúmeras línguas e venderam milhões de exemplares dos seus trabalhos.
Em 1969 Brel colaborou com Hergé fazendo duas canções para o filme O TEMPLO DO SOL. Esta aventura em BD tinha sido publicada em álbum alguns anos antes.
Quarenta anos depois presto esta pequena homenagem aos dois belgas divulgando aqui o texto de ODE À NOITE do filme de animação Temple du Soleil.
A melodia é da autoria de François Rauber.
(Uma curiosidade: Em 2001 foi feito na Bélgica um Musical baseado noTemplo do Sol)

ODE À NOITE
As flores selvagens escondem a sua idade debaixo da folhagem
eis a noite
o fogo esvai-se de pirilampo em pirilampo
negra é a noite
a lua passa a lua arrefece a lua apaga-se
fria é a noite
a águia poisa junto das outras na Cordilheira
longa é a noite
a serpente dorme na árvore morta que o tempo morde
morta é a noite
o rio rola que se desenrola e que arrulha
canta a noite
a noite protege o doce artifício das ternas armadilhas
louca é a noite
sobre todas as coisas a noite poisa e repousa
longa é a noite....
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
ZO BREL !
Das Edições JACQUES BREL recebi a informação sobre mais um espectáculo em homenagem ao cantor. Trata-se de "ZO BREL!" - Tellement humain.
Um espectáculo musical de Axel Chill (voz) e Jean-Jacques Marin (piano)com encenação de Jacques Ledran.
Terá lugar em Saint Malo, no Teatro Chateaubriand, a 18 de Dezembro.
Um espectáculo musical de Axel Chill (voz) e Jean-Jacques Marin (piano)com encenação de Jacques Ledran.
Terá lugar em Saint Malo, no Teatro Chateaubriand, a 18 de Dezembro.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
VIERZON

No passado dia 28 de Novembro falei aqui da homenagem a Brel “ Ils parlent de Jacques”, feita por Christian Petit e Philippe Callens.
O espectáculo foi ontem, dia 2.
Para o promover, o lavrador DANIEL DONIN DE ROSIÈRE, de Troyes, com o seu tractor de marca VIERZON, foi durante o último fim-de-semana percorrer a distância de duzentos quilómetros entre Troyes e Vesoul. Pelo caminho , Daniel distribuiu gulodices , vendeu postais com a foto de Jacques e recolheu telemóveis velhos ou estragados para reciclagem. Esta promoção do espectáculo teve o apoio da Téléthon que agora fará chegar o dinheiro apurado à Associação Francesa Contra as Miopatias.
Na canção “VESOUL “ Jacques Brel fala desta e de outras localidades: Vierzon, Honfleur, Anvers ou Hambourg. Daniel de Rosière já foi a Vierzon, já foi a Vesoul, e agora pretende ir no seu tractor às outras cidades para recolher telemóveis fora de uso e promover a figura de Jacques Brel.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
LA CHANSON DES VIEUX AMANTS
Ontem falei aqui da canção dos Velhos Amantes numa versão portuguesa, afadistada por Mísia. Hoje transcrevo a tradução livre do texto de Brel, sem os espartilhos da rima ou da métrica...
A CANÇÃO DOS VELHOS AMANTES (1967)
É certo que entre nós existiram algumas tormentas. Vinte anos de amor é um amor louco... Mil vezes tu fizeste as malas, mil vezes eu bati a asa. E cada móvel, deste quarto sem berço, se lembra dos estrondos das nossas tempestades... Já nada era como dantes, tu tinhas perdido o gosto pela água, e eu, o gosto pela conquista... Mas, meu amor, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amor, da clara madrugada ao cair do dia, ainda te amo, tu sabes que ainda te amo...
Eu conheço todos os teus sortilégios, tu conheces todos os meus feitiços. Foste-me apanhando de cilada em cilada, e eu perdi-te de tempos a tempos... É certo que tu tiveste alguns amantes. Era preciso passar bem o tempo, era preciso contentar bem o corpo. E finalmente, finalmente, foi-nos preciso muito talento para sermos velhos sem sermos adultos... Mas, meu amor, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amor, da clara madrugada ao cair do dia, ainda te amo, tu sabes que ainda te amo...
E quanto mais tempo passava por nós, mais sofrimento ele nos trazia. Mas, viver em paz, não será a pior das ciladas para dois amantes? É certo que tu choras um pouco menos cedo, e eu só me atormento um pouco mais tarde... Protegemos menos os nossos mistérios, não deixamos as coisas ao acaso, desconfiamos das águas mansas, mas esta guerra da ternura não tem fim... Meu amor, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amor, da clara madrugada ao cair do dia, ainda te amo, tu sabes que ainda te amo...
Não resisto à tentação de divulgar uma versão desta canção em holandês. Um dos maiores “cabaretier” deste país, HERMAN VAN VEEN , sempre cantou canções de Brel nos seus espectáculos, e um dos seus sucessos era precisamente LIEFDE VAN LATER – La chanson des vieux amants. E dou o link desta interpretação Herman de Van Veen por duas razões: Por não ter encontrado a versão ao vivo do próprio Brel, e porque vi Herman Van Veen ao vivo no Teatro Carré. Eu estava em Amesterdão em 1976, e por acaso fui assistir ao espectáculo de que presumivelmente estas são algumas imagens…
A CANÇÃO DOS VELHOS AMANTES (1967)
É certo que entre nós existiram algumas tormentas. Vinte anos de amor é um amor louco... Mil vezes tu fizeste as malas, mil vezes eu bati a asa. E cada móvel, deste quarto sem berço, se lembra dos estrondos das nossas tempestades... Já nada era como dantes, tu tinhas perdido o gosto pela água, e eu, o gosto pela conquista... Mas, meu amor, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amor, da clara madrugada ao cair do dia, ainda te amo, tu sabes que ainda te amo...
