terça-feira, 17 de novembro de 2009

SEASONS IN THE SUN

Este ano o nova iorquino Ken Levine – personalidade famosa da indústria do espectáculo – fez uma lista das piores canções já gravadas. Entre elas está SEASONS IN THE SUN, gravada em 1974 por TERRY JACKS.

SEASONS IN THE SUN não é mais do que uma versão muito pobre de LE MORIBOND, de Brel, feita por Rod McKuen, um cantor californiano nascido em 1933.
Apesar de se ter tornado um êxito mundial esta versão inglesa é absolutamente intragável. É lamechas, delicodoce e pateta. Exactamente tudo o que Jacques Brel não escreveu no seu original, em que o texto é inteligente, cínico, agressivo e corrosivo. Mesmo quem não saiba inglês e francês, se ouvir as duas versões, vai perceber a imensa diferença do que ambos os cantores estão a transmitir aos seus ouvintes.
McKuen também traduziu para inglês Ne me quitte pas (que ficou IF YOU GO AWAY) e felizmente deu-lhe um melhor tratamento que em Seasons in the sun. A prova é que foi (e continua a ser) gravada por inúmeros cantores de língua inglesa.
É pena que McKuen não tenha escrito um texto mais próximo do de Brel. É pena que Terry Jacks a tenha gravado com aquele estilo tão piroso, a roçar o pimba. E é pena que Ken Levine tenha incluído a canção no seu rol das piores, já que não é uma canção original de Terry Jacks ou McKuen mas uma versão de uma grande canção de JACQUES BREL.

KEN LEVINE - AS PIORES CANÇÕES DE SEMPRE

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

HOMENAGEM A JACQUES BREL

Das Edições JACQUES BRELrecebi a informação sobre mais uma homenagem ao cantor.

Luc François, um belga residente na Roménia e delegado da UFBE (União Francófona dos Belgas no Estrangeiro) estreia neste país um clube francófono em colaboração com a Rádio Etalon, rádio local de Valcea. De Segunda a Sexta, em FM 101.6, entre as 15 e as 16 horas será emitido o CLUBUL FRANCOPHONE.
A primeira emissão foi hoje, 16 de Novembro, e constou essencialmente de uma homenagem a JACQUES BREL.

domingo, 15 de novembro de 2009

COMMENT TUER L'AMANT DE SA FEMME...

Para Brel a Religião e a Escola andam lado a lado. Para ele a religião ensina o remorso, o medo, a humildade, a resignação. A religião fabrica seres acanhados e passivos. Nesta canção, Comment tuer l’amant de sa femme... o protagonista, que recebeu a cruz de honra num convento de freiras, é particularmente tímido e passivo, porque a religião o obriga a humilhar-se. Esta canção é de 1968 e está incluída no penúltimo disco de originais que Brel gravou. Só em 1977 viria a gravar de novo.

COMO MATAR O AMANTE... 1968
Como matar o amante da mulher quando, como eu, se foi criado num berço de tradição?... Como matar o amante da mulher, quando, como eu, se foi educado na melhor religião?...
Precisava de tempo, mas, tempo não tenho. Trabalho todo o dia para ela. De noite faço a noite, de dia faço o dia, e ao Domingo faço uns biscatos... E mesmo que eu fosse menos frouxo, acho que seria uma pena sujar a minha reputação. É certo que eu durmo na garagem... É verdade que eles dormem na minha cama... É um facto que sou que arruma a casa, mas... Quem é que não tem as suas pequenas chatices?

Como matar o amante da mulher, quando, como eu, se foi criado num berço de tradição?...
Há o arsénico... Sim, mas leva muito tempo...
Há a pistola... Sim, mas é demasiado rápido...
Há a amizade... Sim, mas é muito cara...
Há o desprezo... Sim... Mas isso é um pecado!

Como matar o amante da mulher, quando, como eu, se recebeu a Cruz de Honra num convento de freiras... Como matar o amante da mulher, quando, como eu, não se ousa dizer-lho com um ramo de flores...
Como não tenho coragem de o insultar a toda a hora, ele diz que o amor me torna cobarde... Como está desempregado, diz-me, à chapada, que o amor o deixa imprevidente... Ele acha que é divertido para um homem da minha idade não ter mais mulher e onze filhos... É certo que eu cozinho para eles, eu bato os cães e os tapetes, e à noite canto-lhes “Noites da china”*. Mas... Quem é que não tem as suas pequenas chatices?
E porquê matar o amante da minha mulher, se é por minha causa que ele tem sífilis?... Porquê matar o amante da minha mulher, se é por minha causa que ele anda a tomar penicilina...


