sábado, 19 de setembro de 2009

JACQUES BREL - THE RAGE TO LIVE

Das Edições Jacques Brel recebi esta informação e o cartaz que se segue. Consultando o programa da peça pode ler-se:

JACQUES BREL – A FÚRIA DE VIVER
É uma peça de teatro para um actor e com 15 canções. Tem uma hora e um quarto de duração e o actor em cena conta a história de Brel – os seus primeiros sucessos, a sua breve passagem pelo teatro musical, os seus tempos de actor e realizador de cinema, o seu desejo obsessivo de solidão que conseguia no prazer de voar pilotando o seu avião Jojo ou velejando no Askoy, a sua vida sentimental atribulada, tanto com a família como com outras mulheres, a sua tempestuosa relação com Deus e a sua grande ternura por Hiva Oa, a remota ilha do Pacífico onde eventualmente encontrou a paz.
Ao narrar esta história o actor ANTHONY CABLE e o cantor JACQUES BREL fundem-se imperceptivelmente um no outro.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VIEL CHANTE BREL

Das Edições Jacques Brel recebi a informação e o cartaz do espectáculo VIEL CHANTE BREL criado por LAURENT VIEL e THIERRY GARCIA.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

CES GENS-LÁ

Na canção CES GENS-LÁ tudo é sombrio e frio (até a sopa). Excepto Frida, a rapariga jovem, que é bela como um sol e que ama a vida. Mas toda a família se opõe à intromissão do amor no seu seio… Repare-se na orquestração que acentua a gravidade e a rigidez desta família… e da situação criada por um intruso.

ESSA GENTE
Em primeiro lugar está o mais velho, aquele que parece um melão, que tem um nariz grande, aquele que já nem o seu nome sabe... Ó homem, o que ele bebe… E o que ele bebeu, de tal modo que não faz nada com aqueles dez dedos... Mas ele, que já não pode com ele, que está completamente despachado, e que se toma pelo rei... que todas as noites se encharca em carrascão mas, mas que na manhã seguinte, lá está na igreja adormecida, teso que nem um barrote, branco como um círio de Páscoa. Depois balbucia com um olhar vago...
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente não se pensa, meus senhores, não se pensa... Reza-se...

E depois há o outro... Aquele que tem cenouras nos cabelos e que jamais viu um pente... Aquele que é mau como a sarna, mesmo que dê a camisa a um pobre. Aquele que casou com a Denise, uma rapariga da cidade, quer dizer, de uma outra cidade, e que ainda não está xexé... Tem os seus pequenos negócios... Tem um chapelinho, tem um casaquinho, tem o seu carrinho... Gosta muito de dar ares, mas não tem ar de coisa nenhuma... Não se pode brincar aos ricos quando não se tem um tostão na algibeira...
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente não se vive, meus senhores, não se vive... Intruja-se...

E depois, há os outros... A mãe que não diz nada, e mesmo que diga não importa... Sempre presente, debaixo da sua cara de apóstolo, fechado na sua moldura de madeira, está o bigode do pai que morreu de uma escorregadela. Agora observa o seu rebanho a empanturrar-se de sopa fria e a fazer grandes chhhhhluuup... a fazer grandes chhhhhhluuuup...
E também está lá aquela muito velhinha, que não pára de estremecer, e todos esperam que rebente visto que é ela que tem uns patacos... Mas ninguém liga nenhuma ao que aquelas pobres mãos contam...
É preciso dizer, meus senhores, que em casa desta gente, não se conversa, meus senhores, não se conversa... Fazem-se contas...

E depois, e depois há a Frida, que é bela como o sol, e que me ama tanto como eu a amo a ela... Dizemos muitas vezes que havemos de ter uma casa com montes de janelas, e quase sem paredes, e que havemos de lá viver... Será tão bom lá viver... Bem, se isto não é certo, pelo menos, é quase certo. Porque os outros não querem, os outros não querem... Os outros dizem que ela é demasiado linda para mim e que eu só sirvo para esfolar gatos... Eu nunca matei gatos, ou então, se foi, foi há muito tempo, ou então já me esqueci, ou eles cheiravam mal... Enfim, eles não querem... Estão contra.
Às vezes, quando nos encontramos, fingindo que é por acaso, com os olhos molhados ela diz que partirá, e que me seguirá... Então, por um instante, por um instante somente, eu acredito nela, meus senhores, por um instante, um instante somente...
Porque de casa desta gente, meus senhores, ninguém sai, ninguém sai...
Mas está a fazer-se tarde, senhores, são horas de eu regressar a minha casa...


