domingo, 22 de novembro de 2009

CANNES - O HOMEM DO ANO 2008



Em 2008 a Cidade Francesa de Cannes elegeu para HOMEM DO ANO... JACQUES BREL.
Relacionado com este evento publico o extenso PROGRAMA de todas as actividades e o trailer de um bailado intitulado BREL EN EMOI baseado em temas do cantor.

sábado, 21 de novembro de 2009

GENUÍNO MADRUGA

Na véspera da chegada ao porto da Horta,terminada a sua segunda volta ao mundo como velejador solitário, GENUÍNO MADRUGA escreveu um texto no seu DIÁRIO DE BORDO e do qual tomo a liberdade de transcrever o seu início.
Acedendo a este link do velejador GENUÍNO MADRUGA podemos ler o resto do texto que é uma pequena viagem pelas memórias da viagem.


Dia 5 de Junho 2009

RETORNO À ILHA
Meus caros amigos, "oficiais e passageiros" que comigo "viajaram" e viveram esta extraordinária e inesquecível aventura que foi sem dúvida a II Volta ao Mundo do veleiro Hemingway. Passamos por continentes, países e ilhas, conhecemos outras formas de vida, outras religiões, outros manjares! Visitamos Igrejas, Catedrais, Templos, Sinagogas ou simples "lugares de culto". Ficamos extasiados com originais e cópias perfeitas de grande parte da obra de Paul Gauguin, estivemos mesmo ao lado do "Jojo" de Jaques Brel e talvez por uma última vez, com todo o simbolismo e veneração colocamos placa metálica na sua campa assinalando nossa passagem e admiração por tão grande, querido e amado compositor, intérprete, actor e também marinheiro que um dia conhecemos no
Peter Cafe Sport (...)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

LES DÉSESPÉRÉS

A grande qualidade dos textos de Brel está na verdade das palavras escritas. Está na realidade dos personagens intervenientes. Está na honestidade dos temas escolhidos. A propósito, Jacques Brel dizia que “um homem só é verdadeiramente honesto quando está a dormir... Mas, não se aprende nada vendo os outros dormir.” No texto que publico hoje, Les désespérés, Brel descreve o desespero do suicídio como forma de sarar as feridas profundas de um amor impossível.

OS DESESPERADOS (1965)

Eles caminham de mão dada, em silêncio, nessas cidades mortiças onde a morrinha oscila... Nada mais soa que os seus passos, passo a passo trauteados... Eles caminham em silêncio, os desesperados...

Eles queimaram as suas asas, perderam os seus ramos... De tal modo naufragados que até a morte lhes parece branca. Resgatados do amor, eles estão agora acordados e caminham em silêncio, os desesperados...

Eu conheço esse caminho porque já lá passei... Mais de cem vezes, mais de cem e a sua metade... Menos velhos ou mais magoados eles vão terminar o seu caminho e partir em silêncio, os desesperados...

E debaixo da ponte a água é serena e profunda... Aqui está uma amável hospedeira, aqui está o fim do mundo... Eles choram os seus nomes como os jovens casados e fundem-se no silêncio, os desesperados...

Que se levante aquele que lhes vai atirar a pedra, porque eles, do amor, apenas sabem o verbo amar... Sobre a ponte nada mais há que uma bruma ligeira, e logo se esquece, em silêncio, aqueles que esperaram...


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BREL ACTOR (3)


LES RISQUES DU MÉTIER
Realização: André Cayatte
Argumento : André Cayatte et Armand Jammot
Imagem: Christian Matras
Música: Jacques Brel et François Rauber
Montagem: Hélène Plewianikoff
Produção: Gaumont Internationale
Duração: 105 min. Estreado em: 21/12/1967
Com: Jacques Brel, Emmanuelle Riva, Jacques Harden, Nadine Alari, Christine Fabrega, René Dary, Muriel Baptiste, Delphine Deysieux.
Argumento
Jean Doucet é um professor de aldeia, casado e feliz no casamento e na profissão. Um dia é acusado de assédio sexual a uma aluna sua de 14 anos. A rapariga chegou a casa com o vestido rasgado e uma história de abusos do seu professor. A polícia é chamada a investigar, mas uma outra rapariga entra em cena também para o acusar de sedução. Ainda uma terceira rapariga faz o mesmo. O professor diz-se inocente mas a investigação está a arrasar a sua profissão, o seu casamento e a sua vida. O realizador André Cayatte baseou-se numa história verdadeira para, com a sua experiência de ex-advogado, denunciar injustiças sociais.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SEASONS IN THE SUN

Este ano o nova iorquino Ken Levine – personalidade famosa da indústria do espectáculo – fez uma lista das piores canções já gravadas. Entre elas está SEASONS IN THE SUN, gravada em 1974 por TERRY JACKS.

