Das Edições Jacques Brel recebi a informação sobre uma exposição de desenho a carvão e aguarelas de Irène Vandenemeele e Jeanine Godin em Mons, Bélgica. A exposição está aberta ao público até 7 de Novembro.
Está a decorrer no Palácio Foz, cidade do Porto, a Semana Belga em Portugal. Amanhã, quarta-feira, haverá um espectáculo na Casas da Música, pelas 21H30, onde FRANCIS SELECK interpretará canções de Jacques Brel acompanhado pelo pianista Paul Timmermans. Do programa constam ainda exibições de filmes, espectáculos de dança, workshops, concertos e eventos gastronómicos. Francis Seleck
No dia 9 de Outubro a propósito da canção LE MORIBOND falei de versões das canções de Brel interpretadas por artistas de renome internacional. Nesse mesmo dia recebi das Edições Jacques Brel a informação que BARBRA STREISAND lançou o seu 23º disco e que inclui IF YOU GO AWAY, a versão inglesa de Ne me quitte pas.
De Janeiro a Junho de 1978, Brel está em Atuona, Ilhas Marquesas. A sua saúde piora. Em Julho, Brel regressa a Paris para se submeter a novo tratamento. Em 7 de Outubro ele está muito doente e é internado no Hospital Franco-Musulman em Bobigny nos arredores de Paris. Sofre uma embolia pulmonar. Em 9 de Outubro morre às 4 horas e 10 minutos da manhã. É enterrado na Ilha Hiva Oa a alguns metros do pintor Gauguin.
O MORIBUNDO Le moribond é um óptimo exemplo da composição breliana. A estrutura dos versos repete-se, delimitando o campo semântico. É como ter um molde onde se vão introduzindo pequenas variações. Esta canção de 1961 teve uma versão em inglês intitulada “Seasons in the sun” e foi cantada por um cantor pop da altura chamado Terry Jacks. A canção correu mundo e esteve em primeiro lugar nos tops de vários países. Outras canções de Brel tiveram sucesso idêntico nas suas versões inglesas. Por exemplo Au suivant cantada pelo Scott Walker, dos Walker Brothers, e Ne me quitte pas, cantada por Nina Simone, Frank Sinatra, R.Charles, D.Bowie, Sting, etc. Nenhuma das versões, porém, atingiu o nível do original.
Adeus Emílio, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Cantámos os mesmos vinhos, cantámos as mesmas raparigas, cantámos os mesmos desgostos... Adeus Emílio, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque sei que és bom como o pão branco e tomarás conta da minha mulher... E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Adeus Padre, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Não estávamos no mesmo bordo, não seguíamos a mesma rota, mas procurávamos o mesmo porto.... Adeus Padre, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque sei que tu eras confessor da minha mulher e, portanto, vais tratar bem dela… E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Adeus António, nunca gostei muito de ti... Tu sabes que nunca gostei muito de ti... Fico danado porque vou morrer hoje, ao passo que tu ficas aí vivinho, e mais rijo que o fastio... Adeus António, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com a paz na alma, porque, visto que eras o amante dela, sei que cuidarás bem da minha mulher... E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Adeus minha mulher, sempre te quis bem... Tu sabes que sempre te quis bem... Mas, vou tomar este comboio com destino ao Bom Deus... Este comboio é antes do teu, mas, cada um toma o comboio que pode. Adeus minha mulher, vou morrer... Sabes que é difícil morrer na Primavera... Mas, lá vou eu para o meu canteiro de flores, com os olhos fechados, mulher, porque por ti, tive-os fechados muitas vezes, e eu sei que tu vais cuidar da minha alma... E quero que se riam, e quero que dancem, que se divirtam como tolos... Quero que se riam, e quero que dancem quando me meterem lá na cova...
Recebi das Edições Jacques Brel a informação sobre a nona edição do FESTIVAL JACQUES BREL que se realiza na cidade de Vesoul. O nome Vesoul ficou famoso depois de Brel ter feito uma canção precisamente com este título. O Festival realiza-se de 11 a 17 de Outubro e conta com nomes importantes da actual canção francesa.
O SEGUINTE (1964) Na canção que publico hoje, Au suivant, Brel monta uma cena conhecida por quem já foi à tropa. O dia da inspecção. Uma fila de homens nus aguarda a sua vez para receber o visto de entrada no exército. Para Jacques Brel o exército mata o gosto de viver e de amar. Fabrica, com os seus mitos de virilidade, os batalhões de impotentes. O comandante deste exército é representado por um “sargento com mau hálito”, tacanho e grosseiro, que gostaria de transformar o mundo numa enorme caserna, e que, enquanto espera por esse dia, ensina os jovens a “serem homens”.
O seguinte, o seguinte... Todo nu, enrolado numa toalha a fingir de tanga, eu tinha o rubor nas faces e o sabão na mão... O seguinte, o seguinte... Tinha precisamente vinte anos e éramos cento e vinte a ser o seguinte daquele que seguíamos... O seguinte, o seguinte... Tinha precisamente vinte anos e estava-me ali a desemburrar no bordel ambulante de um exército em campanha.
E eu que só queria um pouco mais de ternura, ou talvez um sorriso, ou quem sabe simplesmente ter tempo, mas... O seguinte, o seguinte! Não foi Waterloo, não, não, muito menos Arcole... Foi o ter faltado à escola que nestas alturas a gente se lamenta, o seguinte, o seguinte! Depois de escutar este sargento da trampa, não admira que se façam exércitos de impotentes... O seguinte, o seguinte...
Eu juro sobre a cabeça do meu primeiro esquentamento que esta voz que eu oiço a todo o momento, esta voz que cheira a alho, e a bagaço, é a voz das nações, é a voz do sangue, o seguinte, o seguinte... E agora, cada mulher, na hora de sucumbir entre os meus magríssimos braços parece dizer-me ao ouvido... o seguinte, o seguinte...
“Todos os seguintes do mundo deveriam dar as mãos...” Durante a noite sonho isto nos meus delírios, e quando não deliro chego à conclusão que é mais humilhante ser seguido, que ser o seguinte... Um dia vou fazer de aleijado, de freira ou de pedinte, enfim, uma dessas tretas, e não serei jamais... O seguinte, o seguinte....
Em 1999, 25 anos depois da passagem de Jacques Brel pela ilha do Faial, apresentei à RTP Açores um projecto para um programa de televisão sobre aquele acontecimento. Pedi a colaboração do meu amigo Victor Rui Dores para escrever um texto e depois, sobre este texto, idealizámos e realizámos o programa. Fizemos uma ante-estreia a 6 de Setembro, no Café Peter, para amigos, colaboradores e fãs de Brel e 4 dias depois a RTP/A transmitiu o programa. Tinha a duração de 25 minutos e chamava-se "BREL NO PORTO DA HORTA". Sobre o programa "BREL NO PORTO DA HORTA" voltarei a publicar nos próximos dias mais factos.