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

LE GRANDE GALA DES AMIS DE GEORGES

Das Edições Brel recebi hoje a informação e o cartaz da GRANDE GALA DOS AMIGOS DE GEORGES. O espectáculo é na "Grande Comédie de Paris" no próximo dia 19 de Setembro.
Serão cantadas neste espectáculo canções de Georges Brassens e de Jacques Brel.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

RENÉ HÉNOUMONT

Das Edições Jacques Brel recebi esta notícia:

O JORNALISTA BELGA RENÉ HÉNOUMONT , AMIGO DE BREL E DE SIMENON, MORRE AOS 87 ANOS.

O jornalista trabalhou para a televisão belga francófona (RTBF) onde realizou duas entrevistas com Jacques Brel nos seus primeiros anos de cantor.
Numa delas questionou Brel porque não gostava das flamengas e na outra ele foi testemunha privilegiada da criação ao vivo da canção “Quand mamam reviendra”.

René Hénoumont , além de jornalista era também romancista e ganhou vários prémios literários. No seu livro “Café Liégeois” (1984) ele consagra três páginas a Jacques Brel. Nelas pode ler-se “Jacques Brel e eu éramos como que amigos de infância. Eu estive com ele nas suas estreias em Bruxelas e em Paris quando a nossa juventude vivia as noites e as palavras até de madrugada”. Ou ainda “Viu-o pela última vez num quiosque da “Gare du Nord” onde o dia pardacento tardava a acordar. Deixei-o ainda antes de acabarmos de beber umas mixórdias parecidas com café. No cinzeiro, o seu maço de cigarros estava amachucado, retorcido, vazio… Deveria ter estado mais tempo com ele. Nunca se sabe quando começa a viagem para o fim da noite”.

Em Outubro de 1988, René participou num debate televisivo, em Bruxelas, sobre o tema “Jacques Brel, escritor falhado?”

domingo, 13 de setembro de 2009

LES VIEUX

Jacques Brel canta os velhos e a velhice com palavras ternas e ao mesmo tempo cruéis. Ternas sem comiseração, cruéis sem raiva. Na canção Les vieux, ele usa um truque literário para transmitir ao ouvinte toda a solidão e lentidão da velhice.
O texto é composto por versos de 18 sílabas. A orquestração acentua esta cadência lenta. A melodia e a entoação da voz completam o quadro da velhice que se arrasta para a morte… A nossa velhice que se arrasta para a morte.
Les vieux é de 1963.

Os velhos já não falam... Quando muito, às vezes, falam com olhares. Mesmo ricos, eles são pobres... Já não têm ilusões e só lhes resta um coração para dois. As suas casas cheiram a tomilho, cheiram a limpeza, cheiram a alfazema e a palavras antigas. Quando se vive muito tempo, viver em Paris, é como viver na província...
Talvez porque tenham rido muito, as suas vozes enrugam-se quando falam do passado... Talvez porque tenham chorado demasiado, as lágrimas se tornam pérolas nas pálpebras... E se tremem mais um pouco, é só porque vêem envelhecer o relógio de parede, que ronrona no salão, e que diz sim, e que diz não, e que diz “Estou à vossa espera”!

Os velhos já não sonham... Os seus livros adormeceram, os pianos estão fechados, o gatinho já morreu, o moscatel do Domingo já não os faz cantar... Os velhos já não se mexem... Os seus gestos têm demasiadas rugas e o seu mundo é muito pequeno, vai do leito à janela, depois do leito ao sofá, e depois do leito ao leito... E se ainda saem à rua, vão muito austeros de braço dado, debaixo do sol, ao enterro de um que era mais velho, ao enterro de uma que era mais decrépita... E enquanto dura um soluço, esquecem por uma hora o relógio de parede que ronrona no salão, e que diz sim, e que diz não, e por eles vai esperando...

Os velhos não morrem... Um dia adormecem e ficam-se a dormir por demasiado tempo... Dão a mão um ao outro porque têm medo de se perder, e portanto, perdem-se. E o outro que resta, para ali fica... Seja o melhor ou o pior, seja o meigo ou o severo, pouco importa, porque encontra-se no inferno... Vamos vê-lo talvez, vamos encontrá-la por vezes, à chuva e ao desgosto, atravessando o presente, e desculpando-se de já não poder estar mais adiante, e fugir à vossa frente, uma última vez do relógio de parede que ronrona no salão, que diz sim, e que diz não, e que lhe diz: “Estou à tua espera”...
O relógio de parede que ronrona no salão e que diz sim… E que diz não... E QUE ESTÁ À NOSSA ESPERA.


sábado, 12 de setembro de 2009

JACQUES BREL NO PETER

No dia 12 de Setembro de 1974 , faz hoje precisamente 35 anos, JACQUES BREL esteve no PETER Café Sport e deixou lá a sua assinatura do Livro de Honra daquele Café. Na imagem abaixo uma fotografia desse autógrafo juntamente com o de France Brel e de Maddly , respectivamente filha e companheira do cantor. Na imagem também está a fotografia do Askoy que Brel deixou colada na mesma página.