SEASONS IN THE SUN não é mais do que uma versão muito pobre de LE MORIBOND, de Brel, feita por Rod McKuen, um cantor californiano nascido em 1933.
Apesar de se ter tornado um êxito mundial esta versão inglesa é absolutamente intragável. É lamechas, delicodoce e pateta. Exactamente tudo o que Jacques Brel não escreveu no seu original, em que o texto é inteligente, cínico, agressivo e corrosivo. Mesmo quem não saiba inglês e francês, se ouvir as duas versões, vai perceber a imensa diferença do que ambos os cantores estão a transmitir aos seus ouvintes.
McKuen também traduziu para inglês Ne me quitte pas (que ficou IF YOU GO AWAY) e felizmente deu-lhe um melhor tratamento que em Seasons in the sun. A prova é que foi (e continua a ser) gravada por inúmeros cantores de língua inglesa.
É pena que McKuen não tenha escrito um texto mais próximo do de Brel. É pena que Terry Jacks a tenha gravado com aquele estilo tão piroso, a roçar o pimba. E é pena que Ken Levine tenha incluído a canção no seu rol das piores, já que não é uma canção original de Terry Jacks ou McKuen mas uma versão de uma grande canção de JACQUES BREL.

KEN LEVINE - AS PIORES CANÇÕES DE SEMPRE

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

HOMENAGEM A JACQUES BREL

Das Edições JACQUES BRELrecebi a informação sobre mais uma homenagem ao cantor.

Luc François, um belga residente na Roménia e delegado da UFBE (União Francófona dos Belgas no Estrangeiro) estreia neste país um clube francófono em colaboração com a Rádio Etalon, rádio local de Valcea. De Segunda a Sexta, em FM 101.6, entre as 15 e as 16 horas será emitido o CLUBUL FRANCOPHONE.
A primeira emissão foi hoje, 16 de Novembro, e constou essencialmente de uma homenagem a JACQUES BREL.

domingo, 15 de novembro de 2009

COMMENT TUER L'AMANT DE SA FEMME...

Para Brel a Religião e a Escola andam lado a lado. Para ele a religião ensina o remorso, o medo, a humildade, a resignação. A religião fabrica seres acanhados e passivos. Nesta canção, Comment tuer l’amant de sa femme... o protagonista, que recebeu a cruz de honra num convento de freiras, é particularmente tímido e passivo, porque a religião o obriga a humilhar-se. Esta canção é de 1968 e está incluída no penúltimo disco de originais que Brel gravou. Só em 1977 viria a gravar de novo.

COMO MATAR O AMANTE... 1968
Como matar o amante da mulher quando, como eu, se foi criado num berço de tradição?... Como matar o amante da mulher, quando, como eu, se foi educado na melhor religião?...
Precisava de tempo, mas, tempo não tenho. Trabalho todo o dia para ela. De noite faço a noite, de dia faço o dia, e ao Domingo faço uns biscatos... E mesmo que eu fosse menos frouxo, acho que seria uma pena sujar a minha reputação. É certo que eu durmo na garagem... É verdade que eles dormem na minha cama... É um facto que sou que arruma a casa, mas... Quem é que não tem as suas pequenas chatices?

Como matar o amante da mulher, quando, como eu, se foi criado num berço de tradição?...
Há o arsénico... Sim, mas leva muito tempo...
Há a pistola... Sim, mas é demasiado rápido...
Há a amizade... Sim, mas é muito cara...
Há o desprezo... Sim... Mas isso é um pecado!

Como matar o amante da mulher, quando, como eu, se recebeu a Cruz de Honra num convento de freiras... Como matar o amante da mulher, quando, como eu, não se ousa dizer-lho com um ramo de flores...
Como não tenho coragem de o insultar a toda a hora, ele diz que o amor me torna cobarde... Como está desempregado, diz-me, à chapada, que o amor o deixa imprevidente... Ele acha que é divertido para um homem da minha idade não ter mais mulher e onze filhos... É certo que eu cozinho para eles, eu bato os cães e os tapetes, e à noite canto-lhes “Noites da china”*. Mas... Quem é que não tem as suas pequenas chatices?
E porquê matar o amante da minha mulher, se é por minha causa que ele tem sífilis?... Porquê matar o amante da minha mulher, se é por minha causa que ele anda a tomar penicilina...


* Nuits de Chine- Canção de 1922