* Nuits de Chine- Canção de 1922

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

LES PAUMÉS DU PETIT MATIN

"Les paumés du petit matin" é mais uma das grandes canções de Jacques Brel...
É o retrato nu e cru de um certo tipo de frequentadores da noite que vivem só para isso, para frequentar a noite. Na galeria de retratos que Brel foi fazendo ao longo da sua carreira estão também os desesperados, os frustrados, os tímidos, os pobres, os traídos. No entanto, a mensagem que está por detrás de cada um destes retratos resume-se a uma palavra… “ternura” . Todos temos necessidade de ternura. Brel renegará sempre a caridade como remédio para os seus retratados.

N.T. A melhor tradução para PAUMÉS DU PETIT MATIN nos anos 60 seria «os meninos bem das noitadas». Em 2009 não resisto a usar os BETINHOS DA NIGHT que exprime na perfeição o que Brel pretende dizer na canção.

OS BETINHOS DA NIGHT (1962)
Eles deitam-se à hora dos pastores, para se levantarem à hora do chá e depois saírem lá para as tantas... Os betinhos da night... Elas têm a arrogância das mulheres de peito feito... Eles têm aquela segurança dos homens onde se adivinha que o papá venceu na vida... Os betinhos da night...
Venham dançar... Venham dançar... Betinhos e betinhas... Venham dançar... E dancem com os olhos postos nos seios...
Eles branqueiam as noites no lavatório das melancolias, que lava sem sujar as mãos dos betinhos da night... E à meia-noite eles falam dos poemas que nunca leram, dos romances que não escreveram, dos amores que não tiveram, das verdades que não servem para nada... Os betinhos da night...
“Ah...o amor destrói-me o fígado”... Oh... Isto é bonito, é bonito... Vocês nunca mais compreenderiam os betinhos da night...
Eles tomam o último whisky, eles despedem-se pela última vez, eles tomam outro último whisky, eles atacam o último tango, eles agarram a última tristeza, os betinhos da night...
Venham chorar, betinhos... Venham... E chorem com os olhos postos nos seios... Vá lá... Venham chorar... Betinhos da night...


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PEDRO E O LOBO

Em 1936 Sergei Prokofiev foi contratado por Natalya Sats, da Central Children's Theatre em Moscovo, para escrever uma peça musical sinfónica para crianças.
O intuito era incentivar o gosto pela música em crianças no início da sua vida escolar.
Entusiasmado pelo desafio Prokofiev compôs Pedro e o Lobo em apenas quatro dias.
A estreia foi a 2 de Maio de 1936 e, segundo o autor, não foi nada auspiciosa nem atraiu muito as atenções da audiência. Felizmente o futuro desta obra mostrou exactamente o contrário porque se tornou um sucesso enorme em todo o mundo deliciando várias gerações de crianças e adultos.

Em 1969 Jacques Brel gravou um LP com uma versão desta obra, em francês, tendo no lado B do disco a sua versão de “A História de Babar”.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

BREL ACTOR (2)

MON ONCLE BENJAMIN (L'Homme à l'Habit rouge)
Realização : Edouard Molinaro
Argumento: André Couteaux et François Hauduroy
Imagem: Alain Levent
Música: Jacques Brel
Montagem: Robert et Monique Isnardon
Produção: Gaumont
Duração: 90 min.
Estreia: 28/11/1969
Com: Jacques Brel, Claude Jade, Bernard Blier.
ARGUMENTO
Sob o reinado de Luís XV, Benjamin Rathery, um médico de província, louco por saias e por liberdade, tem a nobre missão de socorrer os pobres da sua região que já não passam sem ele. O celibato é, portanto, o melhor estado civil para cumprir os seus variados afazeres. Ora isso impede-o de casar com Manette, a bela filha do estalajadeiro por quem Benjamin se sente perdidamente apaixonado. Mas ela só casa de contrato assinado. Ele pede então à sua irmã Betine que interceda junto de Manette. Mas a irmã queria que ele casasse com Arabelle, filha do velho doutor Minxit que considera Benjamin como filho. Arabelle é namorada do marquês Pont-Cassé e o médico, pai dos pobres, tem de se confrontar com os burgueses e as suas leis…

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HONDSCHOOTE

Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre mais uma Exposição sobre BREL.
O Município de HONDSCHOOTE, a norte da França, junto à fronteira com a Bélgica, vai organizar a Exposição " Je chante, persiste et signe...je m'appelle JACQUES BREL" de 10 a 20 de Novembro. Esta exposição já esteve em exibição noutras cidades francesas e belgas. Segundo o BOLETIM MUNICIPAL da autarquia " a filosofia desta Exposição é a de apresentar Brel por ele mesmo".