Eu conheço todos os teus sortilégios, tu conheces todos os meus feitiços. Foste-me apanhando de cilada em cilada, e eu perdi-te de tempos a tempos... É certo que tu tiveste alguns amantes. Era preciso passar bem o tempo, era preciso contentar bem o corpo. E finalmente, finalmente, foi-nos preciso muito talento para sermos velhos sem sermos adultos... Mas, meu amor, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amor, da clara madrugada ao cair do dia, ainda te amo, tu sabes que ainda te amo...
E quanto mais tempo passava por nós, mais sofrimento ele nos trazia. Mas, viver em paz, não será a pior das ciladas para dois amantes? É certo que tu choras um pouco menos cedo, e eu só me atormento um pouco mais tarde... Protegemos menos os nossos mistérios, não deixamos as coisas ao acaso, desconfiamos das águas mansas, mas esta guerra da ternura não tem fim... Meu amor, meu doce, meu terno, meu maravilhoso amor, da clara madrugada ao cair do dia, ainda te amo, tu sabes que ainda te amo...
Não resisto à tentação de divulgar uma versão desta canção em holandês. Um dos maiores “cabaretier” deste país, HERMAN VAN VEEN , sempre cantou canções de Brel nos seus espectáculos, e um dos seus sucessos era precisamente LIEFDE VAN LATER – La chanson des vieux amants. E dou o link desta interpretação Herman de Van Veen por duas razões: Por não ter encontrado a versão ao vivo do próprio Brel, e porque vi Herman Van Veen ao vivo no Teatro Carré. Eu estava em Amesterdão em 1976, e por acaso fui assistir ao espectáculo de que presumivelmente estas são algumas imagens…
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
OS VELHOS AMANTES
Em 1969, um fadista da nossa praça, chamado CARLOS BASTOS, lembrou-se de transformar a canção HEY JUDE, dos Beatles, num fado castiço. Manteve o texto em inglês e, com um arranjo de António Chainho, conseguiu algum sucesso na rádio e nas casas de fado alfacinhas. Gravou mesmo um disco com outros sucessos anglo-americanos recriados no mais puro estilo fadista rufião. Não é difícil fazer esta “habilidade” . Eu próprio cheguei a “cantar” o famoso THOSE WERE THE DAYS (Mary Hopkins) à laia de fado, e era um sucesso... nas festas de amigos, claro!
Tudo isto vem a propósito para falar do texto que vou publicar hoje.
A poetisa ROSA LOBATO FARIA traduziu para português a canção de Jacques Brel,
LA CHANSON DES VIEUX AMANTS, e a fadista MISIA transformou a canção num... FADO! Tudo isto existe. Tudo isto é triste. Tudo isto é... falso!
OS VELHOS AMANTES
Amor que grita, amor que cala, amor que ri, amor que chora
Mil vezes eu peguei na mala, mil vezes tu te foste embora
E tanto barco a ir ao fundo tornava o mar da nossa casa
Em oceano de loucura, quando oscilava o nosso mundo
Eu perdia o golpe de asa e tu o gosto da aventura…
Ai meu amor, meu doce e terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior, amor demais, amor eterno.
Conheço bem os teus desejos e tu as minhas fantasias
Morreste em mim todos os beijos, nasci em ti todos os dias
Se muita vez fomos traição e muita vez mudou o vento
E muito gesto foi insulto, em tanta dor de mão em mão
Não aprendemos o talento, de envelhecer sem ser adultos…
Ai meu amor, meu doce e terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior, amor demais, amor eterno.
E quanto mais o tempo passa e quanto mais a vida flui
e quanto mais se perde a graça do que tu foste e da que eu fui
Mais a ternura nos aperta, mais a palavra fica certa
Mais o amor toma lugar, envelhecemos mais depressa
mas nos teus olhos a promessa vai-se cumprindo devagar…
Ai meu amor, meu doce e terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior, amor demais, amor eterno.
(trad. Rosa Lobato Faria)
Tudo isto vem a propósito para falar do texto que vou publicar hoje.
A poetisa ROSA LOBATO FARIA traduziu para português a canção de Jacques Brel,
LA CHANSON DES VIEUX AMANTS, e a fadista MISIA transformou a canção num... FADO! Tudo isto existe. Tudo isto é triste. Tudo isto é... falso!
OS VELHOS AMANTES
Amor que grita, amor que cala, amor que ri, amor que chora
Mil vezes eu peguei na mala, mil vezes tu te foste embora
E tanto barco a ir ao fundo tornava o mar da nossa casa
Em oceano de loucura, quando oscilava o nosso mundo
Eu perdia o golpe de asa e tu o gosto da aventura…
Ai meu amor, meu doce e terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior, amor demais, amor eterno.
Conheço bem os teus desejos e tu as minhas fantasias
Morreste em mim todos os beijos, nasci em ti todos os dias
Se muita vez fomos traição e muita vez mudou o vento
E muito gesto foi insulto, em tanta dor de mão em mão
Não aprendemos o talento, de envelhecer sem ser adultos…
Ai meu amor, meu doce e terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior, amor demais, amor eterno.
E quanto mais o tempo passa e quanto mais a vida flui
e quanto mais se perde a graça do que tu foste e da que eu fui
Mais a ternura nos aperta, mais a palavra fica certa
Mais o amor toma lugar, envelhecemos mais depressa
mas nos teus olhos a promessa vai-se cumprindo devagar…
Ai meu amor, meu doce e terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior, amor demais, amor eterno.
(trad. Rosa Lobato Faria)
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